quinta-feira, 5 de março de 2026

A história de Jó é uma das mais profundas da Bíblia sobre sofrimento, fé e confiança em Deus.

 1. Quem era Jó?

Jó era um homem justo, íntegro e temente a Deus. Ele era muito rico, tinha muitos filhos, terras e bens.

 2. A prova de Jó

No céu, Satanás questiona Deus, dizendo que Jó só era fiel porque tinha tudo.
Então Deus permite que Jó seja provado.

Em pouco tempo, Jó perde:

  • Seus bens

  • Seus filhos

  • Sua saúde (fica cheio de feridas)

Mesmo assim, ele declara:

"O Senhor deu, o Senhor tomou; bendito seja o nome do Senhor." (Jó 1:21)

3. Os amigos de Jó

Três amigos vão visitá-lo:
Elifaz,
Bildade e
Zofar.

Eles dizem que Jó só podia estar sofrendo porque havia pecado.
Mas Jó afirma sua inocência e começa a questionar o motivo de tanto sofrimento.

 4. Deus responde

Depois de muitos capítulos de diálogo, Deus responde a Jó mostrando Sua grandeza e sabedoria.
Deus não explica o motivo do sofrimento, mas mostra que Ele é soberano sobre todas as coisas.

Jó reconhece sua limitação e se humilha diante de Deus.

 5. A restauração

No final, Deus:

  • Repreende os amigos de Jó

  • Restaura sua saúde

  • Dá o dobro de tudo que ele tinha antes

  • Dá novos filhos

Mensagem principal

O livro ensina que:

  • Nem todo sofrimento é consequência de pecado.

  • Deus continua sendo soberano mesmo quando não entendemos.

  • A fé verdadeira permanece mesmo na dor.

Se você quiser, posso te explicar também:

  • Por que Deus permitiu aquilo?

  • O que Jó nos ensina hoje?

  • Ou se a história é literal ou simbólica?

Você gosta desta personalidade?

 

Rico e Lázaro

O Rico e Lázaro é um relato de Jesus registrado apenas no Evangelho de Lucas 16:19-31. Alguns consideram essa narrativa como sendo uma das parábolas de Jesus. Outros entendem que a história do rico e o mendigo é um relato verídico.

Neste texto, conheceremos a explicação da a história do rico e Lázaro. Também meditaremos sobre as lições importantes que podemos aprender através das palavras de Jesus.

O resumo da Parábola do Rico e Lázaro

Em certa ocasião de seu ministério, Jesus contou a história de um rico e um mendigo. Essa história também é conhecida como a Parábola do Rico e Lázaro. O rico se vestia de púrpura e linho finíssimo, e vivia esplendidamente, com fartura e banquetes diários.

Havia também um mendigo, um homem que vivia de forma completamente oposta ao rico. Esse mendigo “desejava se alimentar das migalhas que caíam da mesa do rico” (Lucas 19:21). Talvez por conta da condição precária em que vivia, ele era portador de uma doença de pele. Seu corpo era coberto de feridas, as quais os cães vinham lambê-las.

Num determinado momento, o rico e o mendigo morreram. A alma do mendigo foi amparada pelos anjos do Senhor e conduzida ao céu para estar junto de Abraão. Já o rico foi sepultado e sua alma foi para o Hades, onde estava em constante tormento.

Então o rico clamou a Abraão pedindo que o mendigo molhasse pelo menos a ponta do dedo na água e lhe refrescasse a língua. No entanto, Abraão lhe advertiu que isso não seria possível. Ele lhe fez lembrar-se do tipo de vida que ele teve enquanto estava vivo na Terra. Além do mais, Abraão também lhe informou que havia um grande abismo entre eles, de modo que o mendigo não podia ir até onde ele estava e vice e versa.

O rico também suplicou para que Abraão mandasse o mendigo à casa de seu pai. Ele queria que Lázaro avisasse seus irmãos sobre aquele lugar de tormento, a fim de que pudessem se arrepender e evitar ter o mesmo fim que ele estava experimentando.

Todavia, Abraão lhe respondeu que eles tinham acesso a Moisés e os profetas, ou seja, as Escrituras. Se eles não ouviam os mandamentos do Senhor claramente expressos em sua Palavra, também não iriam ouvir alguém que ressuscitasse dos mortos.

O rico e Lázaro é uma parábola?

Como dissemos, existe muita discussão entre os estudiosos se a história do rico e Lázaro é realmente uma parábola. O principal ponto de discussão acontece pelo fato de Jesus ter nomeado o mendigo, no caso, Lázaro.

Esse é o único relato de Jesus registrado nos Evangelhos em que Ele atribui um nome para um dos personagens. Portanto, caso se trate de uma parábola, o rico e o Lázaro é a única parábola onde o nome de um dos personagens fictícios foi revelado.

Uma coisa que precisa ser ressaltada é que o relato do rico e Lázaro transmite ensinamentos importantíssimos independentemente de ser ou não uma parábola. Devemos nos lembrar de que as parábolas de Jesus transmitem, por meio de ilustrações, ensinamentos e princípios reais.

Isso é importante porque algumas pessoas tentam anular verdades fundamentais do ensino do Senhor nesse relato. Por exemplo, alguns negam a realidade do inferno e a consciência após a morte. Eles tentam se apoiar na desculpa de que o relato é uma parábola.

Há indícios de que esse relato realmente não seja uma parábola, porém é impossível resolvermos definitivamente essa questão. Como a posição mais amplamente aceita é a de que a história do rico e Lázaro deve ser classificada como uma parábola, então neste texto iremos nos referir a ela desta maneira.

O contexto da Parábola do Rico e Lázaro

Não é possível afirmar com toda certeza a exata ocasião no ministério de Jesus em que a Parábola do Rico e Lázaro foi contato. No entanto, podemos claramente perceber uma conexão entre essa parábola e os versículos que a precedem, incluindo a Parábola do Administrador Infiel, registrada no mesmo capítulo.

Indo ainda mais além, também podemos identificar um tipo de sequência dos ensinamentos abordados ainda no capítulo anterior (15).

No capítulo 15, encontramos advertências do Senhor Jesus sobre a atitude incorreta no trato com as pessoas. Os perdidos que eram desprezados pelos escribas e fariseus, eram muito importantes para Deus, de modo que Ele mesmo busca ativamente tais pecadores e se alegra quando um destes se arrepende. Esse é um ensino presente nas três parábolas do capítulo: Parábola da Ovelha Perdida, Parábola da Dracma Perdida e a Parábola do Filho Pródigo.

Já no capítulo 16 lemos as advertências contra o uso incorreto e pecaminoso das possessões (riquezas, bens e propriedades). Jesus é claro ao afirmar que “não se pode servir a Deus e a Mamom” (Lucas 16:). Leia mais sobre o que significa Mamom.

Com base nesse ensino, é possível entendermos que a Parábola do Rico e Lázaro é um tipo de clímax do ensino de Jesus presente nestes dois capítulos. Nela, ele adverte, de uma só vez, sobre o uso indevido das riquezas e sobre o modo desprezível de se tratar o próximo.

O homem rico dessa parábola cometeu todos os erros descritos por Jesus nos versículos anteriores. Ele fatalmente serviu às suas riquezas e desprezou os mandamentos de Deus. Seu modo de vida era egoísta, de modo que ele era “repugnante aos olhos de Deus” (Lucas 16:15).

Como os escribas e fariseus estavam ouvindo as palavras de Jesus registradas nos versículos anteriores. Eles questionaram Jesus por estar cercado por publicanos e pecadores. Depois, começaram a zombar dele diante de sua censura ao amor às posses materiais. Portanto, é claro que essa parábola foi direcionada a eles. Assim, a figura do rico é uma representação perfeita destes religiosos.

Explicação da Parábola do Rico e Lázaro

Creio que nesse ponto já seja possível entender, de maneira geral, o ensino principal da Parábola do Rico e Lázaro. No entanto, para que a explicação fique bastante clara, vamos conhecer um pouco melhor os dois personagens citados nessa narrativa.

O rico

Jesus fornece dados suficientes para entendermos que aquele homem era muito rico. Ele se vestia de “púrpura e linho fino”. Essa tintura púrpura era bastante cara, e era obtida de um molusco. Uma túnica de púrpura era um traje digno de realeza.

Embaixo da túnica de púrpura ele usava linho fino. Além das roupas, aquele homem vivia uma vida de ostentação, participando de festas e banquetes diários. Ele não se importava nenhum pouco com a condição de seu próximo. O rico da parábola era o egoísmo em pessoa.

Quando o rico morreu, Jesus mencionou seu sepultamento. Aqui devemos entender como uma referência a um funeral propício a toda ostentação que aquele homem esbanjou em vida. Ele viveu de forma luxuosa, e sem dúvida seu sepultamento fez jus a sua importância.

Apesar de toda sua riqueza, curiosamente não sabemos seu nome. Jesus não se preocupou em nos informar esse detalhe. Para nosso Mestre, o nome do rico não tinha qualquer importância. Por outro lado, o nome do mendigo que desejava comer as migalhas de sua mesa ficou marcado na História: Lázaro. Jesus se preocupou em revelar o nome daquele pobre homem.

Após a morte, o rico foi para um lugar de tormento. A palavra que aparece originalmente é o grego Hades. Esse termo possui diferentes significados que dependem do contexto. Neste caso específico, a tradução correta é inferno, ou seja, o inferno em seu estado intermediário. A referência é a um lugar de tormento onde a alma do ímpio é atormentada enquanto aguarda a ressurreição do corpo para, após o juízo final, ser lançado no lago de fogo, isto é, o inferno em seu estado final. Saiba mais sobre o significado de Hades.

O comportamento do ímpio no inferno é bastante interessante. Completamente atormentado, ele pediu para que Abraão fizesse com que Lázaro molhasse o dedo na água e colocasse em sua língua. Depois, ele também pediu para que Abraão mandasse Lázaro à casa de seu pai para fazer com que seus cinco irmãos se arrependessem.

Você consegue perceber que mesmo após a morte o rico continuou com seu comportamento egoísta? Você percebe que ele continuava tratando Lázaro como um servo, um garoto de recado?

Outra coisa interessante é que o rico sabia muito bem quem era Lázaro. Ele admite conhecer pelo nome o mendigo que ficava jogado à sua porta esperando por compaixão. Suas palavras no além apenas confirmaram o quanto ele negligenciou a Palavra de Deus. Ele não amou a Deus sobre todas as coisas, muito menos seu próximo como a si mesmo.


Lázaro, o mendigo

Lázaro é um nome latino que deriva do grego Lazaros, que, por sua vez, é uma transliteração do nome hebraico Eleazar, que significa “Deus tem socorrido” ou “Deus ajuda”. Se caso esse relato realmente for uma parábola, então existe a possibilidade de Jesus ter utilizado esse nome justamente para indicar que aquele mendigo, mesmo com todos os problemas e provações que enfrentou durante a vida, tinha depositado toda sua confiança em Deus.

Lázaro morreu, e diferentemente do rico, nada é dito sobre seu sepultamento. Ele não recebeu nenhuma honra terrena, nem mesmo de maneira póstuma. Todavia, algo muito mais importante e glorioso do que isto é dito sobre sua alma: Lázaro foi levado pelos anjos para estar na companhia de Abraão no Paraíso.

Note o contraste impressionante: o mendigo que aqui na terra desejava comer migalhas e tinha por companhia os cães que lambiam suas feridas, agora estava no céu, reclinado à mesa celestial juntamente com Abraão (cf. Mateus 8:11).

Algumas pessoas erroneamente entendem que a expressão “seio de Abraão” designa um lugar temporário, onde os santos esperam a ressurreição de seus corpos. Na verdade esse conceito não existe nas Escrituras, e essa expressão apenas faz referência ao favor especial alcançado por aquele mendigo. Enquanto na terra ele era rejeitado, no céu ele estava junto de Abraão, reclinado sobre ele, assim como o apóstolo João também fazia com Jesus (João 13:25).

Também devemos ressaltar que Abraão é considerado na Bíblia como o grande patriarca do povo judeu. Mas não apenas isto, ele também é considerado como o pai de todos os redimidos que creem em Jesus (Rm 4:11).

Outra coisa interessante é o fato de que no relato, Lázaro não pronuncia uma única palavra, nem enquanto estava vivo, nem mesmo após a morte. Diferentemente do rico, Lázaro em nenhum momento precisa tentar se auto justificar.

Lições da Parábola do Rico e Lázaro

São muitas as lições que podemos tomar desse relato sobre o rico e Lázaro. Antes, precisamos enfatizar que o significado principal da Parábola do Rico e Lázaro é a advertência contra a avareza. A verdade de que as riquezas terrenas de nada valerão na eternidade fica muito clara no texto. Essa parábola é um convite ao arrependimento enquanto ainda há tempo. Após a morte nada mais poderá ser feito.

Estabelecido esse ensino principal, agora podemos pontuar algumas lições derivadas desse princípio:

1. O problema não é ser rico: não existe nenhuma passagem bíblica que ensina que é pecado ser rico. O que a Palavra de Deus condena é o amor ao dinheiro. Não se pode servir a Deus e as riquezas.

Muitos personagens bíblicos foram ricos, como por exemplo, José de Arimateia, um homem que viveu nos dias de Jesus. O ensino bíblico é de que alguém é verdadeiramente rico quando compartilha suas bênçãos materiais e espirituais com os necessitados.

2. A auto justificação não pode livrar ninguém: como vimos, essa parábola foi direcionada aos fariseus, pessoas que achavam que poderiam se apoiar na justiça própria. Eles chamavam Abraão de pai, assim como o rico, e pensavam que por sua linhagem tinham um lugar garantido no Paraíso.

A Palavra de Deus nos revela que é somente através da justificação pela fé em Jesus Cristo que poderemos desfrutar da bem-aventurança eterna (Romanos 5:1)

3. Após a morte, nada mais poderá ser feito: mesmo que o relato do rico e Lázaro for identificado como sendo uma parábola, não podemos negar, de forma alguma, que verdades definitivas acerca da vida por vir são reveladas muito claramente.

Esse texto nos ensina que não existe qualquer possibilidade de comunicação entre vivos e mortos. Nem mesmo é possível alterar a condição de condenação eterna após a morte. A condição de bem-aventurança, como a de Lázaro, ou a de condenação, como a do rico, está fixada para sempre. A oportunidade de vivermos uma vida de acordo com a vontade de Deus deve ser aproveitada agora.

4. O sofrimento é eterno e sem alívio: o ensino que a morte é um sono, e que a pessoa fica completamente inconsciente não encontra sustentação bíblica. Esse ensino se equivale de interpretações equivocadas de algumas passagens do Antigo Testamento.

Na Parábola do Rico e Lázaro Jesus deixou muito claro que os que já partiram estão plenamente acordados e conscientes. Alguns aguardam o dia do juízo na bem-aventurança, enquanto outros aguardam em sofrimento.

5. A salvação é uma obra inteiramente divina: se Espírito Santo não regenerar o pecador, nem mesmo o maior dos milagres poderá fazer com que ele se convença de seu pecado. O rico pediu para que Abraão envia-se Lázaro, e depois qualquer um dos mortos, para que fosse ter com seus irmãos para que estes pudessem se converter.

É claro que o rico mais uma vez estava completamente equivocado. O Evangelho de João nos fala de outro Lázaro, aquele que ressuscitou dos mortos. O resultado dessa ressurreição não foi a conversão dos incrédulos, ao contrário, eles começaram a planejar a morte do próprio Lázaro que acabará de ser ressuscitado (Jo 11).

Por fim, a própria ressurreição de Jesus nos mostra que, se Deus não chamar soberanamente o pecador em sua graça, nunca tal pecador será salvo, ainda que alguém ressuscite dentre os mortos. O homem, morto em delitos e pecados, jamais abandona sua obstinação em ser inimigo da Palavra de Deus.

O rico, mesmo após a morte, não demonstrou arrependimento. Ele apenas lamentou seu sofrimento, mas em nenhum momento indicou que compreendeu os mandamentos do Senhor.

O caráter do rico continuou o mesmo. Ele enxergou Lázaro como um simples servo. Tentou se aproveitar de sua condição de descendente de Abraão ao chamá-lo de “pai”. No final, ele ainda pensou que, até mesmo na eternidade, seus caprichos poderiam ser atendidos.

 

Figueira Estéril

A Parábola da Figueira Estéril é uma parábola de Jesus registrada no Evangelho de Lucas (cap. 13:6-9). Vale dizer que dentre os quatro Evangelhos, apenas Lucas registrou essa parábola. Nesse texto, nós entenderemos a explicação, significado e lições dessa parábola.

O texto bíblico da Parábola da Figueira Estéril

E dizia esta parábola: Um certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha, e foi procurar nela fruto, não o achando; e disse ao vinhateiro: Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira, e não o acho. Corta-a; por que ocupa ainda a terra inutilmente? E, respondendo ele, disse-lhe: Senhor, deixa-a este ano, até que eu a escave e a esterque; e, se der fruto, ficará e, se não, depois a mandarás cortar (Lucas 13:6-9).

Contexto histórico da Parábola da Figueira Estéril

No capítulo 13 do Evangelho de Lucas, assim como no final do capítulo anterior (12), nitidamente percebemos uma ênfase no ensino sobre a necessidade da conversão. Também é possível entender que Jesus contou essa parábola durante Sua viagem final para Jerusalém (Lc 13:1).

O contexto histórico da narrativa de Jesus é o triste episódio envolvendo a ordem de Pilatos para matar alguns galileus. Pelo relato de Lucas, podemos entender que algumas pessoas naturais da Galileia peregrinaram até Jerusalém para oferecerem sacrifícios no Templo. De repente, por ordem de Pilatos, aquelas pessoas foram assassinadas.

O texto nos informa que, de alguma forma, o sangue daquelas pessoas foi misturado com o sangue de seus sacrifícios (Lc 13:1). Além do que foi registrado por Lucas, nada se sabe sobre o que de fato ocorreu.

Não sabemos qual foi a motivação para a ordem de Pilatos. Alguns sugerem que esses galileus faziam parte de um grupo nacionalista que se opunha de forma intensa ao governo romano, porém essa teoria é apenas uma mera especulação.

O importante sobre esse relato é que pelas palavra de Jesus podemos perceber que as pessoas que estavam ao redor do Senhor não interpretavam esse evento como um ato de crueldade por parte de Pilatos, ao contrário, eles achavam que aqueles galileus foram vitimas do castigo divino por conta de seus pecados (Lc 13:2,3).

Esse tipo de entendimento que relacionava o sofrimento com o pecado pessoal era comum entre os judeus. Um exemplo disso é a própria história de Jó, onde seus amigos associaram o sofrimento enfrentado por ele com o castigo divino por seus pecados (Jó 4:7; 8:20; 11:6; 22:6-10; cf. Jo 9:2).

Porém, Jesus reprovou completamente esse conceito ao afirmar que aqueles galileus mortos não eram, necessariamente, maiores pecadores que os demais galileus, e enfaticamente adverte seus ouvintes: “[…] mas a menos que se convertam, todos vocês igualmente perecerão” (Lc 13:3).

É possível também que na época os judeus associaram a origem das vítimas, a Galileia, como um fator contribuinte para tal punição. Devemos nos lembrar que existia preconceito entre os judeus de Jerusalém e os galileus.

Jesus então continuou seu discurso refutando claramente essa ideia. Ele fez isso citando um desastre na Torre de Silóe que matou dezoito pessoas. Essa torre ficava próxima ao Tanque de Silóe, e num determinado dia ela desabou e matou um grupo de pessoas.

O interessante é o detalhe da narrativa de Jesus. Se no outro evento foram os galileus que morreram, nesse desastre com a torre foram os moradores de Jerusalém. Mais uma vez Jesus enfatizou a sentença: “[…] mas a menos que se convertam, vocês semelhantemente perecerão” (Lc 13:5).

Resumo e explicação da Parábola da Figueira Estéril

Considerando o contexto apresentado acima, não é difícil entendermos a Parábola da Figueira Estéril. Jesus contou nessa parábola que um homem tinha uma figueira planta em sua vinha, e quando foi procurar fruto nessa figueira ele não encontrou.

Era comum entre os judeus que figueiras fossem plantadas em vinhas. Isso também significa que quando plantadas nas vinhas, as figueiras recebiam cuidados especiais.

Jesus também nos informa que o homem havia procurado por frutos na figueira durante três anos, e nada tinha encontrado. É importante entender que não se tratavam dos primeiros três anos de vida daquela figueira.

Vale lembrar de que na Lei de Moisés havia uma condição de que apenas a partir do quinto ano os frutos de uma árvore poderiam ser consumidos. Os frutos dos três primeiros anos deveriam ser descartados, e os frutos do quarto ano deveriam ser ofertados ao Senhor (Lv 19:23-25).

Logo, aquele homem estava procurando frutos na figueira no quinto, sexto e sétimo ano, mas não os encontrou. Então ele ordenou ao viticultor para que cortasse a árvore. Além disso, ele também fez uma observação interessante: “Por que deixá-la inutilizar a terra?” (Lc 13:7).

Aqui percebemos que aquela árvore não era apenas inútil, ela era pior do que isto. Além de não produzir fruto a figueira estéril causava prejuízo, pois ocupava o espaço no solo que poderia ser utilizado de uma forma melhor, e também suas raízes absorviam os nutrientes da terra prejudicando as demais plantas que estavam ao seu redor.

Então o homem que cuidava da vinha pediu para que o proprietário tivesse só mais um pouco de paciência, e esperasse mais um ano. Durante esse prazo ele iria adubá-la e se ela não produzisse fruto a figueira poderia ser cortada.

Lendo o diálogo entre o viticultor e o dono da vinha, podemos perceber que o viticultor demonstrava um interesse especial naquela figueira estéril. Ele não só pediu para que ela não fosse cortada, como também se comprometeu a fazer tudo o que tivesse ao seu alcance para que a árvore pudesse produzir.

A parábola termina é nada é dito se a figueira finalmente produziu fruto ou se foi cortada. Claro que isso foi intencional, ou seja, com isso, Jesus propôs que cada um analise sua própria vida, se somos como uma figueira estéril ou se somos como árvores frutíferas.


Qual o significado da Parábola da Figueira Estéril?

É possível que exista um significado simbólico na figura da figueira plantada na vinha. Tanto a videira quanto a figueira, tinha um papel importante para os judeus, de modo que no Antigo Testamento várias vezes a prosperidade de Israel ou sua reprovação foi indicada com referências à essas árvores (1Rs 4:25; Mq 4:4; Jr 8:13; Os 9:10; Hc 3:17; cf. Is 5:1-7).

Assim, podemos entender que a figueira plantada em uma vinha é uma figura da posição privilegiada que Israel desfrutou na antiga dispensação. No entanto, esse privilégio também trouxe responsabilidade, e sabemos que Israel, como nação, não respondeu a esse privilégio e não se voltou para o Senhor (Lc 20:16; 21:20-24).

Portanto, a falta de figos na figueira simbolizava a reprovação de Deus e seu juízo iminente: se não produzisse fruto a figueira seria cortada. O significado central dessa parábola não se resume apenas a Israel, mas a todos que ouvem e leem essas palavras de Jesus.

Essa parábola nos mostra a verdade de que se um simples homem se importou com a figueira estéril de tal modo que se comprometeu a trabalhar nela por mais uma ano, mais ainda Deus se importa com o homem e se mostra magnânimo e paciente. Porém, Sua paciência tem um tempo limite.

Aqui aprendemos que Deus é misericordioso, mas chegará o tempo em que o dia do juízo virá. Hoje os homens estão vivendo num tempo de oportunidade, mas chegará o momento em que a oportunidade de salvação será tirada, a figueira estéril será cortada e se perderá para sempre.

Assim, o ensino principal da parábola da figueira estéril é que a paciência de Deus resulta em julgamento ao pecador impenitente. Esse é o mesmo ensino expresso na Epístola aos Hebreus, quando seu autor escreveu que se toda transgressão e desobediência recebeu justa retribuição, “como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação” (Hb 2:2,3).

Quando meditamos na Parábola da Figueira Estéril podemos facilmente nos lembrar das palavras do profeta Isaías:

Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno, os seus pensamentos e se converta ao Senhor, que se compadecerá dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar (Is 55:6,7).

Quando o tempo permitido pelo Senhor para que o homem se arrependa tiver se esgotado, então ninguém poderá escapar do juízo de Deus. Essa parábola, sem dúvida, enfatiza a responsabilidade humana.

Deus é soberano e a Bíblia ensina claramente a doutrina da justificação pela graça mediante a fé, mas isso não anula a responsabilidade do homem. O homem, depravado e corrompido pelo pecado, não poderá culpar Deus pela sua negligência. No dia do juízo ninguém poderá reclamar da paciência e da misericórdia do Senhor, nem mesmo questionar Sua justiça.

 

Construtor da Torre e o Rei Guerreiro

A Parábola do Construtor da Torre e o Rei Guerreiro é um ensino de Jesus presente em Lucas 14:28-33. Na verdade não se trata de apenas uma parábola, mas duas parábolas, porém ambas estão intimamente ligadas de modo que uma complementa a outra.

Assim, embora existam algumas diferenças naturais entre essas duas parábolas, seguramente podemos entender que elas transmitem, com aspectos diferentes, o mesmo ensino e significado.

Portanto, uma interpretação correta dessas parábolas de Jesus exige uma exposição indivisível das duas parábolas, e é por isso que muitos comentaristas as apresentam como uma única parábola.

O texto bíblico da Parábola do Construtor e o Rei Guerreiro

Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar? Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele, dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar.

Ou qual é o rei que, indo à guerra a pelejar contra outro rei, não se assenta primeiro a tomar conselho sobre se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil? De outra maneira, estando o outro ainda longe, manda embaixadores, e pede condições de paz.

Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo.

(Lucas 14:28-33)

Contexto da Parábola do Construtor e o Rei Guerreiro

Jesus contou essa parábola durante sua viagem da Galileia para Jerusalém. Nessa ocasião Jesus estava acompanhado de uma grande multidão (Lc 14:25). Na verdade, a grande maioria dessas pessoas tinha uma concepção completamente errada acerca de Jesus.

Elas estavam seguindo o Senhor pois O identificavam como um governante terreno, e achavam que, quando chegasse a Jerusalém, Ele iria estabelecer seu reino e finalmente exaltar a nação.

No entanto, essa viagem de Jesus a Jerusalém tinha um propósito completamente contrário ao que o povo pensava. Em Jerusalém Jesus seria traído, preso, torturado, julgado e executado no Calvário.

Então, num determinado momento, Jesus falou sobre o custo do discipulado, e utilizou essas duas parábolas para poder exemplificar seu importante ensino.

Resumo e explicação da Parábola do Construtor da Torre e o Rei Guerreiro

Jesus usou duas cenas distintas em seu ensino. Primeiro, na Parábola do Construtor da Torre, Jesus utilizou o cenário rural e a vida no campo. Depois, na Parábola do Rei Guerreiro, o cenário passou a ser o palácio e as decisões militares.

Na Parábola do Construtor da Torre, Jesus supõe a construção de uma torre em uma fazenda. O texto não explica que tipo de torre seria essa. Poderia ser uma torre de vigia para o fazendeiro proteger seu campo, ou uma torre para armazenagem de ferramentas e suprimentos que também poderia ser utilizada como residência temporária.

Considerando a ênfase dada por Jesus ao custo da torre, é provável que a última possibilidade seja a mais correta, já que uma simples torre de vigia em uma vinha tinha um custo muito menor do que um tipo de edifício agrícola.

O que se sabe é que na época possuir uma torre em sua fazenda representava mais prestigio para o fazendeiro, além de valorizar sua propriedade.

Todavia, Jesus ensina que se não for feito um planejamento correto dos custos da construção os recursos poderão acabar antes que o empreendimento esteja completo, então todo o respeito, prestígio e valorização que tal torre poderia trazer ao fazendeiro irão por água a baixo, e em vez disso ele será alvo de chacota e ganhará fama de imprudente.

Já na Parábola do Rei Guerreiro, Jesus fala da avaliação estratégica que deve ser feita por um rei antes de entrar em batalha, a fim de analisar se com seu exército de 10 mil soldados poderá enfrentar um exército que possui o dobro do tamanho do seu.

Essa avaliação precisa ser muito honesta e sincera, para que se caso julgar não ter condições de enfrentar seu oponente, o rei possa enviar uma comissão de embaixadores para apresentar um acordo de paz antes que o exército inimigo venha até ele. Assim não apenas seus recursos serão poupados, mas a vida de seus homens também.


O significado da Parábola do Construtor da Torre e o Rei Guerreiro

As duas parábolas são curtas e objetivas. Na Parábola do Construtor da Torre a lição é bem clara: planeje e avalie o custo antes de agir. Já na segunda parábola a lição que segue é: avalie as possibilidades de sucesso, tome uma ação e esteja disposto a ceder.

Entretanto, quando colocamos essas duas parábolas como partes de um mesmo ensino, podemos perceber uma importante verdade. Na primeira parábola o fazendeiro precisa tomar uma decisão, isto é, ele pode fazer ou não fazer a torre.

Na segunda parábola o rei também precisa tomar uma decisão, porém ele não tem a liberdade do fazendeiro, ele obrigatoriamente precisa fazer alguma coisa, ou seja, ou vai à guerra ou cede um acordo de paz.

Para entendermos esse ensino não podemos anular o contexto dessa parábola. Jesus pronunciou essas palavras para uma multidão infestada de seguidores superficiais.

Num primeiro momento essas pessoas aparentavam desfrutar de uma liberdade de ação, isto é, construir ou não construir? Buscar verdadeiramente o reino de Deus ou continuar sonhando o ideal nacionalista esperando um reino terreno? Se apoiar no fato de terem comido do maná no deserto ou comer do verdadeiro Pão que desceu do céu enviado por Deus (Jo 6:48-50)?

Todavia, o ensino prossegue e Jesus mostra que não existe a possibilidade da neutralidade, ensinando então três princípios claros:

  1. É preciso ponderar e planejar antes de tomar a ação;
  2. Mas é necessário que a ação seja tomada;
  3. Porém, é preciso tomar a ação da maneira correta, isto é, partir para a direção certa, e estar disposto a ceder.

Essas pessoas precisavam ser confrontadas, precisavam entender que não poderiam permanecer como estavam, elas tinham que saber o que realmente significava ser um discípulo do Senhor. Nesse mesmo capítulo Jesus repete três vezes a sentença “não pode ser meu discípulo” (Lc 14:26,27,33), ressaltando que não era qualquer um que poderia segui-lo.

Você se lembra de que as duas parábolas estão dentro da seção do capítulo 14 que trata do custo do discipulado?

Com a Parábola do Construtor da Torre Jesus enfatiza que seus seguidores precisam compreender que segui-lo não é “um mar de rosas”, por isso é preciso avaliar e refletir sobre o que verdadeiramente é ser um cristão, enquanto que na segunda parábola Ele ensina que a genuína compreensão desse assunto conduz seus seguidores a autonegação e a capacidade de ceder e renunciar a tudo e a todos por causa do Evangelho (Lc 33).

Em outras palavras, o ensino dessas duas parábolas mostra que Jesus não precisa de seguidores que não estejam completamente comprometidos com sua causa. Estes são como as sementes que caem nos lugares rochosos na Parábola do Semeador, eles se empolgam, crescem rápido, mas não possuem raízes. Quando são submetidos a uma condição de teste, sofrimento e negação, eles desistem (Mt 13:20,21).

O problema é que quando isso ocorre a condição dessas pessoas passa a ser pior do que antes. Tentar construir a torre e não terminá-la traz sérios problemas para o fazendeiro, que se torna objeto do ridículo, como da mesma maneira o prejuízo de uma batalha inconsequente é irreversível.

É por isso que é muito apropriada a conclusão presente nesse mesmo capítulo, onde nela Jesus fala sobre a inutilidade do sal insípido, ou seja, o sal que não tem sabor.

Jesus claramente afirmou que esse tipo de sal não serve para mais nada, ou seja, assim como o vexame da desastrosa construção da torre inacabada não pode ser apagado da mente das pessoas; assim como as vidas que foram perdidas não podem ser recuperadas após uma decisão equivocada que conduziu a uma guerra fracassada; e assim como o sal que perdeu o sabor não pode mais ser restaurado; da mesma forma é impossível que aqueles que foram instruídos no conhecimento da verdade, mas resolutamente negaram à exortação do Espírito Santo, sejam também renovados para o arrependimento (Hb 6:4-6).

Ao mesmo tempo em que a Bíblia ensina que um genuíno seguidor de Cristo jamais se perde (1Jo 10:27,28; 1Jo 2:19), também ensina que há muitas pessoas que parecem comprometidas com o Evangelho, caminham entre a multidão que segue o Senhor, mas acabam se revelando como construtores imprudentes e reis insensatos. Para estes, resta apenas uma terrível expectação de juízo (cf. Mt 12:32; Hb 6:4-6; 10:26,27,38).

E você, compreende o que realmente é ser um seguidor de Cristo? Compreende a verdadeira causa do Evangelho? Está disposto a negar-se a si mesmo?

Meu desejo sincero é que possamos dizer as mesmas palavras escritas pelo autor da Epístola aos Hebreus: “Nós, porém, não somos daqueles que se retiram para a perdição, mas daqueles que creem para a conservação da alma” (Hb 10:39).

 

Primeiros Lugares

A Parábola dos Primeiros Lugares é uma parábola de Jesus que pode ser encontrada no Evangelho de Lucas 14:7-14, o único dos quatro evangelistas que registrou essa parábola. Apesar de ser uma parábola curta e bastante simples, ela possui um significado muito importante para todos nós.

Texto bíblico da Parábola dos Primeiros Lugares

A parábola em si compreende apenas os versículos 8 a 11, no entanto, o versículo 7, que fornece uma introdução à parábola, e os versículos 12, 13 e 14, também devem ser considerados para o entendimento correto dessa parábola.

E disse aos convidados uma parábola, reparando como escolhiam os primeiros assentos, dizendo-lhes: Quando por alguém fores convidado às bodas, não te assentes no primeiro lugar; não aconteça que esteja convidado outro mais digno do que tu; E, vindo o que te convidou a ti e a ele, te diga: Dá o lugar a este; e então, com vergonha, tenhas de tomar o derradeiro lugar. Mas, quando fores convidado, vai, e assenta-te no derradeiro lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, sobe mais para cima. Então terás honra diante dos que estiverem contigo à mesa. Porquanto qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado. E dizia também ao que o tinha convidado: Quando deres um jantar, ou uma ceia, não chame os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus parentes, nem vizinhos ricos, para que não suceda que também eles te tornem a convidar, e te seja isso recompensado. Mas, quando fizeres convite, chama os pobres, aleijados, mancos e cegos, E serás bem-aventurado; porque eles não têm com que to recompensar; mas recompensado te será na ressurreição dos justos (Lucas 14:7-14).

Contexto da Parábola dos Primeiros Lugares

Os versículos que precedem essa parábola no capítulo 14 do Evangelho de Lucas revelam com clareza o contexto em que a Parábola dos Primeiros Lugares foi contada. Tratava-se de um sábado, um dia em que os judeus costumavam realizar uma importante ceia.

O texto bíblico nos informa que um dos principais dos fariseus havia convidado Jesus para um desses grandes almoços. Era comum que vários convidados comparecessem nesses banquetes. Esse homem que convidou Jesus possivelmente era alguém abastado de bens (cf. Lc 14:12).

Apesar de o convite parecer amável, podemos perceber que as intenções daquele anfitrião e seus colegas fariseus não eram as melhores. Eles estavam observando Jesus atentamente, para que pudessem descobrir algum motivo para apresentar uma acusação contra ele (Lc 14:1).

Os versículos que se seguem (vers. 2 a 6) mostram Jesus curando um homem hidrópico em meio a uma discussão sobre a legitimidade de curar um doente no sábado.

Alguns comentaristas defendem que aquele homem doente foi colocado diante de Jesus de propósito, ou seja, os próprios religiosos o colocaram ali como um tipo de armadilha na qual esperavam que Jesus caísse.

De fato essa possibilidade existe, porém de forma alguma podemos afirmá-la com certeza, pois também não era incomum que alguém entrasse em uma celebração sem ser convidado (Lc 7:37,38).

Após a narrativa do milagre e do triunfo de Jesus sobre os religiosos que ficaram calados diante dos questionamentos d’Ele acerca do sábado, Lucas nos informa que nosso Senhor começou a reparar na forma com que os convidados daquela ceia estavam escolhendo os lugares em volta da mesa, e diante disso contou a Parábola dos Primeiros Lugares.

Naquela época, na sala onde se celebrava a ceia, havia uma mesa baixa cercada de divãs que tinham a capacidade de acomodar três pessoas. Esses divãs eram colocados em forma de um “U” ao redor da mesa que era retangular.

Na posição central da mesa, isto é, na cabeceira, ficava a pessoa de maior importância. Ao seu lado esquerdo, ficava a segunda pessoa em importância, e no lado direito a terceira pessoa em importância.

Assim, o divã à esquerda da cabeceira da mesa era o segundo em honra, e, depois, vinha o divã da direita, e assim sucessivamente durante toda a extensão da mesa. Essa era uma regra de hierarquia social que orientava os judeus naquela época.

Entretanto, na ceia em que Jesus estava essa regra parecia estar sendo ignorada, e os convidados estavam demonstrando todo egoísmo, orgulho e preconceito na escolha dos lugares.

A explicação da Parábola dos Primeiros Lugares

Diante daquele clima de soberba e arrogância, Jesus começou a contar a Parábola dos Primeiros Lugares. Na parábola Jesus usa a figura de uma festa de casamento, uma celebração onde as regras deviam ser observadas ainda com mais rigidez.

Jesus aconselha que em tal festa não é prudente que alguém se apresse em ocupar um lugar de grande honra, pois é possível que o anfitrião tenha convidado uma pessoa ainda mais eminente, e, quando tal pessoa chegar à festa, não restará outra alternativa ao anfitrião a não ser pedir para que quem se sentou no lugar que não lhe era destinado que saia e ocupe um lugar inferior.

Obviamente essa pessoa ficará muito envergonhada pela humilhação que sua própria soberba lhe submeteu. Jesus exorta que é muito melhor que a pessoa ocupe primeiramente um lugar inferior, para que, quando o anfitrião chegar, possa convidá-lo a ocupar um lugar de mais importância, sendo este então honrado diante de todos os convidados.


O significado da Parábola dos Primeiros Lugares

O significado da Parábola dos Primeiros Lugares é bastante claro, e fica expresso na sentença do versículo 11, onde lemos: “Porque todo aquele que se exalta será humilhado, e aquele que se humilha será exaltado”.

Jesus estava ensinando nessa parábola uma importante lição sobre a humildade e a auto depreciação. A lição principal dessa parábola é o mesmo ensino transmitido em um dos provérbios do rei Salomão:

Não te glories na presença do rei, nem te ponhas no lugar dos grandes; porque melhor é que te digam: Sobe aqui; do que seres humilhado diante do príncipe que os teus olhos já viram (Provérbios 25:6,7).

Obviamente os escribas e fariseus conheciam muito bem essas palavras, porém certamente as ignoravam com frequência, pois o próprio Jesus, em outras ocasiões, alertou para o fato de que eles amavam os lugares de destaque (Mt 23:6; Mc 12:38,39; Lc 20:46).

Logo, muito apropriadamente Jesus finalizou a parábola com as palavras do versículo 11, um ensino tão importante que também aparece na conclusão da Parábola do Fariseu e o Publicano (Lc 18:14) e em outras passagens bíblicas (Mt 23:12; cf. Jó 22:29; Pv 29:23; Tg 4:6; 1Pe 5:5).

Esse ensino expressa uma verdade bíblica que pode ser conferida por toda a Escritura. Temos vários personagens bíblicos que provaram na prática esse ensino, como por exemplo, a princesa Jezabel, o rei Nabucodonosor e Herodes Agripa I, exaltados que foram humilhados (1Rs 21:7,23; 2Rs 9:30-37; Dn 4:30-33; At 12:20-23); enquanto José no Egito, Ana, e o próprio publicano da parábola, são exemplos de humilhados que foram exaltados (Gn 41:41; 1Sm 1:12-20; Lc 18:9-14).

Por fim, ainda que a exaltação não venha nessa terra, a história do Rico e Lázaro prova que tanto a exaltação quanto a humilhação final e plena se dará na vida porvir (Lc 16:19-31), um ensino que também foi compreendido pelo levita Asafe (Sl 73).

Apesar de a parábola terminar no versículo 11, o ensino de Jesus continua nos versículos seguintes. A parábola foi dirigia aos convidados, mas a lição presente entre os versículos 12 a 14 foi direcionada ao anfitrião.

Para ele, Jesus ensina que não se deve convidar pessoas para sua ceia apenas com a intenção de ser recompensado. Jesus havia notado que naquele banquete havia muitas pessoas importantes que competiam umas com as outras em busca do lugar mais honrado.

Jesus diz ao anfitrião que convide também as pessoas oprimidas. Ele não estava dizendo que só era licito convidar os oprimidos, mas com essa exortação ele estava chamando a atenção para a necessidade do amor desinteressado, da compaixão para com o próximo e do espírito humilde.

Em outras palavras, Jesus estava alertando sobre a importância que há em se dividir recursos com aqueles que nada têm. Diferente das pessoas importantes da sociedade que poderão lhe recompensar, quando se age com compaixão para com os oprimidos a recompensa vem do próprio Deus (Mt 25:34-50).

Lições da Parábola dos Primeiros Lugares

A lição principal da Parábola dos Primeiros Lugares certamente é sobre a importância da humildade, e o ensino que se segue com o conselho ao anfitrião é uma exortação ao amor desinteressado dispensado ao próximo. Com base nisso, podemos refletir sobre algumas lições práticas.

  • A humildade é indispensável aos verdadeiros seguidores de Cristo (Mt 18:4; 20:25-28; 23:12; Lc 22:27; João 13:1-15; Fp 2:5-8; Tg 4:6; 1Pe 5:5). Quando somos verdadeiramente humildes, não nos resta qualquer outra possibilidade a não ser reconhecer que em nós mesmo não há qualquer motivo de vanglória (Rm 3:27).
  • A regra dos assentos importantes é bem simples, porém amplamente ignorada por muitos cristãos. Infelizmente até mesmo dentro das comunidades cristãs existem pessoas se estapeiam em busca dos primeiros lugares, pois precisam de reconhecimento, de honra e de glória por parte dos homens. Esse não é o comportamento condizente com o verdadeiro caráter cristão que revela o fruto do Espírito Santo produzido em nós. O cristão genuíno é capaz de reconhecer que a cruz de Cristo é seu único motivo de glória (Gl 6:14).
  • Os lugares mais inferiores revelam uma possibilidade maravilhosa, isto é, ser convidado a ocupar uma posição mais importante, já que para quem ocupa a posição mais inferior seu único rumo possível é para cima. Já os lugares superiores podem revelar uma possibilidade aterrorizante, ou seja, a terrível humilhação de ser convidado a deixar o lugar de honra. É melhor ser humilde em uma posição inferior do que um usurpador em uma posição superior.
  • Quando repartimos nossos recursos com aqueles que nada têm, desfrutamos do grande privilégio de contemplar a alegria que há no olhar de quem é abençoado. O ensino bíblico é muito claro de que devemos demonstrar hospitalidade para com os necessitados (Rm 12:13; 1Tm 3:2; Tt 1:8; 1Pe 4:9), e quem entende essa norma bíblica certamente compreende na pratica a verdade que há nas palavras do próprio Senhor Jesus, que disse: “Há maior felicidade em dar do que em receber” (At 20:35).

 

quarta-feira, 4 de março de 2026

Lista dos milagres

  1. Número
Evento Mateus Marcos Lucas João
01 Transformou a água em vinho


2,1 - 11
02 Exorcismo na sinagoga de Cafarnaum
1,21-28 4,31-37
03 Pesca miraculosa em Genesaré 4,18-22 1,16-20 5,1-11
04 Jovem morto em Naim

7,11-17
05 Cura do leproso 8,1-4 1,40-45 5,12-16
06 Cura do servo do centurião
Cura do filho do oficial
8,5-13
7,1-10 4,46-54
07 Cura da sogra de Pedro 8,14-17 1,29-34 4,38-41
08 Exorcismo ao anoitecer 8,16-17 1,32-34 4,40-41
09 Acalmando a tempestade 8,23-27 4,35-41 8,22-25
10 Endemoniado gadareno 8,28-34 5,1-20 8,26-39
11 Paralítico em Cafarnaum 9,1-8 2,1-12 5,17-26
12 Mulher com sangramento 9,20-22 5,24-34 8,43-48
13 Filha de Jairo 9,18-19.23-26 5,21-24.35-43 8,40-42.49-56
14 Dois cegos da Galileia 9,27-31


15 Exorcismo do mudo 9,32-34


16 Paralítico em Beteesda


5,1-18
17 Homem com a mão mirrada 12,9-13 3,1-6 6,6-11
18 Exorcismo de homem cego e mudo 12,22-28 3,20-30 11,14-23
19 Mulher doente

13,10-17
20 Alimentando os 5000 14,13-21 6,31-44 9,10-17 6,5-15
21 Caminhando sobre as águas 14,22-33 6,45-52
6,16-21
22 Cura em Genesaré 14,34-36 6,53-56

23 Filha da mulher canaanita 15,21-28 7,24-30

24 Surdo-mudo em Decápolis
7,31-37

25 Alimentando os 4000 15,32-39 8,1-9

26 Homem cego em Bethsaida
8,22-26

27 Transfiguração de Jesus 17,1-13 9,2-13 9,28-36
28 Menino possuído pelo Demônio 17,14-21 9,14-29 9,37-49
29 Moeda na boca do peixe 17,24-27


30 Homem com hidropisia

14,1-6
31 Cura de dez leprosos

17,11-19
32 Cego de nascença


9,1-12
33 Cego próximo a Jericó 20,29-34 10,46-52 18,35-43
34 Retorno de Lázaro


11,1-44
35 Amaldiçoando a figueira 21,18-22 11,12-14

36 Jesus curando a orelha do servo

22,49-51
37 Pesca de 153 peixes em Tiberíades


21,1-24

 

MILAGRES

A explicação dos milagres de Jesus vai além de simples atos de mágica ou prodígios; no contexto bíblico, eles são considerados "sinais" que validam a sua missão messiânica e a chegada do Reino de Deus
. A teologia cristã interpreta essas ações como demonstrações do poder divino, amor e compaixão de Jesus, restaurando a dignidade humana e curando não apenas o corpo, mas também a alma.
Abaixo, apresento um guia estruturado para um documento Word sobre o tema.

Os Milagres de Jesus: Significados e Contexto
1. O que são os Milagres de Jesus?
Os milagres de Jesus são fatos extraordinários, inexplicáveis pelas leis naturais, realizados por meio da ação divina. No Evangelho de João, são denominados "sinais" (em grego, semeion), indicando que o objetivo não era apenas o espanto, mas revelar a identidade de Jesus como Filho de Deus.
  • Finalidade: Apontar para Cristo, revelar o amor de Deus e manifestar o Reino de Deus.
  • Contexto: Ocorreram no contexto do início do Reino de Deus e da necessidade de fé.

2. Categorias de Milagres
Os mais de 30 milagres registrados nos Evangelhos podem ser divididos em quatro categorias principais:
  1. Curas: Restauração física (leprosos, cegos, paralíticos).
  2. Exorcismos: Libertação de espíritos malignos.
  3. Milagres sobre a Natureza: Domínio sobre o mundo físico (tempestade, multiplicação de pães, andar sobre as águas).
  4. Ressurreições: Restauração da vida (Lázaro, filha de Jairo).

3. Principais Milagres e Seus Significados
  • Transformação da água em vinho (Caná): Primeiro milagre; simboliza a alegria da nova aliança e a abundância do Reino.
  • Multiplicação dos pães: Demonstra Jesus como o provedor e o "Pão da Vida".
  • Acalmar a tempestade: Revela a autoridade de Jesus sobre a criação e a necessidade de confiança.
  • Cura do paralítico (Betesda/Cafarnaum): Mostra autoridade para perdoar pecados e curar o homem inteiro.
  • Ressurreição de Lázaro: Demonstra o poder sobre a morte e confirma Jesus como a ressurreição e a vida.

4. O Contexto Teológico e Histórico
Os milagres foram realizados em um ambiente de crença na ação de Deus na história de Israel.
  • Inauguração do Reino: Expulsar demônios e curar era sinal de que o Reino de Deus havia chegado e o poder de Satanás estava sendo limitado.
  • Compaixão: Muitos milagres foram motivados pela compaixão de Jesus pelas pessoas que sofriam, especialmente pobres e excluídos.
  • Resposta à Fé: Frequentemente, Jesus destacava a fé do receptor do milagre (ex: o centurião, a mulher com hemorragia).

5. Como os Milagres foram Registrados
  • Evangelho de João: Foca em 7 "sinais" específicos para que os leitores creiam que Jesus é o Cristo.
  • Sinóticos (Mateus, Marcos, Lucas): Apresentam os milagres como parte da batalha de Jesus contra o mal e sua compaixão pelos necessitados.

Conclusão
Os milagres de Jesus não foram apenas eventos passados, mas são interpretados como demonstrações contínuas de seu amor e poder, convidando a um relacionamento de fé e adesão ao seu ensinamento.

 

Primeiros Lugares

A Parábola dos Primeiros Lugares é uma parábola de Jesus que pode ser encontrada no Evangelho de Lucas 14:7-14, o único dos quatro evangelistas que registrou essa parábola. Apesar de ser uma parábola curta e bastante simples, ela possui um significado muito importante para todos nós.

Texto bíblico da Parábola dos Primeiros Lugares

A parábola em si compreende apenas os versículos 8 a 11, no entanto, o versículo 7, que fornece uma introdução à parábola, e os versículos 12, 13 e 14, também devem ser considerados para o entendimento correto dessa parábola.

E disse aos convidados uma parábola, reparando como escolhiam os primeiros assentos, dizendo-lhes: Quando por alguém fores convidado às bodas, não te assentes no primeiro lugar; não aconteça que esteja convidado outro mais digno do que tu; E, vindo o que te convidou a ti e a ele, te diga: Dá o lugar a este; e então, com vergonha, tenhas de tomar o derradeiro lugar. Mas, quando fores convidado, vai, e assenta-te no derradeiro lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, sobe mais para cima. Então terás honra diante dos que estiverem contigo à mesa. Porquanto qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado. E dizia também ao que o tinha convidado: Quando deres um jantar, ou uma ceia, não chame os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus parentes, nem vizinhos ricos, para que não suceda que também eles te tornem a convidar, e te seja isso recompensado. Mas, quando fizeres convite, chama os pobres, aleijados, mancos e cegos, E serás bem-aventurado; porque eles não têm com que to recompensar; mas recompensado te será na ressurreição dos justos (Lucas 14:7-14).

Contexto da Parábola dos Primeiros Lugares

Os versículos que precedem essa parábola no capítulo 14 do Evangelho de Lucas revelam com clareza o contexto em que a Parábola dos Primeiros Lugares foi contada. Tratava-se de um sábado, um dia em que os judeus costumavam realizar uma importante ceia.

O texto bíblico nos informa que um dos principais dos fariseus havia convidado Jesus para um desses grandes almoços. Era comum que vários convidados comparecessem nesses banquetes. Esse homem que convidou Jesus possivelmente era alguém abastado de bens (cf. Lc 14:12).

Apesar de o convite parecer amável, podemos perceber que as intenções daquele anfitrião e seus colegas fariseus não eram as melhores. Eles estavam observando Jesus atentamente, para que pudessem descobrir algum motivo para apresentar uma acusação contra ele (Lc 14:1).

Os versículos que se seguem (vers. 2 a 6) mostram Jesus curando um homem hidrópico em meio a uma discussão sobre a legitimidade de curar um doente no sábado.

Alguns comentaristas defendem que aquele homem doente foi colocado diante de Jesus de propósito, ou seja, os próprios religiosos o colocaram ali como um tipo de armadilha na qual esperavam que Jesus caísse.

De fato essa possibilidade existe, porém de forma alguma podemos afirmá-la com certeza, pois também não era incomum que alguém entrasse em uma celebração sem ser convidado (Lc 7:37,38).

Após a narrativa do milagre e do triunfo de Jesus sobre os religiosos que ficaram calados diante dos questionamentos d’Ele acerca do sábado, Lucas nos informa que nosso Senhor começou a reparar na forma com que os convidados daquela ceia estavam escolhendo os lugares em volta da mesa, e diante disso contou a Parábola dos Primeiros Lugares.

Naquela época, na sala onde se celebrava a ceia, havia uma mesa baixa cercada de divãs que tinham a capacidade de acomodar três pessoas. Esses divãs eram colocados em forma de um “U” ao redor da mesa que era retangular.

Na posição central da mesa, isto é, na cabeceira, ficava a pessoa de maior importância. Ao seu lado esquerdo, ficava a segunda pessoa em importância, e no lado direito a terceira pessoa em importância.

Assim, o divã à esquerda da cabeceira da mesa era o segundo em honra, e, depois, vinha o divã da direita, e assim sucessivamente durante toda a extensão da mesa. Essa era uma regra de hierarquia social que orientava os judeus naquela época.

Entretanto, na ceia em que Jesus estava essa regra parecia estar sendo ignorada, e os convidados estavam demonstrando todo egoísmo, orgulho e preconceito na escolha dos lugares.

A explicação da Parábola dos Primeiros Lugares

Diante daquele clima de soberba e arrogância, Jesus começou a contar a Parábola dos Primeiros Lugares. Na parábola Jesus usa a figura de uma festa de casamento, uma celebração onde as regras deviam ser observadas ainda com mais rigidez.

Jesus aconselha que em tal festa não é prudente que alguém se apresse em ocupar um lugar de grande honra, pois é possível que o anfitrião tenha convidado uma pessoa ainda mais eminente, e, quando tal pessoa chegar à festa, não restará outra alternativa ao anfitrião a não ser pedir para que quem se sentou no lugar que não lhe era destinado que saia e ocupe um lugar inferior.

Obviamente essa pessoa ficará muito envergonhada pela humilhação que sua própria soberba lhe submeteu. Jesus exorta que é muito melhor que a pessoa ocupe primeiramente um lugar inferior, para que, quando o anfitrião chegar, possa convidá-lo a ocupar um lugar de mais importância, sendo este então honrado diante de todos os convidados.


O significado da Parábola dos Primeiros Lugares

O significado da Parábola dos Primeiros Lugares é bastante claro, e fica expresso na sentença do versículo 11, onde lemos: “Porque todo aquele que se exalta será humilhado, e aquele que se humilha será exaltado”.

Jesus estava ensinando nessa parábola uma importante lição sobre a humildade e a auto depreciação. A lição principal dessa parábola é o mesmo ensino transmitido em um dos provérbios do rei Salomão:

Não te glories na presença do rei, nem te ponhas no lugar dos grandes; porque melhor é que te digam: Sobe aqui; do que seres humilhado diante do príncipe que os teus olhos já viram (Provérbios 25:6,7).

Obviamente os escribas e fariseus conheciam muito bem essas palavras, porém certamente as ignoravam com frequência, pois o próprio Jesus, em outras ocasiões, alertou para o fato de que eles amavam os lugares de destaque (Mt 23:6; Mc 12:38,39; Lc 20:46).

Logo, muito apropriadamente Jesus finalizou a parábola com as palavras do versículo 11, um ensino tão importante que também aparece na conclusão da Parábola do Fariseu e o Publicano (Lc 18:14) e em outras passagens bíblicas (Mt 23:12; cf. Jó 22:29; Pv 29:23; Tg 4:6; 1Pe 5:5).

Esse ensino expressa uma verdade bíblica que pode ser conferida por toda a Escritura. Temos vários personagens bíblicos que provaram na prática esse ensino, como por exemplo, a princesa Jezabel, o rei Nabucodonosor e Herodes Agripa I, exaltados que foram humilhados (1Rs 21:7,23; 2Rs 9:30-37; Dn 4:30-33; At 12:20-23); enquanto José no Egito, Ana, e o próprio publicano da parábola, são exemplos de humilhados que foram exaltados (Gn 41:41; 1Sm 1:12-20; Lc 18:9-14).

Por fim, ainda que a exaltação não venha nessa terra, a história do Rico e Lázaro prova que tanto a exaltação quanto a humilhação final e plena se dará na vida porvir (Lc 16:19-31), um ensino que também foi compreendido pelo levita Asafe (Sl 73).

Apesar de a parábola terminar no versículo 11, o ensino de Jesus continua nos versículos seguintes. A parábola foi dirigia aos convidados, mas a lição presente entre os versículos 12 a 14 foi direcionada ao anfitrião.

Para ele, Jesus ensina que não se deve convidar pessoas para sua ceia apenas com a intenção de ser recompensado. Jesus havia notado que naquele banquete havia muitas pessoas importantes que competiam umas com as outras em busca do lugar mais honrado.

Jesus diz ao anfitrião que convide também as pessoas oprimidas. Ele não estava dizendo que só era licito convidar os oprimidos, mas com essa exortação ele estava chamando a atenção para a necessidade do amor desinteressado, da compaixão para com o próximo e do espírito humilde.

Em outras palavras, Jesus estava alertando sobre a importância que há em se dividir recursos com aqueles que nada têm. Diferente das pessoas importantes da sociedade que poderão lhe recompensar, quando se age com compaixão para com os oprimidos a recompensa vem do próprio Deus (Mt 25:34-50).

Lições da Parábola dos Primeiros Lugares

A lição principal da Parábola dos Primeiros Lugares certamente é sobre a importância da humildade, e o ensino que se segue com o conselho ao anfitrião é uma exortação ao amor desinteressado dispensado ao próximo. Com base nisso, podemos refletir sobre algumas lições práticas.

  • A humildade é indispensável aos verdadeiros seguidores de Cristo (Mt 18:4; 20:25-28; 23:12; Lc 22:27; João 13:1-15; Fp 2:5-8; Tg 4:6; 1Pe 5:5). Quando somos verdadeiramente humildes, não nos resta qualquer outra possibilidade a não ser reconhecer que em nós mesmo não há qualquer motivo de vanglória (Rm 3:27).
  • A regra dos assentos importantes é bem simples, porém amplamente ignorada por muitos cristãos. Infelizmente até mesmo dentro das comunidades cristãs existem pessoas se estapeiam em busca dos primeiros lugares, pois precisam de reconhecimento, de honra e de glória por parte dos homens. Esse não é o comportamento condizente com o verdadeiro caráter cristão que revela o fruto do Espírito Santo produzido em nós. O cristão genuíno é capaz de reconhecer que a cruz de Cristo é seu único motivo de glória (Gl 6:14).
  • Os lugares mais inferiores revelam uma possibilidade maravilhosa, isto é, ser convidado a ocupar uma posição mais importante, já que para quem ocupa a posição mais inferior seu único rumo possível é para cima. Já os lugares superiores podem revelar uma possibilidade aterrorizante, ou seja, a terrível humilhação de ser convidado a deixar o lugar de honra. É melhor ser humilde em uma posição inferior do que um usurpador em uma posição superior.
  • Quando repartimos nossos recursos com aqueles que nada têm, desfrutamos do grande privilégio de contemplar a alegria que há no olhar de quem é abençoado. O ensino bíblico é muito claro de que devemos demonstrar hospitalidade para com os necessitados (Rm 12:13; 1Tm 3:2; Tt 1:8; 1Pe 4:9), e quem entende essa norma bíblica certamente compreende na pratica a verdade que há nas palavras do próprio Senhor Jesus, que disse: “Há maior felicidade em dar do que em receber” (At 20:35).

 

Juiz Iníquo

A Parábola do Juiz Iníquo é um importante ensino de Jesus registrado no Evangelho de Lucas 18:1-8. Essa parábola também é conhecida como a Parábola da Viúva Perseverante ou a Parábola da Mulher Persistente.

A Parábola do Juiz Iníquo faz parte de um texto bíblico cujo tema principal é a oração. Através dessa parábola o Senhor Jesus falou especificamente sobre a necessidade da perseverança na oração. Dessa forma o seu significado ensina muitas lições preciosas para todos os cristãos.

Resumo da Parábola do Juiz Iníquo e a Viúva

Na Parábola do Juiz Iníquo Jesus falou sobre um juiz que julgava numa certa cidade. Esse juiz não temia a Deus e nem era sensível às necessidades das pessoas. Na mesma cidade havia também uma viúva. Essa mulher tinha uma causa a ser julgada e frequentemente se dirigia ao juiz rogando-lhe: “Faze-me justiça na causa que pleiteio contra meu adversário” (Lucas 18:X-).

O juiz se negou a atender a viúva durante algum tempo. Mas num dado momento ele refletiu sobre a situação daquela mulher, e preocupado com seus próprios interesses, considerou atendê-la. Ele admitiu que não temia a Deus e nem tinha consideração pelas pessoas; mas também ele não queria mais ser importunado. Então ele resolveu julgar a causa da viúva para que ela deixasse de aborrecê-lo com seu pedido.

Então o Senhor Jesus concluiu a Parábola do Juiz Iníquo com a seguinte declaração: “Atentai à resposta do juiz da injustiça! Porventura Deus não fará plena justiça aos seus escolhidos, que a Ele clamam de dia e de noite, ainda que lhes pareça demorado em atendê-los? Eu vos asseguro: Ele vos fará sua justiça, e depressa. No entanto, quando o Filho do homem vier, encontrará fé em alguma parte da terra?” (Lucas 18:-8).

Contexto da Parábola do Juiz Iníquo e a Viúva

Jesus contou a Parábola do Juiz Iníquo aos seus discípulos com o objetivo de adverti-los quanto ao dever de orar continuamente e jamais desanimar. O evangelista Lucas posicionou essa parábola sequencialmente após uma exposição escatológica feita pelo por Jesus (Lucas 17). Este detalhe é importante, pois os ensinos do capítulo 18 possuem uma ligação direta com o tema do capítulo 17, apesar de algumas pessoas não perceberem.

No capítulo 17 o Senhor falou sobre o período difícil que seus seguidores deverão suportar antes de seu retorno glorioso (Lucas 17:22,23). Jesus alertou que esse período seria longo e traria um sofrimento progressivo até culminar no dia de seu retorno. Diante dessa realidade, no capítulo 18 Ele exorta seus seguidores a perseverar em oração, na certeza de que suas suplicas serão respondidas.

Explicação da Parábola do Juiz Iníquo e a Viúva

A Parábola do Juiz Iníquo possui um paralelo muito claro com a Parábola do Amigo Importuno contada por Jesus em outra ocasião (Lucas 11:5-8). As duas parábolas enfatizam a importância da perseverança na oração. Na Parábola do Juiz Iníquo são mencionados três personagens: o juiz; a viúva; o adversário da viúva.

A viúva

A viúva tinha um opositor que de alguma forma estava agindo com injustiça contra ela. As viúvas naquela época facilmente passavam necessidades, principalmente quando herdavam dividas de seus maridos falecidos.

Desde o Antigo Testamento, a Bíblia menciona algumas viúvas que passaram por situações difíceis e viveram de modo precário. Aqui podemos citar como exemplos a viúva que hospedou o profeta Elias em Sarepta, e a viúva que mais tarde hospedou o profeta Eliseu (1 Reis 17:8-16; 2 Reis 4:1-7).

Nas Escrituras também encontramos várias referências sobre o cuidado de Deus para com as viúvas. A Bíblia diz que o Senhor julga e castiga aqueles que defraudam e prejudicam as viúvas (Êxodo 22:22,23; Deuteronômio 10:18; Salmos 68:5). O profeta Malaquias afirmou que Deus testemunhará contra aqueles que oprimem os órfãos e as viúvas (Malaquias 3:5).

Apesar disso, não é possível afirmar qual era a verdadeira situação daquela viúva. Não sabemos se ela era jovem ou idosa, se era rica ou pobre; nem mesmo sabemos a causa de seu litígio. Simplesmente tais detalhes são indiferentes e desnecessários à narrativa bíblica.

O juiz

Na cidade em que a viúva vivia havia um juiz. Jesus o descreve como sendo um homem contrário a Deus e que também não tinha qualquer respeito pelas pessoas. Essa descrição sem dúvida enfatiza que aquele juiz era alguém egoísta e desprezível.

Quando Jesus diz que aquele juiz não tinha qualquer reverência para com Deus, isso significa que o juiz iníquo não se preocupava em fazer o que era moralmente certo. Com a informação de que ele não respeitava as pessoas, também concluímos que ele não dava importância para a opinião pública.

O tribunal

A viúva procurou diretamente o juiz para que sua causa fosse resolvida. Em casos assim, a viúva passava a ocupar o lugar do marido falecido, tendo então os mesmos direitos de um homem no tribunal.

Na parábola Jesus não indica que o adversário da viúva comparecia regularmente ao tribunal. A viúva, por sua vez, constantemente procurava o juiz pedindo que ele julgasse sua causa. O comportamento do juiz foi completamente condizente ao seu perfil perverso.

Durante um tempo ele se recusou a fazer qualquer coisa a favor da viúva, até que depois de muita insistência ele resolveu julgar a sua causa. Ele queria apenas ficar livre daquela importunação. A forma com que o texto bíblico descreve a intenção do juiz, parece indicar que ele não agiu pelo senso de justiça, e, muito menos, pela compaixão. Em sua própria fala ele declara explicitamente não temer a Deus e nem se importar com os homens. Ele julgou a causa da viúva para não ser mais incomodado.


Significado da Parábola do Juiz Iníquo

O significado da Parábola do Juiz Iníquo é bastante claro: os filhos de Deus devem orar constantemente, de modo perseverante e sem esmorecer, mesmo que sejam submetidos a uma longa espera (Lucas 18:1).

Na parábola Jesus estabeleceu também um contraste agudo entre o juiz iníquo e o justo Juiz. Isso fica muito claro quando Jesus chama a atenção para as palavras do juiz e contrasta com a seguinte pergunta: “E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles?” (Lucas 18:7).

Em outras palavras, Jesus diz que se um juiz ímpio, perverso e egoísta fez justiça à causa da viúva, quanto mais fará Deus que é santo e justo em prol de seu provo escolhido que ora a Ele de dia e de noite? Além disso, por seu caráter perverso, o juiz iníquo agiu motivado por princípios egoístas, enquanto Deus age por amor aos que são seus.

Um Juiz que cuida dos que são seus

Com base nesse raciocínio, não podemos desprezar o uso de uma expressão que transmite um significado muito sublime. Jesus diz que certamente Deus fará justiça “aos seus eleitos”. A palavra original grega é eklektos, que significa “selecionado” ou “escolhido”.

Com isso, Jesus enfatiza a verdade de que o juiz iníquo nada tinha a ver com a viúva; ao contrário, ele não se importava com ela e queria se livrar dela. Ele estava disposto a qualquer coisa só para não precisar mais ver aquela mulher. Diferentemente disso, Jesus demonstra que o supremo Juiz não age assim. O justo Juiz julga a causa daqueles que são seus e se importa com eles de tal forma, que foi Ele próprio quem os elegeu como seu povo.

Geralmente é o cliente que escolhe o advogado. Na parábola foi a viúva quem procurou e escolheu o juiz que, naquele contexto, também lhe serviu de advogado. Mas no reino de Deus é diferente! Foi o justo Juiz quem escolheu aqueles que são seus. Ele os amou quando estes ainda estavam mortos em delitos e pecados; e os justificou pelos méritos de Cristo no Calvário, fazendo-lhes ser “a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido” (2 Pedro 2:9).

Isso significa que não há como dar errado! Os redimidos nunca estarão desamparados e no tempo oportuno serão vindicados. Essa verdade é maravilhosa e reconfortante (Apocalipse 6:10,11).

Um Juiz que age no tempo certo

Na Parábola do Juiz Iníquo Jesus também destaca que Deus age depressa em favor de seu povo, ainda que pareça ser tardio para com eles. Isso parece ser uma contradição, mas não é! A demora enfrentada pela viúva se deu pelo caráter desleal do juiz iníquo. Mas os seguidores de Cristo possuem um Juiz imutável e verdadeiro, no qual podem depositar toda sua confiança e fidelidade. Esse Juiz que conhece todas as coisas responde às orações de seu povo no tempo oportuno, de acordo com seus propósitos eternos.

Além disso, essa última parte da Parábola do Juiz Iníquo aponta novamente para os acontecimentos escatológicos referidos no capítulo anterior (Lucas 17). Jesus termina a parábola falando sobre a consumação da presente era que se dará “no dia em que o Filho do homem vier”.

Todo cristão verdadeiro aguarda ansiosamente por esse momento final, quando toda justiça será revelada no dia do juízo. Nesse dia Cristo julgará os vivos e os mortos e porá fim em toda maldade, perversidade e injustiça (Atos 10:42).

Mas é verdade que a espera por esse dia pode parecer muito longa e demorada para nós. Contudo, nos planos de Deus o tempo certo já está determinado, assim como disse o apóstolo Pedro (2 Pedro 3:9). Quando esse momento finalmente chegar, o justo Juiz agirá depressa, e todas as promessas feitas aos seus filhos que sofreram perseguições durante toda a história serão cumpridas integralmente.

Por isso Jesus termina a Parábola do Juiz Iníquo com uma pergunta inevitável: “Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” (Lucas 18:8).

Jesus não fez essa pergunta para especular se haverá cristãos verdadeiros na terra na ocasião de sua vinda. A Bíblia já responde claramente esta questão (cf. Mateus 24:44-46; Lucas 12:37; 17:34,35; 1 Tessalonicenses 4:13-18; etc). Mas a pergunta feita por Jesus tem o objetivo de provocar uma reflexão, um auto-exame. Cada um deve se perguntar:

  • Será que estou pronto para aguardar pacientemente e perseverando em oração, o momento da volta de Cristo?
  • Estou me derramando diariamente diante de Deus em oração pedindo que “venha a nós o teu reino, e seja feita a tua vontade assim na terra como no céu”?
  • Realmente estou orando fervorosamente pela volta do Senhor Jesus?

Lições da Parábola do Juiz Iníquo e a Viúva

Podemos pontuar algumas reflexões adicionais sobre a Parábola do Juiz Iníquo. Em primeiro lugar, essa parábola nos ensina que devemos orar continuamente e com perseverança. A viúva não desistiu de suplicar sua causa a um homem ímpio e sem consideração por ninguém. Nós, porém, temos um Juiz santo e justo; então não podemos desanimar.

Em segundo lugar, a Parábola do Juiz Iníquo nos ensina a orar pelos motivos corretos. Todo o contexto da parábola parece indicar que a viúva que importunava o juiz estava do lado da justiça, ou seja, seu pedido era legítimo e aceitável.

Em terceiro lugar, a Parábola do Juiz Iníquo nos ensina que a resposta da oração pode demorar. Uma oração sem resposta não significa que Deus não a escutou. A demora na resposta de uma oração sempre tem um propósito. Se você está orando pelos motivos certos, não com propósitos egoístas, mas visando o bem do reino de Deus, e ainda não foi respondido, então talvez o Senhor esteja lhe ensinando algumas lições necessárias.

A demora na resposta de uma oração se dá por razões que somente Deus conhece. Mas durante esse período, aproveite para aprender mais sobre a paciência e a perseverança, e tenha sua fé fortalecida. Às vezes Deus nos reserva uma bênção ainda maior que vai além do nosso pedido, mas nossa impaciência muitas vezes acaba prejudicando nossa compreensão a esse respeito.