segunda-feira, 16 de março de 2026

A Parábola do Construtor da Torre e o Rei Guerreiro

A Parábola do Construtor da Torre e o Rei Guerreiro é um ensino de Jesus presente em Lucas 14:28-33. Na verdade não se trata de apenas uma parábola, mas duas parábolas, porém ambas estão intimamente ligadas de modo que uma complementa a outra.

Assim, embora existam algumas diferenças naturais entre essas duas parábolas, seguramente podemos entender que elas transmitem, com aspectos diferentes, o mesmo ensino e significado.

Portanto, uma interpretação correta dessas parábolas de Jesus exige uma exposição indivisível das duas parábolas, e é por isso que muitos comentaristas as apresentam como uma única parábola.

O texto bíblico da Parábola do Construtor e o Rei Guerreiro

Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar? Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele, dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar.

Ou qual é o rei que, indo à guerra a pelejar contra outro rei, não se assenta primeiro a tomar conselho sobre se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil? De outra maneira, estando o outro ainda longe, manda embaixadores, e pede condições de paz.

Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo.

(Lucas 14:28-33)

Contexto da Parábola do Construtor e o Rei Guerreiro

Jesus contou essa parábola durante sua viagem da Galileia para Jerusalém. Nessa ocasião Jesus estava acompanhado de uma grande multidão (Lc 14:25). Na verdade, a grande maioria dessas pessoas tinha uma concepção completamente errada acerca de Jesus.

Elas estavam seguindo o Senhor pois O identificavam como um governante terreno, e achavam que, quando chegasse a Jerusalém, Ele iria estabelecer seu reino e finalmente exaltar a nação.

No entanto, essa viagem de Jesus a Jerusalém tinha um propósito completamente contrário ao que o povo pensava. Em Jerusalém Jesus seria traído, preso, torturado, julgado e executado no Calvário.

Então, num determinado momento, Jesus falou sobre o custo do discipulado, e utilizou essas duas parábolas para poder exemplificar seu importante ensino.

Resumo e explicação da Parábola do Construtor da Torre e o Rei Guerreiro

Jesus usou duas cenas distintas em seu ensino. Primeiro, na Parábola do Construtor da Torre, Jesus utilizou o cenário rural e a vida no campo. Depois, na Parábola do Rei Guerreiro, o cenário passou a ser o palácio e as decisões militares.

Na Parábola do Construtor da Torre, Jesus supõe a construção de uma torre em uma fazenda. O texto não explica que tipo de torre seria essa. Poderia ser uma torre de vigia para o fazendeiro proteger seu campo, ou uma torre para armazenagem de ferramentas e suprimentos que também poderia ser utilizada como residência temporária.

Considerando a ênfase dada por Jesus ao custo da torre, é provável que a última possibilidade seja a mais correta, já que uma simples torre de vigia em uma vinha tinha um custo muito menor do que um tipo de edifício agrícola.

O que se sabe é que na época possuir uma torre em sua fazenda representava mais prestigio para o fazendeiro, além de valorizar sua propriedade.

Todavia, Jesus ensina que se não for feito um planejamento correto dos custos da construção os recursos poderão acabar antes que o empreendimento esteja completo, então todo o respeito, prestígio e valorização que tal torre poderia trazer ao fazendeiro irão por água a baixo, e em vez disso ele será alvo de chacota e ganhará fama de imprudente.

Já na Parábola do Rei Guerreiro, Jesus fala da avaliação estratégica que deve ser feita por um rei antes de entrar em batalha, a fim de analisar se com seu exército de 10 mil soldados poderá enfrentar um exército que possui o dobro do tamanho do seu.

Essa avaliação precisa ser muito honesta e sincera, para que se caso julgar não ter condições de enfrentar seu oponente, o rei possa enviar uma comissão de embaixadores para apresentar um acordo de paz antes que o exército inimigo venha até ele. Assim não apenas seus recursos serão poupados, mas a vida de seus homens também.

O significado da Parábola do Construtor da Torre e o Rei Guerreiro

As duas parábolas são curtas e objetivas. Na Parábola do Construtor da Torre a lição é bem clara: planeje e avalie o custo antes de agir. Já na segunda parábola a lição que segue é: avalie as possibilidades de sucesso, tome uma ação e esteja disposto a ceder.

Entretanto, quando colocamos essas duas parábolas como partes de um mesmo ensino, podemos perceber uma importante verdade. Na primeira parábola o fazendeiro precisa tomar uma decisão, isto é, ele pode fazer ou não fazer a torre.

Na segunda parábola o rei também precisa tomar uma decisão, porém ele não tem a liberdade do fazendeiro, ele obrigatoriamente precisa fazer alguma coisa, ou seja, ou vai à guerra ou cede um acordo de paz.

Para entendermos esse ensino não podemos anular o contexto dessa parábola. Jesus pronunciou essas palavras para uma multidão infestada de seguidores superficiais.

Num primeiro momento essas pessoas aparentavam desfrutar de uma liberdade de ação, isto é, construir ou não construir? Buscar verdadeiramente o reino de Deus ou continuar sonhando o ideal nacionalista esperando um reino terreno? Se apoiar no fato de terem comido do maná no deserto ou comer do verdadeiro Pão que desceu do céu enviado por Deus (Jo 6:48-50)?

Todavia, o ensino prossegue e Jesus mostra que não existe a possibilidade da neutralidade, ensinando então três princípios claros:

  1. É preciso ponderar e planejar antes de tomar a ação;
  2. Mas é necessário que a ação seja tomada;
  3. Porém, é preciso tomar a ação da maneira correta, isto é, partir para a direção certa, e estar disposto a ceder.

Essas pessoas precisavam ser confrontadas, precisavam entender que não poderiam permanecer como estavam, elas tinham que saber o que realmente significava ser um discípulo do Senhor. Nesse mesmo capítulo Jesus repete três vezes a sentença “não pode ser meu discípulo” (Lc 14:26,27,33), ressaltando que não era qualquer um que poderia segui-lo.

Você se lembra de que as duas parábolas estão dentro da seção do capítulo 14 que trata do custo do discipulado?

Com a Parábola do Construtor da Torre Jesus enfatiza que seus seguidores precisam compreender que segui-lo não é “um mar de rosas”, por isso é preciso avaliar e refletir sobre o que verdadeiramente é ser um cristão, enquanto que na segunda parábola Ele ensina que a genuína compreensão desse assunto conduz seus seguidores a autorregeneração e a capacidade de ceder e renunciar a tudo e a todos por causa do Evangelho (Lc 33).

Em outras palavras, o ensino dessas duas parábolas mostra que Jesus não precisa de seguidores que não estejam completamente comprometidos com sua causa. Estes são como as sementes que caem nos lugares rochosos na Parábola do Semeador, eles se empolgam, crescem rápido, mas não possuem raízes. Quando são submetidos a uma condição de teste, sofrimento e negação, eles desistem (Mt 13:20,21).

O problema é que quando isso ocorre a condição dessas pessoas passa a ser pior do que antes. Tentar construir a torre e não terminá-la traz sérios problemas para o fazendeiro, que se torna objeto do ridículo, como da mesma maneira o prejuízo de uma batalha inconsequente é irreversível.

É por isso que é muito apropriada a conclusão presente nesse mesmo capítulo, onde nela Jesus fala sobre a inutilidade do sal insípido, ou seja, o sal que não tem sabor.

Jesus claramente afirmou que esse tipo de sal não serve para mais nada, ou seja, assim como o vexame da desastrosa construção da torre inacabada não pode ser apagado da mente das pessoas; assim como as vidas que foram perdidas não podem ser recuperadas após uma decisão equivocada que conduziu a uma guerra fracassada; e assim como o sal que perdeu o sabor não pode mais ser restaurado; da mesma forma é impossível que aqueles que foram instruídos no conhecimento da verdade, mas resolutamente negaram à exortação do Espírito Santo, sejam também renovados para o arrependimento (Hb 6:4-6).

Ao mesmo tempo em que a Bíblia ensina que um genuíno seguidor de Cristo jamais se perde (1Jo 10:27,28; 1Jo 2:19), também ensina que há muitas pessoas que parecem comprometidas com o Evangelho, caminham entre a multidão que segue o Senhor, mas acabam se revelando como construtores imprudentes e reis insensatos. Para estes, resta apenas uma terrível expectação de juízo (cf. Mt 12:32; Hb 6:4-6; 10:26,27,38).

E você, compreende o que realmente é ser um seguidor de Cristo? Compreende a verdadeira causa do Evangelho? Está disposto a negar-se a si mesmo?

Meu desejo sincero é que possamos dizer as mesmas palavras escritas pelo autor da Epístola aos Hebreus: “Nós, porém, não somos daqueles que se retiram para a perdição, mas daqueles que creem para a conservação da alma” (Hb 10:39).



 

O que a Bíblia diz sobre a depressão? Como um cristão pode superar a depressão?

 A depressão é uma condição amplamente disseminada, afetando milhões de pessoas, cristãs e não cristãs da mesma forma. Aqueles que sofrem de depressão podem experimentar sentimentos intensos de tristeza, raiva, falta de esperanças, fadiga e uma série de outros sintomas. Elas podem passar a se sentir inúteis e até mesmo suicidas, perdendo o interesse nas coisas e nas pessoas com quem antes se alegravam. A depressão é frequentemente desencadeada por circunstâncias de vida, como a perda de um emprego, a morte de um ente querido, divórcio ou problemas psicológicos como a baixa auto estima e problemas causados pelo abuso.

A Bíblia nos diz para sermos cheios de alegria e louvor (Filipenses 4:4; Romanos 15:11), então Deus aparentemente quer que todos nós vivamos vidas alegres. Isso não é fácil para alguém sofrendo de uma depressão causada por alguma situação, mas pode ser remediado através dos dons de Deus de oração, estudo e aplicação da Bíblia, grupos de apoio, grupos domésticos, comunhão entre os crentes, confissão, perdão e aconselhamento. Nós devemos fazer o esforço consciente para não sermos absorvidos por nós mesmos, e ao invés disso colocarmos nossos esforços para fora. Sentimentos de depressão frequentemente podem ser resolvidos quando o sofredor tira o foco de si próprio e o põe em Cristo e nos outros.

A depressão clínica é uma condição física que deve ser diagnosticada por um médico. Ela não é causada por circunstâncias desafortunadas da vida, e os sintomas não podem ser aliviados pela vontade própria. Ao contrário do que alguns da comunidade cristã acreditam, a depressão clínica nem sempre é causada pelo pecado. A depressão pode às vezes ser um distúrbio que precisa ser tratado com medicação e/ou aconselhamento. É claro, Deus é capaz de curar qualquer doença ou distúrbio. No entanto, em alguns casos, ver um médico por causa de depressão não é diferente de ver um médico por causa de um machucado.

Existem algumas coisas que aqueles que sofrem de depressão podem fazer para aliviar a sua ansiedade. Eles devem se certificar de que estão permanecendo na Palavra, mesmo quando não sentem vontade. As emoções podem nos desviar do caminho, mas a Palavra de Deus permanece firme e imutável. Nós devemos manter forte a fé em Deus, e nos aproximarmos dele ainda mais quando sofremos provas e tentações. A Bíblia nos diz que Deus jamais permitirá que sejamos tentados além do que possamos suportar (1 Coríntios 10:13). Apesar de estar deprimido não ser um pecado, uma pessoa ainda é responsável pela forma como responde à aflição, incluindo a busca pela ajuda profissional de que precisa. “Por meio de Jesus, pois, ofereçamos a Deus, sempre, sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome” (Hebreus 13:15).

 

domingo, 15 de março de 2026

A Bíblia é confiável?


Usando os mesmos critérios pelos quais julgamos as outras obras históricas, a Bíblia não só é confiável, mas é mais confiável do que quaisquer outros escritos comparáveis. 

A confiabilidade é uma questão de veracidade e cópia exata. 

Escritos que são historicamente e fatalmente corretos e que foram fielmente preservados ao longo do tempo seriam considerados confiáveis. 

Níveis mais elevados de verificação histórica e melhor confiança na transmissão facilitam a determinação de se uma obra antiga é digna de confiança.

 Por essas medidas, podemos considerar a Bíblia confiável.

Como acontece com qualquer obra histórica, nem todos os detalhes bíblicos podem ser diretamente confirmados. 

A Bíblia não pode ser acusada de insegura simplesmente porque contém partes que não podem ser confirmadas ou que ainda não foram confirmadas. 

O que é razoável é esperar que seja exata onde puder ser verificada.

 Este é o principal teste de confiabilidade, e aqui a Bíblia tem um histórico estelar. Muitos de seus detalhes históricos não só têm sido confirmados, mas certas porções das quais uma vez se duvidava foram posteriormente verificadas pela arqueologia.

Por exemplo, achados arqueológicos na década de 1920 confirmaram a presença de cidades parecidas com Ur, descrita em Gênesis 11, cuja existência tinha sido anteriormente duvidada por alguns céticos.

 Gravuras descobertas em uma tumba egípcia retratam a instalação de um vice-rei de uma forma que corresponde exatamente à descrição bíblica da cerimônia envolvendo José (Gênesis 39). 

Tábuas de argila que datam de 2300 aC foram encontradas na Síria, apoiando fortemente relatos, vocabulário e geografia do Antigo Testamento. Os céticos duvidaram da existência dos hititas (Gênesis 15:20; 23:10; 49:29), até que uma cidade hitita, com registros completos, foi encontrada na Turquia.

 Existem dezenas de outros fatos do Antigo Testamento que têm sido apoiados pela descoberta arqueológica.

Mais importante ainda, nenhum fato apresentado no Antigo ou Novo Testamento tem sido invalidado.

 Esta confiabilidade histórica é crucial para a nossa confiança em outras declarações feitas nas Escrituras.

Até mesmo as ocorrências "milagrosas" de Gênesis têm base probatória que podemos reivindicar hoje.

 Registros babilônicos antigos descrevem uma confusão de línguas, de acordo com o relato bíblico da Torre de Babel (Gênesis 11:1-9). 

Estes mesmos registros descrevem uma inundação mundial, um evento presente em literalmente centenas de formas em culturas de todo o mundo.


Os locais onde Sodoma e Gomorra (Gênesis 19) uma vez existiram foram encontrados, exibindo evidências de destruição ardente e violenta.

 Até mesmo as pragas do Egito e o êxodo resultante (Êxodo 12:40-41) têm suporte arqueológico.

Esta tendência continua no Novo Testamento, onde os nomes de várias cidades, autoridades políticas e eventos têm sido repetidamente confirmados por historiadores e arqueólogos. 

Lucas, o escritor desse evangelho e do livro de Atos, tem sido descrito como um historiador de primeira linha por sua atenção aos detalhes e relatórios precisos. Nos escritos de tanto o Antigo quanto o Novo Testamento, a Bíblia se prova confiável onde quer que possa ser verificada.

A cópia exata também é um fator importante na confiabilidade da Bíblia. 

Os escritos do Novo Testamento foram compostos dentro de algumas décadas dos acontecimentos que descrevem, muito cedo para que alguma lenda ou mito ultrapassasse a história real.

 Na verdade, a estrutura básica do evangelho pode ser datada a um credo formal apenas alguns anos depois da crucificação de Jesus, de acordo com a descrição de Paulo em 1 Coríntios 15:3-8.

Os historiadores têm acesso a um enorme número de manuscritos, provando que o Novo Testamento foi de forma confiável e rápida copiado e distribuído.

Isto dá ampla confiança de que o que lemos hoje representa corretamente a escrita original.


O Antigo Testamento também mostra toda a evidência de ser confiavelmente transmitido. Quando os Manuscritos do Mar Morto foram descobertos na década de 1940, eram 800 anos mais velhos do que quaisquer outros manuscritos disponíveis. 

Comparar manuscritos mais novos com os mais velhos mostrou uma abordagem meticulosa à transmissão, mais uma vez aumentando a nossa confiança de que o que temos hoje representa os textos originais.


Todos esses fatores dão razões objetivas para podermos considerar a Bíblia confiável.

 Ao mesmo tempo, é extremamente importante examinar esses mesmos fatores em outros textos que usamos para escrever nossos livros de história. 

A Bíblia tem, de longe, um apoio mais empírico, um tempo mais curto entre a escrita original e as cópias sobreviventes, e um maior número de manuscritos de origem do que qualquer outro trabalho antigo.

Por exemplo, há dez cópias das obras de Júlio César, com a mais antiga sendo de cerca de 1.000 anos depois dele a tê-la escrito, sem nenhuma maneira de se saber quão bem essas cópias representam as originais. Há oito cópias das obras do historiador Heródoto, com a mais antiga de 1.400 anos depois dele a tê-la escrito. 

Os arqueólogos encontraram 643 cópias manuscritas das obras de Homero, permitindo-nos uma confiança de 95 por cento no texto original.
Para o Novo Testamento, existem atualmente mais de 5.000 manuscritos, com a maioria das cópias iniciais em qualquer lugar de 200 a 300 anos mais tarde, e algumas a menos de 100 anos mais tarde. Isso dá uma margem de confiança de mais de 99 por cento no conteúdo do texto original.

Em suma, não só temos razões objetivas para reivindicarmos que a Bíblia é confiável, mas não podemos duvidar de sua credibilidade antes de jogarmos fora quase tudo que sabemos da história antiga.

 Se as Escrituras não passarem um teste de confiabilidade, nenhum registro daquela era pode.

 A confiabilidade bíblica é comprovada tanto em sua precisão histórica quanto na sua transmissão precisa.