terça-feira, 17 de março de 2026

Deuteronômio




O nome do livro de Deuteronômio, ou "segunda lei", sugere sua
natureza e propósito. Figura, segundo consta em nossas Bíblias, como o
último dos cinco livros de Moisés, fazendo um resumo e pondo em
relevo a mensagem que os quatro livros precedentes contém. Não
significa isto que se trata de mera repetição do que ficou dito
anteriormente. Sem dúvida, Deuteronômio faz parte dos acontecimentos
históricos que se deram previamente, em particular no Êxodo e em
Números. Contudo vai além destes relatos visto que os interpreta e os
adapta.
Através deste livro, os acontecimentos estão repletos de significado.
Moisés proporciona-nos bastante história; mas em quase todos os casos
relaciona os acontecimentos com a lição espiritual que sublinham. Toma
a legislação que Deus dera a Israel havia quase 40 anos, e adapta-se às
condições de vida da coletividade na terra para a qual Israel se mudaria
em breve.
Quando este livro foi escrito, a nação de Israel se encontrava na terra de
Moabe, ao leste do rio Jordão e do mar Morto. Numa oportunidade
anterior, Israel havia falhado, por falta de fé, ao não entrar na Palestina.
Agora, 38 anos depois, Moisés reúne o povo escolhido e procura
infundir-lhe fé que capacitará a avançar em obediência. Diante deles
está a herança. Os perigos, visíveis e invisíveis, jazem além.
Acompanha-os se Deus, a quem chegaram a conhecer melhor durante
suas experiências na península do Sinai, península deserta e escarpada.
Moisés compreende, corretamente, que os maiores perigos que os
assediam estão na esfera da vida espiritual; sendo assim, sua
mensagem acentua o aspecto espiritual. O Senhor Deus deles, é o único
Senhor; foi ele quem os libertou da escravidão. Deu-lhes a lei. Selou
uma aliança com eles. São o seu povo. O Senhor exige devoção e
adoração exclusivas. Seus caminhos são conhecidos do povo. Mediante
longa experiência, Israel aprendeu que o Senhor honra a obediência e
castiga a transgressão. Agora, em um novo sentido, Israel age por sua
própria conta, sob a direção do Senhor e em sua própria casa.
O livro abrange toda uma gama de perguntas que surgem desta nova
fase da vida de Israel. Sua atitude para com o Senhor é, naturalmente, o
principal problema. Moisés, com toda a diligência de que é capaz,
convida Israel a confiar de todo o coração no Senhor, e a fazer das leis
divinas a força diretriz de suas vidas. Esta lei, se obedecida, infundirá
vida e fará que os israelitas sejam povo destacado entre todas as
nações. Receberão bênçãos, e as nações reconhecerão que seu Deus é
Senhor. Porém, se Israel imitar a conduta das nações vizinhas,
esquecendo-se de seu Deus, então sobre virá a aflição, e finalmente será
espalhada entre os povos.
Através do livro todo acentua-se a fé somada a obediência. Em um
sentido verdadeiro, esta é a chave do livro.
Autor:
Nas páginas do livro de Deuteronômio se declara que Moisés é o autor
dos discursos que abrangem a maior parte da obra. É evidente que a
narrativa de sua morte, que consta do final do livro, foi escrita por outro
autor, mui provavelmente Josué. Daí que é inteiramente apropriado
referir-se a Deuteronômio como o quinto livro de Moisés.



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