sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

A Parábola do Semeador

A Parábola do Semeador é uma das parábolas de Jesus registradas nos Evangelhos Sinóticos (Mateus 13:3-9; Marcos 4:2-9; Lucas 8:5-8). O significado da Parábola do Semeador fala sobre como o Evangelho é recebido em diferentes aspectos. Essa é uma parábola que o próprio Senhor Jesus explicou claramente seu significado (Mateus 13:18-23; Marcos 4:13-20; Lucas 8:11-15).

Na Parábola do Semeador Jesus falou sobre um homem que saiu a semear. Enquanto o homem semeava, uma parte das sementes caiu ao pé do caminho. Então vieram as aves e comeram as sementes que caíram.

Outra parte das sementes caiu em meio às pedras, onde não havia terra suficiente. Essas sementes logo germinaram, mas foram queimadas rapidamente pelo sol, porque não tinham raízes.

Outra parte das sementes acabou caindo entre espinhos. Os espinhos cresceram e acabaram sufocando as sementes que tinham caído ali. Finalmente outra parte das sementes caiu em boa terra. Essas sementes germinaram, cresceram e deram fruto: um, a cem; outro, a sessenta; e outro, a trinta. Jesus termina a Parábola do Semeador com a conhecida exortação: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça” (Mateus 13-3-9).

Contexto da Parábola do Semeador

Jesus contou a Parábola do Semeador quando discursou para uma grande multidão à beira-mar. Ele entrou num barco e a multidão ficou em pé na praia escutando suas palavras. Naquele dia Jesus ensinou muitas coisas acerca do reino dos céus através de parábolas.

Na narrativa da Parábola do Semeador é possível perceber claramente a forma com que Jesus aplicou elementos do cotidiano das pessoas que ouviam suas palavras. A figura do semeador que saiu a semear realmente era muito familiar.

O semeador semeava as sementes com a própria mão, e inevitavelmente algumas sementes acabavam caindo pelos pequenos caminhos que cortavam os campos. Essas trilhas não eram alcançadas pelo arado e os agricultores utilizavam-nas para percorrerem a plantação. O solo desses caminhos era duro e as sementes não penetravam nele. Por isso facilmente serviam de alimento para os pássaros.

Jesus também diz que algumas sementes caíram no meio das pedras. Essa era uma característica típica da Palestina. Havia muito solo rochoso que acabava ficando muito próximo do terreno de cultivo. As sementes que caíam nessa parte do solo logo brotavam por causa da fina camada de terra. Mas pela falta de raízes, acabavam definhando no sol.

Por vezes algumas raízes de espinhos também tomavam parte do terreno de uma plantação. Essas ervas daninhas acabavam sufocando parte das sementes. As sementes que caíam em solo fértil germinavam e produziam bons resultados.

Explicação e significado da Parábola do Semeador

O próprio Senhor Jesus explicou o significado da Parábola do Semeador. Apesar de Ele ter contado a parábola à multidão, Ele explicou seu significado apenas aos seus discípulos. Jesus explicou que quando alguém ouve a mensagem do reino, mas não entende, o maligno vem e arrebata o que foi semeado em seu coração, tal como as aves comem as sementes que caem pelo caminho.

Já o solo rochoso no qual algumas sementes caíram, representa aquela pessoa que, ao ouvir a mensagem, rapidamente e impulsivamente a recebe com alegria. Mas pela falta de raiz isso dura pouco tempo. Logo que surge a aflição ou a perseguição por causa da mensagem, essa pessoa se ofende e a abandona.

Há também aquela pessoa que ouve a mensagem, mas as preocupações deste mundo e a sedução das riquezas sufocam a mensagem, tornando-a infrutífera. Esse é aquele que foi semeado entre os espinhos.

Contudo, o exemplo da semente que foi semeada em bom solo representa aquele que houve e atende a mensagem. Esse dá fruto, produzindo, em um caso, a cem, noutro, a sessenta, e noutro, a trinta.

Aqui já há uma clara indicação do significado de três elementos dessa parábola. Primeiro, a semente da Parábola do Semeador é uma representação da Palavra de Deus. Segundo, o semeador é uma figura do próprio Cristo e, consequentemente, de todo aquele que se ocupa do serviço de proclamar o Evangelho. Terceiro, o solo citado na Parábola do Semeador, cada qual com sua particularidade, é uma indicação do coração humano.

Lições da Parábola do Semeador

A Parábola do Semeador traz lições muito importantes derivadas de seu significado principal. Aqui destacamos três delas. Em primeiro lugar, a Parábola do Semeador ensina que a semente do Evangelho alcança diferentes solos e apresenta resultados distintos em cada um deles. A maioria das pessoas, por diversos motivos, não recebe as boas novas para a salvação.

Algumas pessoas possuem um coração insensível que não responde positivamente ao convite do Evangelho. Essas pessoas nem mesmo refletem na mensagem anunciada. Outras possuem um coração impulsivo que no calor da emoção acaba recebendo superficialmente a mensagem. Uma vez que a emoção passa, essas pessoas voltam à sua antiga vida de pecado.

Outras pessoas possuem um coração muito ocupado com as coisas desta vida. Ludibriadas com desejos terrenos e ilusões de riquezas, essas pessoas desprezam o verdadeiro tesouro que poderiam encontrar. Mas finalmente há aquelas pessoas que possuem um coração bem preparado, um coração que responde positivamente à Palavra de Deus.

Consequentemente, em segundo lugar, é inegável que essa parábola destaca, entre outras coisas, a responsabilidade humana. A responsabilidade pelo resultado da germinação da semente é colocada na condição do solo. W. M. Taylor diz que o caráter do ouvinte determina o efeito da Palavra sobre ele.

Na Bíblia Sagrada a soberania de Deus jamais é vista como um problema à responsabilidade humana. Na verdade a Parábola do Semeador trata essa questão com muita naturalidade. Enquanto a responsabilidade humana é enfatizada na forma com que cada pessoa responde à mensagem do Evangelho, a soberania de Deus é enfatizada na verdade de que o bom solo que recebe apropriadamente a semente é aquele que, primeiro, foi preparado.

O coração que recebe eficazmente a semente do Evangelho não é comparado ao solo duro dos caminhos que cortavam os campos; não é comparado ao solo rochoso; também não é comparado ao solo infestado de raízes espinhosas. O coração cujo Evangelho cria raízes é comparado ao bom solo. Obviamente o bom solo de uma plantação é aquele devidamente arado e tratado para receber a semente.

Nesse ponto é possível dizer que a Parábola do Semeador aponta para a obra do Espírito Santo. Ele é quem prepara e regenera o coração do homem, tornando-o boa terra para a semente do Evangelho. Ele é quem aplica a obra redentora de Cristo no pecador.

Em terceiro lugar, a Parábola do Semeador mostra que a frutificação é uma marca do verdadeiro cristão. Todo genuíno discípulo de Jesus Cristo necessariamente irá frutificar para a glória de Deus. O próprio Jesus fala claramente disso na alegoria da Videira e os Ramos (João 15). Todavia, o grau de frutificação não é igual para todos. Uns produzem cem por cento; outros sessenta; e outros trinta.

 

Parábola do Credor Incompassivo

A Parábola do Credor Incompassivo é uma das parábolas de Jesus que está registrada no Evangelho de Mateus (Mateus 18:23-35). O significado da Parábola do Credor Incompassivo revela a importância da misericórdia e do perdão. Essa parábola também é conhecida como a Parábola do Servo Ingrato ou a Parábola do Servo Mau.

Na Parábola do Credor Incompassivo Jesus fala que o reino dos céus pode ser comparado a um rei que desejava acertar as contas com seus servos. Um desses servos lhe devia dez mil talentos. Como o servo não tinha como pagar a conta, o rei mandou que ele, sua esposa e seus filhos, fossem vendidos com tudo o que possuíam para que a dívida fosse quitada.

Então o servo prontamente se prostrou diante do rei e suplicou por misericórdia. Ele disse: “Tem paciência comigo, e eu te pagarei tudo” (Mateus 18:26). Diante do pedido do servo, o rei teve muita compaixão, cancelou a dívida e o deixou livre.

Depois disso o servo que teve sua dívida perdoada se encontrou com um de seus conservos que lhe devia cem denários. Ele agarrou esse homem e começou a sufocá-lo enquanto exigia o pagamento da dívida. Então o conservo se prostrou diante dele e implorou por misericórdia. Mas o homem não teve compaixão do devedor e mandou que o lançassem na prisão até que ele lhe pagasse a dívida.

Quando os outros servos viram o que tinha acontecido, tão logo foram contar ao rei. Então o rei chamou o servo incompassivo e lhe disse que ele também deveria ter usado de misericórdia com seu conservo, da mesma forma com que ele recebeu misericórdia antes. Indignado, o rei entregou aquele servo mau aos torturadores até que ele pagasse sua dívida.

Jesus termina a Parábola do Credor Incompassivo fazendo um importante alerta. Ele diz: “Assim também lhes fará meu Pai celestial, se cada um de vocês não perdoar de coração a seu irmão” (Mateus 18:35).

Contexto da Parábola do Credor Incompassivo

Jesus contou essa parábola antes de deixar a Galiléia e partir para a Pereia, um território da Judéia que ficava a leste do rio Jordão. A Parábola do Credor Incompassivo serviu de resposta a um questionamento de Pedro acerca do perdão.

Essa parábola aparece num contexto em que Jesus trata da disciplina eclesiástica; especialmente com relação ao tratamento que deve ser dispensado a um irmão culpado (Mateus 18:15-20). Diante disso, o apóstolo Pedro perguntou a Jesus sobre quantas vezes se deve perdoar a um irmão culpado.

O apóstolo perguntou se ele deveria perdoar até sete vezes aquele que lhe ofendesse. Mas Jesus indicou que o compromisso com o perdão deveria ser muito maior, a saber, setenta vezes sete. (Mateus 18:21,22). Foi nesse ponto que Jesus introduziu a Parábola do Credor Incompassivo.

Explicação da Parábola do Credor Incompassivo

Jesus formulou uma narrativa com elementos bastante familiares aos seus ouvintes. Ele fala de um senhor poderoso, um rei, que chama seus servos para acertar as contas com eles. Esses servos logicamente parecem ser oficiais de grande importância em seu reino.

Talvez Jesus tivesse em mente os governadores de províncias que tinham o dever de cobrar os impostos reais e repassar o valor arrecado ao rei. Isso pode explicar o tamanho da dívida do servo incompassivo.

O servo devia dez mil talentos. Um talento era a mais alta unidade monetária da época. Um talento equivalia a no mínimo seis mil denários romanos ou dracmas gregas. Um denário ou uma dracma era o soma paga como salário pela jornada diária de um trabalhador. Isso significa que um operário precisaria de mil semanas para ganhar um só talento.

Então mesmo para um administrador de província a soma de dez mil talentos era uma quantia impagável. Alguns comentaristas arriscam uma projeção do que significaria uma quantia de dez mil talentos na atualidade e sugerem um montante de no mínimo dez milhões de dólares.

Jesus não explica como o servo incompassivo acumulou uma divida tão grande. Na verdade esse detalhe não tem importância para a mensagem da parábola. O grande objetivo é mostrar que o servo tinha uma dívida a qual não podia pagar.

O fato de o rei ter ordenado que o servo devedor fosse vendido para o pagamento da dívida, juntamente com sua família e seus bens, está de acordo com o contexto histórico da época. Essa prática não era incomum naquele tempo. Além disso, parece claro que mesmo essa ação pagaria apenas parte da dívida.

Após ter tido sua dívida perdoada, Jesus diz que o servo incompassivo também tinha um devedor. Mas seu devedor lhe devia apenas cem denários. Isso equivalia a seiscentésimo milésimo da divida cancelada de dez mil talentos.

Mesmo assim ele não demonstrou compaixão e agiu com maldade para com seu devedor. A dívida era tão pequena que ele não tinha o direito de vender seu conservo para reaver o valor; mas legalmente ele poderia exigir sua prisão e submetê-lo a trabalhos forçados para liquidar a dívida.

Quando o rei soube disso, entregou o servo incompassivo aos torturadores. O texto original usa um termo grego que indica oficiais designados pelos tribunais, cuja tarefa era torturar aqueles que tinham cometido crimes terríveis. Quando o rei diz que o servo incompassivo deveria ser torturado até que a dívida fosse paga, obviamente isso significava que ele jamais escaparia de seu tormento. Isso porque sua dívida era impagável.

O significado da Parábola do Credor Incompassivo

Como fica claro, a Parábola do Credor Incompassivo ilustra o ensinamento de Jesus acerca de como se deve tratar a um irmão culpado. O significado principal dessa parábola é demonstrar a importância de se ter um espírito generoso que está disposto a demonstrar misericórdia àqueles que o ofende.

A alta quantia da dívida que o rei perdoou ilustra a imensurável dívida do pecado que todos os homens possuem diante de Deus. Ninguém seria capaz de pagar tamanha dívida! Mas em Cristo Jesus, Deus perdoou todos os nossos delitos. Na cruz, Jesus não apenas pagou o preço pelo pecado de forma geral, mas quitou todos os nossos delitos; Ele eliminou a culpa de cada um dos nossos atos particulares de pecado (Colossenses 2:13).

Então o pecador perdoado deve sempre agir sob a base da misericórdia perdoadora. O mínimo que se espera daquele que foi perdoado é que também demonstre perdão. Na verdade um coração que não perdoa também é um coração não perdoado. Por isso nesse ponto deve haver muito cuidado.

W. Hendriksen observa que a Parábola do Credor Incompassivo nos ensina que os homens só podem ter certeza de que suas dívidas foram canceladas, se eles mesmos também cancelarem as dívidas daqueles que estão endividados em relação a eles. Isso significa que eles só podem experimentar a certeza do perdão, se estiverem dispostos a perdoar as ofensas cometidas contra eles. Além disso, por parte daquele que foi perdoado jamais deveria ser difícil perdoar, visto que a divida que Deus lhe perdoou é infinitamente maior do que aquela que os homens lhe devem.

Um verdadeiro cristão jamais deve se comportar como o credor incompassivo. Seu exemplo maior de perdão e misericórdia é Cristo. Todos nós somos devedores de Deus. Mas assim como Deus nos perdoa, devemos estar sujeitos a perdoar a todos aqueles que pecam contra nós. Esse perdão deve ser abundante, não apenas sete vezes mais, mas setenta vezes sete!

 

A Parábola do Bom Samaritano

 A Parábola do Bom Samaritano é uma parábola de Jesus registrada exclusivamente no Evangelho de Lucas (Lucas 10:25-37). O significado da Parábola do Bom Samaritano fala sobre a prática do amor e o cuidado ao próximo.

Na parábola Jesus fala sobre um homem que descia de Jerusalém a Jericó. No caminho ele acabou caindo nas mãos de ladrões. Os ladrões roubaram tudo o que o homem tinha, e ainda lhe feriram muito. Então o homem ficou abandonado e gravemente ferido, caído na estrada.

Depois disso descia pelo mesmo caminho um sacerdote. Quando o sacerdote viu o homem ferido, logo passou direto pelo lado oposto. Da mesma forma um levita também descia pelo mesmo lugar, e também passou longe do homem ferido. Mas em seguida descia por ali também um samaritano. Ao ver o homem ferido, o samaritano se compadeceu dele.

O samaritano tratou dos ferimentos daquele homem com óleo e vinho. Depois ele colocou-lhe sobre seu próprio animal e levou-o para uma hospedaria a fim de cuidar dele. No dia seguinte, antes de partir, o samaritano deu dois denários ao dono da hospedaria para que ele continuasse cuidando do homem ferido. O samaritano ainda disse que se houvesse qualquer outro gasto, o dono da hospedaria deveria colocar em sua conta que ele acertaria quando voltasse.

Quando Jesus contou a Parábola do Bom Samaritano?

Jesus contou a Parábola do Bom Samaritano ao ser questionado por um homem que era doutor da Lei. Isso significa que aquele homem era um estudioso das Escrituras do Antigo Testamento. Primeiro o doutor da Lei perguntou a Jesus acerca do que ele deveria fazer para herdar a vida eterna. Lucas deixa claro que ele não fez essa pergunta por ignorância, mas porque ele queria testar Jesus.

Jesus reagiu à pergunta do estudioso com outra pergunta: “O que está escrito na Lei?” (Lucas 10:26). Com isso Jesus indicou que Ele não estava ensinando uma nova doutrina. Na verdade Ele estava apontando para os princípios básicos da Lei de Deus.

O doutor da Lei respondeu a pergunta de Jesus recorrendo a Deuteronômio 6:5 e Levítico 19:18, resumindo o mandamento divino da seguinte forma: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda tua alma de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lucas 10:27).

Então Jesus disse ao doutor da Lei que ele havia respondido corretamente. Bastava então fazer isto e ele obteria a vida eterna. A resposta de Jesus se harmoniza com o ensino bíblico de que a Lei é santa, e que a obediência perfeita a ela resulta a vida eterna (cf. Romanos 7:12; Gálatas 3:12). O problema é que enquanto o Lei é espiritual o homem é carnal, e vendido ao pecado (Romanos 7:14).

O estudioso, ao invés de reconhecer sua condição de incapacidade diante da Lei de Deus e clamar por misericórdia por não ser capaz de cumpri-la com perfeição, tentou se justificar. Para tanto, ele fez mais uma pergunta: “Quem é o meu próximo?” (Lucas 10:29). Com essa pergunta o doutor da Lei basicamente estava afirmando que se ele não cumpria a Lei com perfeição, era porque ela não lhe parecia tão clara; especialmente com relação ao amor devido ao próximo. Foi nesse momento que Jesus introduziu a Parábola do Bom Samaritano.

Personagens da Parábola do Bom Samaritano

Na Parábola do Bom Samaritano são mencionadas cinco personagens principais (com exceção dos ladrões). São elas: o homem que foi assaltado; o sacerdote; o levita; o samaritano; e o dono da hospedagem. Obviamente dentre todas essas pessoas, o bom samaritano é a figura central.

Jesus não diz nada acerca do homem que foi assaltado. Ele é uma figura anônima. Não se sabe sua ocupação, sua condição social, sua nacionalidade e nem o objetivo de sua viagem. Tudo o que se sabe é que ele foi cercado pelos ladrões que o deixaram quase morto.

O sacerdote e o levita que desciam pelo caminho, muito provavelmente estavam indo para suas casas. Em Jericó moravam muitos sacerdotes e levitas. Depois que eles terminavam suas ocupações no serviço religioso no Templo, eles partiam de Jerusalém para Jericó.

Os sacerdotes eram os ministros da adoração em Israel. Eles desempenhavam várias funções como intermediários entre Deus e os homens. Os levitas, por sua vez, eram os seus auxiliares dos sacerdotes.

O samaritano é descrito por Jesus como aquele que fez o que deveria ser feito. Na mentalidade de um judeu, isso não era algo comum. Os samaritanos não eram um povo simpático aos judeus, e vice e versa. A antipatia entre samaritanos e judeus remontava os tempos do Antigo Testamento.

Os judeus consideravam os samaritanos como um povo mestiço. Eles tinham erguido seu próprio Templo no monte Gerizim e seguiam como Escritura somente o Pentateuco.

Flávio Josefo diz que certa vez os samaritanos profanaram a área do Templo para impedir que os judeus comemorassem a Páscoa. Nas Sinagogas judaicas os samaritanos eram amaldiçoados; inclusive, os judeus pediam a Deus que excluísse os samaritanos da vida futura.

A explicação da Parábola do Bom Samaritano

Na Parábola do Bom Samaritano Jesus utilizou uma cena muito real em sua época: uma viagem de Jerusalém a Jerico. A distância entre Jerusalém e Jericó é de aproximadamente 27 quilômetros. Porém esse percurso apresenta um declive acentuado de cerca de 1200 metros. Isso significa que a estrada que liga Jerusalém a Jericó passa por terrenos acidentados e montanhosos.

No tempo de Jesus, era considerado perigoso viajar por esse caminho. Havia muitos rochedos e buracos, e os criminosos se aproveitavam das dificuldades geográficas do local para fugirem e se esconderem. Quando um bando de ladrões atacava uma pessoa, dificilmente ela conseguia escapar. Foi isso o que aconteceu com o homem da parábola.

Quando a figura do sacerdote desponta na parábola, inicialmente parece ser uma indicação de esperança. Naturalmente esperava-se que um homem considerado santo ajudasse o coitado que estava ferido. Mas ele passou direto! Preferiu seguir pelo lado oposto da estada. Para ele, quanto mais longe melhor.

Não havia nenhuma justificativa para o comportamento daquele homem. É verdade que a Lei lhe proibia de tocar num cadáver. Se isso acontecesse ele se tornaria cerimonialmente impuro. Mas o homem não estava morto. Além disso, o sacerdote não estava indo para o Templo, mas para casa. Quando o levita aparece na parábola, ele também não prova ser melhor que o sacerdote.

Ambos tinham falhado em cumprir um dos requisitos mais imperativos e fundamentais da Lei de Deus (cf. Miqueias 6:8). Eles não demonstraram amor e misericórdia para com os necessitados. Deus havia ordenado que os israelitas fossem misericordiosos até mesmo para com os estrangeiros e inimigos (cf. Êxodo 23:4,5; Levítico 19:34; 2 Reis 6:8-23).

Por fim, Jesus introduz a figura do samaritano. Naquele contexto, na visão judaica, um samaritano naquela cena seria a consumação da desesperança. Não era raro que alguns deles retribuíssem ódio por ódio (cf. Lucas 9:53). Mas foi justamente o samaritano que demonstrou compaixão. Ele viu um ser humano em dificuldade e o ajudou.

Interpretação errada da Parábola do Bom Samaritano

A Parábola do Bom Samaritano tem sido alvo de diversas interpretações fantasiosas desde os primeiros séculos do Cristianismo. Interpretações alegóricas acabam distanciando essa parábola de seu verdadeiro significado.

Uma interpretação muito antiga atribuída a Orígens, ou pelo menos replicada por ele, diz que o homem que desceu de Jerusalém para Jericó representa Adão. Jerusalém representa o paraíso, e Jericó o mundo. Os ladrões representam as forças malignas. O fato de ele ter sido assaltado é uma referência à Queda do Homem. O sacerdote e o levita representam o sacrifício, a Lei e os profetas que não podem salvar o homem. Então o bom samaritano representa Jesus. Ele põe vinho e azeite no ferimento do homem assaltado. O azeite representa o conforto e o vinho uma indicação do sangue de Jesus derramado na cruz.

Quando na parábola o bom samaritano levanta o homem caído, essa interpretação diz que isso é uma figura do novo nascimento. O animal que carrega o homem também é uma referência ao evangelista (ou ao Corpo de Cristo). A hospedaria representa a Igreja, e o hospedeiro representa o pastor. Alguns intérpretes ainda dizem que essa antiga interpretação sugere que as duas moedas deixadas pelo bom samaritano representam os dois sacramentos, Ceia e Batismo. Da mesma forma, a promessa do bom samaritano dizendo que voltaria, representa a promessa da segunda vinda de Cristo.

Vários dos líderes do Cristianismo dos primeiros séculos defenderam interpretações semelhantes. Até mesmo Agostinho, grande pensador e estudioso das Escrituras, também adotou uma interpretação parecida. Sem dúvida esse tipo de interpretação descreve corretamente a história da redenção. Mas o problema é que essas interpretações alegóricas ignoram o contexto e desprezam o verdadeiro propósito de Jesus ao contar a Parábola do Bom Samaritano.


O significado da Parábola do Bom Samaritano

O significado da Parábola do Bom Samaritano fica claro diante da pergunta que precede a narrativa de Jesus: “Quem é o meu próximo?” (Lucas 10:29). Na Parábola do Bom Samaritano Jesus responde que o próximo é todo aquele que necessita de amparo, independentemente de quem seja.

Esse próximo, na maioria das vezes, não faz parte do nosso círculo familiar ou do nosso grupo de amigos. Frequentemente o próximo é um estranho, alguém que não é atraente aos nossos interesses. Talvez, pode ser até que esse próximo seja um inimigo, como no caso do samaritano e o judeu.

Mas também é fácil perceber que na parábola Jesus posiciona essa pergunta em sua forma correta. O ponto principal não é se perguntar “Quem é o meu próximo?”. A pergunta correta deve ser: “Eu estou sendo um bom próximo para os necessitados ao meu redor?”.

Jesus termina a Parábola do Bom Samaritano perguntando ao doutor da Lei quem provou ser o próximo do homem ferido. O estudioso teve de dizer que foi o homem que teve piedade dele, isto é, o bom samaritano. Então Jesus concluiu: “Vá e continue fazendo o mesmo” (Lucas 10:37).

Aqui devemos nos lembrar de que a primeira pergunta do estudioso foi acerca de como ele poderia obter a vida eterna. Então com a Parábola do Bom Samaritano, Jesus indica que guardar a Lei do Senhor, cujo princípio básico é o amor a Deus seguido pelo amor ao próximo, é um comportamento que caracteriza àqueles que são herdeiros da vida eterna.

Jesus não ensina que as boas obras e o cumprimento da Lei levam à salvação. O que Ele ensina é que aqueles que são salvos andam nas boas obras, e, como regra de gratidão, guardam os mandamentos do Senhor (cf. Efésios 2:10). Nesse sentido o significado da Parábola do Bom Samaritano pode ser resumido no conselho de Tiago: “Tornai-vos, pois, praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tiago 1:22).

A Parábola dos Dois Servos (O Servo Bom e o Servo Mau)

Parábola dos Dois Servos é uma parábola de Jesus registrada nos Evangelhos de Mateus e Lucas (Mateus 24:45-51; Lucas 12:42-46). A Parábola dos Dois Servos também é conhecida como a Parábola do Servo Bom e o Servo Mau.

Na parábola Jesus diz que o servo bom e fiel é aquele a quem o seu senhor encarrega dos bens de sua casa para dar aos seus outros servos alimento no tempo devido; e voltando o senhor, encontra esse servo cumprindo diligentemente sua ordem. Por causa de sua fidelidade, Jesus diz que certamente o senhor daquele servo haverá de encarregá-lo de todos os seus bens.

Mas se aquele servo for mau e pensar que o seu senhor tarde virá; e começar a espancar os seus conservos, e a comer, e a beber com os bêbados; então virá o senhor daquele servo num dia em que ele não espera e numa hora que ele não sabe. Assim, o senhor do servo mau irá separá-lo de sua casa, e destinará sua parte com os hipócritas. O servo mau será expulso a um lugar onde haverá pranto e ranger de dentes.

Contexto da Parábola dos Dois Servos

Provavelmente Jesus contou a Parábola dos Dois Servos em duas ocasiões diferentes de seu ministério. Essa possibilidade é indicada pelos pequenos detalhes que diferenciam os registros de Mateus e Lucas; embora esses registros sejam certamente paralelos.

No Evangelho de Mateus, Jesus contou essa parábola quando estava exortando os seus discípulos acerca dos acontecimentos que se sucederiam até o fim dos tempos. No Evangelho de Lucas essa parábola também aparece num contexto em que Jesus ensina sobre a vigilância e a prudência diante da realidade de seu retorno no fim dos tempos.

Explicação da Parábola dos Dois Servos

A Parábola dos Dois Servos é uma história ilustrativa. Nela Jesus Cristo aplica uma cena muito comum que persiste até hoje. Provavelmente Ele tinha em mente um homem rico que estava prestes a viajar. Antes de partir, porém, o homem rico colocou seu empregado de maior confiança como responsável por todos os demais empregados.

Esse empregado que foi colocado como administrador da casa, deveria não apenas supervisionar o trabalho dos demais, mas também garantir que nada lhes faltasse. O servo que se atenta à tarefa delegada por seu senhor e a cumpre diligentemente, é um servo bom e fiel. Mas o servo que age com descaso e inconsequência diante da responsabilidade que recebeu, é um servo mau e infiel.

A narrativa da Parábola dos Dois Servos registrada em Lucas possui uma conclusão adicional que não aparece no texto de Mateus. Nessa conclusão Jesus diz: “E o servo que soube a vontade do seu senhor e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites. Mas o que a não soube e fez coisas dignas de açoites com poucos açoites será castigado. E a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá” (Lucas 12:47,48).


O significado da Parábola dos Dois Servos

O significado da Parábola dos Dois Servos fala sobre vigilância e comprometimento. O patrão que antes de viajar delega responsabilidade ao seu servo representa Jesus. Nosso Senhor espera encontrar na ocasião de seu retorno, servos bons que cuidaram da responsabilidade que lhes fora dada com diligência.

Os servos bons representam os verdadeiros cristãos que cuidam de administrar com zelo e a favor dos outros os tesouros espirituais que Deus lhes confiou. Os servos bons fazem a vontade do Senhor e cuidam daqueles que se acham necessitados, tanto espiritualmente quanto materialmente.

Os servos bons, que são os crentes genuínos, aguardam a volta de Cristo com comprometimento e fidelidade. Tal como o senhor da parábola, quando Jesus voltar Ele colocará todos os seus servos fieis num grau eterno de glória e honra.

Já os servos maus representam pessoas iníquas e hipócritas que serão severamente castigadas no dia do juízo. Essas pessoas se mostram despreocupadas com as coisas de Deus. Ao invés de cuidarem dos necessitados, os servos maus fazem crueldades contra eles. Os servos maus não agem com prudência, ao contrário, se comportam de forma leviana e inconsequente. Por isso eles serão lançados num lugar de eterna desgraça e desesperança.

A conclusão adicional da Parábola dos Dois Servos no Evangelho de Lucas ainda ensina que a revelação de Deus ao mundo torna todas as pessoas indesculpáveis; mesmo que em diferentes graus. Então nenhum servo mau poderá se justificar apelando para uma suposta ignorância;  isso porque a ignorância nunca é absoluta (Romanos 1:20,21; 2:14-16).

W. Hendriksen resume o significado da Parábola dos Dois Servos de uma forma muito interessante. Ele diz que a mensagem desta parábola nos ensina a permanecer ativamente leais ao Senhor; desempenhando de forma prudente e alegre a tarefa designada por Ele, no interesse daqueles que lhe são preciosos.

 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

A Parábola do Servo Vigilante

A Parábola do Servo Vigilante fala sobre a importância da vigilância. Os servos de Cristo devem estar sempre preparados para o retorno do seu Senhor. A Parábola do Servo Vigilante está registrada em Lucas 12:35-40. Também há um texto paralelo no Evangelho de Marcos que se harmoniza ao significado dessa parábola de Jesus (Marcos 13:33-37).

O Senhor Jesus Cristo exorta os seus seguidores a estar com seus lombos cingidos, e com suas lâmpadas acessas. Na Parábola do Servo Vigilante Jesus diz que os crentes devem ser como os servos que esperam por seu senhor que foi a uma festa de casamento. Atentos, esses servos rapidamente abrirão a porta quando o senhor voltar da festa (Lucas 12:35).

Então Jesus também diz que aqueles que agem assim, como servos vigilantes, são bem-aventurados. Sobre estes, o Senhor Jesus faz a maravilhosa promessa: “Em verdade vos digo que Ele [o Senhor] se cingirá, e os fará assentar à mesa, e, chegando-se, os servirá. E, se vier na segunda vigília, e se vier na terceira vigília, e os achar assim; bem-aventurados são os tais servos” (Lucas 12:37,38).

O contexto da Parábola do Servo Vigilante

A Parábola do Servo Vigilante faz parte de um capítulo que registra um longo discurso de Jesus perante uma grande multidão ­­– incluindo seus discípulos (Lucas 12). Na primeira parte de seu discurso, o Senhor Jesus se dirige especialmente aos seus discípulos ­– provavelmente um grupo maior que os doze mais próximos. Já na parte final de seu discurso Jesus se dirige à multidão.

Inclusive, nesse mesmo discurso Jesus contou outras duas conhecidas parábolas: a Parábola do Rico Insensato (Lucas 12:16:21); e a Parábola dos Dois Servos (Lucas 12:42-46).

A primeira parábola fala sobre a tolice de depositar toda sua confiança nas coisas passageiras deste mundo. Nesse sentido, encontramos um contraste entre o homem rico e tolo dessa primeira parábola e o servo vigilante. Enquanto o homem tolo está com seu coração na terra, o servo vigilante está com seu coração no céu.

Já a segunda parábola enfatiza o mesmo ponto da Parábola do Servo Vigilante. Ela destaca que o servo bom é aquele que age com vigilância, comprometimento e prudência.

Explicação e significado da Parábola do Servo Vigilante

Como já fica claro, a Parábola do Servo Vigilante é uma lição sobre a vigilância. Isso é evidente em cada frase da parábola.

Em primeiro lugar, Jesus diz que o servo vigilante tem o seu “lombo cingido”. Essa expressão faz referência ao costume da época. As pessoas naquele tempo usavam longas túnicas que dificultavam seus movimentos. Então elas usavam um cinto que mantinham suas vestes acima dos joelhos para possibilitar agilidade na execução de seu trabalho. Portanto, estar com o lombo cingido significa estar vestido de modo adequado para poder agir prontamente.

Aplicando essa metáfora à vida espiritual, o servo vigilante é aquele que está sempre preparado para receber o Senhor. É aquele que está sempre pronto para agir pela causa do Reino de Deus e servir ao Senhor de forma adequada aguardando diligentemente sua volta.

Em segundo lugar, Jesus diz que o servo vigilante mantém sua “candeia acessa”. Naquele tempo não havia luz elétrica, e as candeias eram essenciais para enxergar durante a noite. Se um servo não estivesse com sua túnica cingida e com sua candeia acessa, ele jamais poderia abrir a porta para o seu senhor de madrugada, pois certamente ele iria tropeçar no escuro.

Em ambos os casos, tanto em relação às vestes como em relação às lâmpadas acessas, a parábola indica a necessidade do compromisso em servir; a necessidade de preparação para receber o Senhor. Nesse ponto há o mesmo princípio ensinado na Parábola das Dez Virgens (Mateus 25:1-13).

Em terceiro lugar, na parábola Jesus diz que o servo vigilante será graciosamente recompensado pelo Senhor, no sentido de que o próprio Senhor servirá os seus servos. A inversão de papéis é impressionante. Essa é uma cena impensável do ponto de vista humano.

Mas durante seu ministério terreno o Senhor Jesus deu uma verdadeira aula sobre o significado de servir (Lucas 22:27). O Senhor tomou o lugar de servo e as implicações finais de sua obra poderão ser vistas em toda plenitude na ocasião de seu retorno, quando Ele acolherá seus servos bem-aventurados nas bodas celestiais.


O servo vigilante está sempre esperando o Senhor

Alguém pode perguntar: Quando o Senhor virá? Apesar de terem como certa a volta do Senhor, os crentes não conhecem a resposta dessa pergunta. Por isso os crentes genuínos são servos vigilantes, pois eles estão prontos a receber o Senhor em qualquer “vigília da noite” (Lucas 12:38). Os judeus tinham o costume de contar as horas noturnas dividindo a noite em três vigílias; enquanto os romanos dividiam a noite em quatro vigílias.

Mas os servos vigilantes estão sempre prontos em seus postos a qualquer vigília da noite enquanto aguardam o retorno de seu Senhor. Por isso eles são verdadeiramente bem-aventurados. E aqui Jesus conclui a parábola trazendo uma lógica semelhante à mensagem de outra de suas parábolas, a Parábola do Ladrão (Mateus 24:42-44).

A ideia e que se o dono da casa soubesse a que hora o ladrão viria, ele conseguiria proteger sua casa. Da mesma forma, os servos de Cristo não sabem a que horas o seu Senhor chegará. Então como bons servos vigilantes, eles devem estar sempre preparados.

 

Explicação da Parábola da Candeia

A Parábola da Candeia fala sobre como o ensino de Jesus tem o propósito de ser propagado. Essa parábola de Jesus está registrada nos Evangelhos Sinóticos (Marcos 4:21-25; Lucas 8:16-18; cf. Mateus 5:15).

Quando olhamos atentamente para a Parábola da Candeia, notamos que ela constitui uma coleção de vários ditos de Jesus reproduzidos em outras partes dos Evangelhos Sinóticos. Isso significa que provavelmente Jesus repetiu essas palavras em diferentes ocasiões de seu ministério.

Candeia, alqueire, cama e velador

Na Parábola da Candeia, Jesus falou que ninguém coloca uma candeia acessa debaixo de um alqueire ou de uma cama. Em suas parábolas, Jesus frequentemente usava elementos da vida cotidiana para comunicar princípios espirituais. Isso fica muito claro na Parábola da Candeia.

O pano de fundo dessa parábola é uma típica casa da Galileia no primeiro século. As casas eram iluminadas por candeias. Uma candeia basicamente era uma pequena vasilha feita de barro com uma espécie de argola em um dos lados e uma formação na outra extremidade que acomodava um pavio molhado numa porção de óleo de oliva que servia de combustível para que a candeia permanecesse acesa.

Em outras palavras, as candeias eram as lâmpadas que iluminavam as casas no tempo de Jesus. As casas mais ricas contavam com várias candeias, mas as casas mais pobres geralmente possuíam apenas uma candeia.

O alqueire citado na parábola era um tipo de cesto comum que geralmente guardava cereais. A cama mencionada na parábola era um colchão simples que quando não estava sendo usado podia ser facilmente enrolado para não ocupar espaço nas pequenas casas.

Por último, o velador que aparece na parábola era o objeto sob o qual a candeia era colocada. O velador podia ter diferentes formas dependendo do tipo de casa, mas no geral era um objeto muito simples. Em algumas casas o velador era um tipo de concha no pilar central da casa. Em outras casas, o velador era um tipo de prateleira, ou até uma pedra saliente na parede. Nas casas de famílias mais abastadas, o velador podia ser um pedestal de metal ornamentado.

A explicação e o significado da Parábola da Candeia

Tomando como exemplo o texto do Evangelho de Marcos, podemos acreditar que possivelmente Jesus pronunciou a Parábola da Candeia para o grupo de seus seguidores mais próximos. Ele introduziu a parábola com duas questões retóricas: “Vem, porventura, a candeia para ser posta debaixo do alqueire ou da cama? Não vem, antes, para ser colocada no velador?” (Marcos 4:21).

A candeia deve iluminar o ambiente

Uma questão retórica tem o objetivo de provocar uma reflexão à medida que o ouvinte pressupõe sua resposta. A primeira questão retórica da Parábola da Candeia sugere uma resposta negativa, afinal, não faz sentido ascender uma lâmpada para depois escondê-la debaixo de uma cama ou de um cesto. Já a segunda questão sugere uma resposta positiva, ou seja, é esperado que alguém coloque a lâmpada acessa num local apropriado que faça com que sua luz se espalhe pelo ambiente.

Talvez na Parábola da Candeia a figura da candeia possua uma aplicação dupla. Essa parábola é precedida pela Parábola do Semeador, e se há uma conexão entre as duas parábolas, então é possível que num primeiro momento a candeia represente o coração frutífero cuja vida brilha diante do mundo para a glória de Deus. Aqui vale lembrar que Jesus pronunciou o dito da candeia ao falar que seus seguidores são “a luz do mundo” (cf. Mateus 5:15).

Mas é inegável que a figura da candeia também está relacionada à Palavra de Deus. Nós sabemos que os cristãos não são luz em si mesmos, mas refletem o brilho d’Aquele que é a própria luz, o Verbo de Deus (João 8:12). O que produz o brilho na vida do crente é a Palavra de Deus. O salmista escreveu: “Lâmpada para os meus pés é a tua Palavra, e luz para o meu caminho” (Salmo 119:105).

Nesse sentido, os cristãos devem ser instrumentos através dos quais a luz do Evangelho pode iluminar os pecadores. Os verdadeiros seguidores de Cristo são aqueles que têm suas vidas controladas pela Palavra de Deus e testemunham aos homens que, de fato, Cristo é a luz do mundo. Abastecidos pela Palavra, os crentes podem fazer brilhar a verdade de Deus ao mundo.

Nada fica oculto

Em conexão com o raciocínio da candeia que deve ficar exposta para iluminar o ambiente, Jesus disse: “Pois nada está oculto, se não para ser manifesto; e nada se faz escondido, senão para ser revelado” (Marcos 4:22). Essa frase traz um paralelismo hebraico que indica que o propósito último de algo que está escondido é que seja finalmente revelado.

Nos dias de Jesus, os líderes religiosos dos judeus estavam basicamente ocultando a verdade de Deus debaixo de um amontoado de tradições humanas que moldavam uma religiosidade hipócrita. Mas a verdade pura de Deus deve brilhar!

Então é possível que ao usar esse paralelismo, Jesus estivesse enfatizando a realidade de que o seu ensino não tinha o propósito de ficar escondido. A progressão do ministério de Cristo deixou claro que Ele não havia vindo ao mundo para ocultar a verdade, mas para torná-la conhecida àqueles que ouvem. Daí a exortação: “Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça” (Marcos 4:23).

Num outro sentido, agora na esfera das articulações humanas, também é possível dizer que à luz da verdade de Deus comunicada, nada permanecerá oculto para sempre. Há quem pense enganosamente poder esconder seus pensamentos, planos, palavras e ações. Mas no dia do juízo, todas as coisas serão reveladas e medidas sob o prumo da vontade de Deus revelada.


A responsabilidade diante da luz

Por fim, a sequência de ditos da Parábola da Candeia termina com a advertência de Jesus: “Atentai no que ouvis. Com a medida com que tiverdes medido vos medirão também, e ainda se vos acrescentará. Pois ao que tem se lhe fará; e, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado” (Marcos 4:23-25).

Jesus disse que se alguém tem ouvidos para ouvir, então que ouça. Mas não basta ouvir qualquer coisa e de qualquer maneira. É preciso ouvir o ensino certo e da maneira correta. Nesse ponto Jesus chamou os seus ouvintes a um exame de responsabilidade e conduta.

A resposta da pessoa à luz da candeia que a ilumina, é algo da mais alta importância e urgência. O ouvir espiritual determina quanto temos para dar aos outros, e quanto mais ouvimos a Palavra de Deus, mais capazes seremos de compartilhá-la com as outras pessoas. Além disso, seremos recompensados na mesma medida da fidelidade que demonstramos ao colocar em prática a verdade que recebemos.

Mas também é preciso manter em mente que nas questões espirituais, sempre só há duas opções: ganhar ou perder. Negligenciar a luz da Palavra de Deus é cair em profunda perda. Além disso, no dia do juízo não haverá oportunidade de receber de bom grado a luz que foi rejeitada. Todos aqueles que desprezam agora a luz do Evangelho, na eternidade perderão qualquer noção que um dia já tiveram acerca dessa luz. O que lhes restará é somente trevas (Mateus 25:29,30).

 

O Que é o Vaso de Alabastro?


O vaso de alabastro é conhecido entre os cristãos por ter sido o tipo de recipiente utilizado para portar óleos ou essências em algumas passagens do Novo Testamento. Diante disto, muitos ficam curiosos sobre como era esse vaso, e o que significa alabastro. Neste estudo bíblico, iremos entender um pouco melhor o que é o vaso de alabastro.

O que significa alabastro e o que era o vaso de alabastro?

Originalmente a forma neutra do grego alabastros era usada para designar um frasco de alabastro que possuía um gargalo comprido. Quando o conteúdo era utilizado, tal gargalo era rompido. Geralmente o conteúdo armazenado nesses frascos eram óleos e essências.

O mesmo termo também era utilizado para se referir a qualquer frasco que possuía o formado indicado acima, não importando o material de que tivesse sido fabricado.

Já o alabastro era uma variedade de carbono de cálcio produzido por depósito natural e hidratado. Existe uma diferença entre os alabastros da antiguidade e os mais modernos. O alabastro moderno é um tipo de gesso, sendo uma pedra mais mole. Já os alabastros da antiguidade, chamados no hebraico de shayish ou shesh, geralmente eram de mármore, compostos de calcita (1 Crônicas 29:2; Ester 1:6).

Esse material em sua forma pura tem uma cor branca e translúcida. Geralmente o alabastro era encontrado em regiões calcárias, em cavernas e locais próximos de nascentes. Os alabastros eram muito utilizados na escultura de estátuas e na fabricação de vasos, frascos, caixas, garrafas e recipientes em geral.

Havia vasos de alabastro fabricado na região da Palestina com pedras escavadas no vale do Jordão. Outros eram importados do Egito, sendo estes mais valiosos.

O vaso de alabastro na Bíblia

No Novo Testamento encontramos algumas passagens que fazem referência à utilização do vaso de alabastro. A primeira está no Evangelho de Mateus, quando Jesus é ungido em Betânia:

Aproximou-se dele uma mulher com um vaso de alabastro, com unguento de grande valor, e derramou-lho sobre a cabeça, quando ele estava assentado à mesa.

(Mateus 26:7)

Nos Evangelhos de Marcos e João encontramos um texto paralelo ao relato do Evangelho de Mateus (Marcos 14:3-9; João 12:1-8). No caso da referência de Marcos, trata-se de um paralelo exato. Já no texto do Evangelho de João algumas diferenças cronológicas podem ser percebidas; porém nenhum detalhe entra em conflito com os textos de Mateus e Marcos.

Alguns argumentam que na narrativa de João é dito que a mulher ungiu os pés de Jesus com o unguento que estava no vaso de alabastro; enquanto Mateus e Marcos relatam que o liquido foi derramado sobre sua cabeça. Porém é possível que ela tenha derramado tanto bálsamo em Jesus que o liquido escorreu até mesmo pelos pés d’Ele. Sobre isso, João escreve que havia “uma libra de bálsamo de nardo puro” dentro do vaso de alabastro (João 12:3). Essa medida equivalia a algo em torno de 450 gramas de perfume, uma quantidade suficiente para cobrir Jesus. Saiba mais sobre os pesos e medidas na Bíblia.

Essa mulher que aparece anônima nos Evangelhos de Mateus e Marcos é identificada no Evangelho de João. Ela era Maria, irmã de Marta e Lázaro, aquele que foi ressuscitado.


O nardo puro no vaso de alabastro

O liquido que a mulher carregava no vaso de alabastro era o nardo puro (Marcos 14:3). O nardo era um perfume raro feito de raízes de uma planta nativa do Himalaia. Nos tempos bíblicos ele era importado justamente em frascos selados de alabastro. Esses pequenos vasos de alabastros eram abertos apenas em ocasiões muito especiais.

Judas estipulou o preço do nardo que havia naquele vaso de alabastro em trezentos denários (João 12:5). Isso equivalia a um ano de salário de um trabalhador da época. Esse valor também era provavelmente dez vezes maior que o valor que o mesmo Judas recebeu para trair Jesus.

O vaso de alabastro também é citado numa referência no Evangelho de Lucas (Lucas 7:36-50). Lucas fala de uma mulher pecadora que ungiu os pés de Jesus com especiarias que estavam num vaso de alabastro. Aqui é importante dizer que essa mulher não deve ser confundida com a mulher citada anteriormente no episódio registrado por Mateus, Marcos e João, apesar das evidentes semelhanças.

A mulher mencionada por Lucas realmente não teve sua identidade revelada. É muito comum a interpretação de que essa tal mulher tenha sido uma prostituta. Mas no texto original em grego a expressão “era pecadora” traduz um termo que não precisa significar necessariamente que ela era uma meretriz.

O texto apenas deixa claro que ela era muito conhecida no povoado por sua má reputação. Além disso, no texto de Lucas ela já aparece como uma mulher arrependida. Isso significa que seja lá o que a mulher do vaso de alabastro tivesse feito, ela já não fazia mais.

 

Qual a História do Casamento de Oseias e Gomer?


O casamento de Oseias e Gomer é uma das histórias mais chocantes do Antigo Testamento. Se por um lado Gomer é descrita no texto bíblico como uma mulher imoral e infiel, por outro Oseias é apresentado como o profeta escolhido por Deus para denunciar o pecado do Reino do Norte de Israel.

No entanto, para compreendermos plenamente a história do casamento de Oseias e Gomer, bem como sua profundidade teológica, é crucial primeiro situar-nos no contexto histórico e espiritual em que esse evento se desenvolveu.

O contexto do casamento de Oseias e Gomer

O ministério de Oseias ocorreu durante um período tumultuado da história de Israel, no século 8 a.C. Oseias profetizou no Reino do Norte, também conhecido como Israel, durante o reinado de Jeroboão II e outros reis subsequentes. Este período foi marcado por prosperidade econômica, mas também por profunda decadência moral e espiritual.

Sob Jeroboão II, Israel experimentou um breve renascimento econômico e territorial. No entanto, essa prosperidade material não se refletiu em um avivamento espiritual. Em vez disso, a riqueza levou à complacência e à corrupção.

A injustiça social era galopante. Os ricos exploravam os pobres, os juízes eram subornáveis e a liderança religiosa estava comprometida. O povo se entregava à idolatria, adorando Baal e outros deuses pagãos, abandonando a aliança com o Senhor.

A idolatria em Israel não era apenas a adoração de outros deuses, mas também um sinal da infidelidade espiritual do povo. Eles quebraram a aliança que Deus estabeleceu com seus antepassados no Monte Sinai, desprezando Suas leis e Seus profetas.

Oseias, então, foi chamado por Deus para ser Seu porta-voz em um tempo de grande apostasia. Sua missão era advertir Israel sobre as consequências de seus pecados e chamar o povo ao arrependimento. O ministério de Oseias é único na Bíblia, pois Deus o chamou para viver uma parábola viva. Quando lemos a história de Oseias e Gomer, somos confrontados com um dos chamados mais inusitados e desafiadores da Bíblia. Deus ordenou a Seu profeta Oseias que se case com uma mulher infiel.

O casamento de Oseias e Gomer

Em Oseias 1:2, lemos claramente que Deus não apenas ordenou que o profeta Oseias se casasse com uma mulher adúltera, mas também tivesse filhos de infidelidade com ela, porque a nação de Israel havia sido infiel. Isto significava que a nação havia se prostituído espiritualmente, desviando-se do Senhor.

Sem dúvida, este chamado de Oseias para se casar com Gomer, foi surpreendente. Deus ordenou a Seu profeta que fizesse algo que, aos olhos humanos, parecia ilógico e escandaloso. No entanto, Deus estava usando a vida de Oseias como um sermão vivo, uma dramatização da infidelidade de Israel e da misericórdia divina.

Gomer, filha de Diblaim, foi a mulher escolhida para ser esposa de Oseias. A condição infiel de Gomer representava a realidade espiritual de Israel – um povo que havia se afastado de Deus e se envolvido com ídolos e práticas pagãs. Em outras palavras, Gomer, a esposa adúltera de Oseias, juntamente com seus filhos, foram figuras da infidelidade dos israelitas para com Deus ao seguirem outros deuses.

A família de Oseias e Gomer

Oseias e Gomer tiveram três filhos: Jezreel, que significa “Deus semeia”, Lo-Ruhamah, que significa uma pessoa não amada, e Lo-Ammi, que basicamente significa “não meu povo”. Os significados desses nomes comunicam verdades divinas para o povo impenitente de Israel.

Por causa da omissão do pronome nos versículos que registram os nascimentos dos dois últimos filhos de Gomer, alguns comentaristas sugerem que talvez apenas Jezreel fosse filho de Oseias. No entanto, a posição mais aceita entre os estudiosos do Antigo Testamento é a de que Oseias foi o pai dos três filhos de Gomer.

Depois do relato dos nascimentos dos filhos de Oseias e Gomer, a mulher do profeta de Israel não é mais mencionada nominalmente no texto bíblico. Na verdade, o relacionamento pessoal de Oseias volta a ser citado apenas no capítulo 3, quando Deus ordenou que ele tratasse novamente com amor a sua mulher, apesar de ela ser adúltera e amada por outro homem.

A Bíblia revela que Oseias, então, foi e comprou aquela mulher pela quantia de cento e oitenta gramas de prata e um barril e meio de cevada. Ele também disse àquela mulher que ela viveria com ele por muitos dias, não seria mais prostituta e nem pertenceria a nenhum outro homem.

Os debates sobre o casamento de Oseias e Gomer

Entre os estudiosos há muitas discussões sobre o casamento de Oseias e Gomer. Por exemplo: alguns estudiosos acreditam que a mulher adúltera que Oseias comprou no capítulo 3 não era necessariamente Gomer, mas uma segunda esposa anônima de passado imoral.

Nesse sentido, alguns intérpretes também defendem que Gomer talvez não fosse uma mulher moralmente infiel em seu casamento, mas uma mulher infiel espiritualmente. A ideia é que a idolatria estava tão generalizada em Israel, que não importava com quem Oseias se casasse e tivesse filhos, sua família estaria potencialmente contaminada pela infidelidade ao Senhor, pois toda a nação havia se prostituído espiritualmente.

Outros comentaristas, por sua vez, argumentam em favor da teoria de que Gomer não era uma prostituta comum, mas uma mulher envolvida em prostituição cultural na religião de fertilidade de Baal em Canaã. Há também aqueles que defendem que quando Oseias se casou com Gomer, ela ainda não havia se transformado numa mulher imoral. Dessa forma, sua prostituição teria começado somente após seu casamento com Oseias e o nascimento de seu primeiro filho.

Por fim, há ainda alguns eruditos que acreditam que o casamento entre Oseias e Gomer não passou de uma representação alegórica da infidelidade de Israel para com Deus. Porém, a leitura natural do texto bíblico favorece a interpretação de que o casamento de Oseias e Gomer foi real, e que o profeta de Deus realmente se casou com Gomer sabendo que ela seria infiel.

Da mesma forma, a posição predominante entre os eruditos do Antigo Testamento é a de que Gomer é a mulher tirada da imoralidade por Oseias no capítulo 3, mostrando, então, a reconciliação do profeta com sua esposa adúltera após ela tê-lo abandonado para se relacionar com outro homem.


O significado da história do casamento de Oseias e Gomer

Apesar da historicidade do casamento de Oseias e Gomer, não se pode negar que esse casamento também tinha uma aplicação simbólica e um propósito pedagógico. O casamento de Oseias com Gomer simbolizava o amor incondicional e persistente de Deus por Seu povo desobediente. Mesmo quando Israel era espiritualmente adúltero, Deus buscava sua restauração.

Assim como Gomer foi infiel a Oseias, Israel tinha sido infiel a Deus, adorando outros deuses e quebrando a aliança. A infidelidade espiritual é vista na Bíblia como adultério, ou seja, uma traição da aliança sagrada estabelecida com Deus. Mas apesar da infidelidade de Gomer, Oseias continuou a amá-la e buscou sua redenção. Tal como Oseias perdoou e resgatou sua mulher infiel para novamente estar ao seu lado, em sua maravilhosa graça o Senhor prometeu resgatar e perdoar o seu povo.

Além disso, numa aplicação prática, o relacionamento de Oseias e Gomer nos ensina sobre a fidelidade inabalável de Deus. Mesmo quando somos infiéis, Deus permanece fiel. Sua aliança conosco é baseada em Seu caráter imutável, não em nossas qualidades. O apóstolo Paulo, em 2 Timóteo 2:13, explica que “se formos infiéis, Ele permanece fiel, pois não pode negar-se a si mesmo”. Esta fidelidade é o fundamento de nossa esperança e segurança em Deus.

Portanto, a história de Oseias e Gomer não é apenas uma metáfora abstrata. É um relato vívido e concreto do amor redentor de Deus, demonstrado através das ações de Oseias. Tal como na história de Gomer, temos diante de nós um chamado ao arrependimento, Deus nos convida a retornar a Ele. Deus nos busca em nossa condição de pecado e nos oferece Sua graça transformadora, independentemente de nossas falhas passadas.

Porém, uma vez redimidos, somos chamados a viver de acordo com a nossa nova identidade em Cristo. Isso implica rejeitar os antigos caminhos do nosso coração enganoso e viver em obediência à vontade de Deus. Temos de abandonar nossos ídolos, sejam eles quais forem, e viver em fidelidade à aliança Deus.

 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

As Coisas Velhas se Passaram, Eis Que Tudo se Fez Novo

 


O versículo que diz que “as coisas velhas se passaram, eis que tudo se fez novo” significa que aqueles que estão em Cristo não enxergam mais o mundo da mesma forma. Após serem convertidos a Cristo, os crentes não encaram mais a vida como antes. Eles fazem parte da nova criação e, portanto, possuem uma nova orientação a respeito de Cristo, das pessoas e do mundo ao seu redor.

A frase: “as coisas velhas se passaram, eis que tudo se fez novo” é mais bem compreendida quando consideramos o contexto em que ela aparece. O estudo bíblico mostra que quem escreveu essas palavras foi o apóstolo Paulo ao responder os ataques de falsos mestres que estavam tentando se introduzir na igreja de Corinto. Basicamente essas pessoas mal intencionadas queriam destruir a reputação ministerial de Paulo dizendo que seu apostolado não era verdadeiro, que a mensagem que ele anunciava era falsa, e que suas motivações eram erradas.

Mas Paulo respondeu esses ataques falando aos crentes coríntios que seu ministério era motivado pelo temor ao Senhor e pelo amor de Cristo que o constrangia. Esse amor, inclusive, o inseriu numa nova criação e mudou completamente o seu entendimento a respeito de Cristo, das pessoas e do mundo em geral.

Paulo ensina que aqueles que foram alcançados pelo amor de Cristo não vivem mais de forma egoísta, mas vivem para o Senhor (2 Coríntios 5:15). Eles não consideram mais ninguém do ponto de vista humano, mas do ponto de vista do amor de Cristo (2 Coríntios 5:16). O próprio Paulo outrora havia considerado Cristo do ponto de vista humano. Ele enxerga a Cristo como um impostor cuja mensagem deveria ser silenciada. Então antes de sua conversão ele dedicou seus esforços a perseguir os seguidores de Cristo.

Mas tudo isso mudou radicalmente quando ele foi unido a Cristo pela fé e constrangido por seu amor sacrificial. A partir daí ele se tornou participante da nova criação, de modo que “as coisas velhas se passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Coríntios 5:17).


As coisas velhas se passaram

A frase: “as coisas velhas se passaram” se refere ao antigo modo que os crentes tinham de enxergar a Cristo e o mundo antes de sua conversão. Todas as coisas eram vistas sob a perspectiva humana, ou seja, sob o entendimento de uma mente sem a iluminação  do espírito santo e o conhecimento de Deus.

Antes da conversão, os crentes viviam de acordo com a sua natureza caída. Eles andavam conforme a antiga criação que caiu em condenação por causa da desobediência de Adão. Mas estando em Cristo, os crentes agora fazem parte da nova criação formada pela obediência de Cristo, e vivem de acordo com o seu padrão de retidão.

Portanto, como diz William Hendriksen, quando uma pessoa torna-se parte do corpo de Cristo na conversão, sua vida sofre uma inversão completa (Comentário do Novo Testamento). Suas antigas crenças, motivações, planos, prioridades e valores são coisas que ficam no passado. O centro de sua vida muda e, portanto, agora ela passa a enxergar tudo de uma nova perspectiva.


Eis que tudo se fez novo

Como as coisas velhas já passaram, o crente sinceramente pode dizer: “eis que tudo se fez novo”. Isso quer dizer que ele olha para Cristo de uma maneira diferente. A transformação que Cristo opera na vida do crente o transporta da velha realidade para a nova realidade; da antiga criação para a nova criação; das coisas passadas para as coisas novas. Ele passa a enxergar tudo de uma maneira diferente.

Em primeiro lugar, ele passa a enxergar Cristo  como o Salvador de sua vida. Por exemplo: após sua conversão, Paulo não mais olhou para Cristo como um falso profeta; não mais olhou para sua mensagem como uma heresia. Mas ele olhou para Cristo como seu Salvador e Senhor; e olhou para a mensagem como o poder de Deus para a salvação.

Em segundo lugar, o crente que esta em Cristo olha para as pessoas ao seu redor de uma maneira diferente. Ele enxerga aqueles que não conhecem a Cristo como pessoas pecadoras que precisam de um Salvador; como ovelhas que precisam de um pastor. E como o amor de Cristo o constrange ,o crente é impelido a proclamar esse amor aos outros. Ele também enxerga os demais cristãos como seus irmãos na fé que participam, juntamente com ele, da família de Deus.

Em terceiro lugar, o crente que está em Cristo não vive mais para as coisas passageiras deste mundo, mas para as coisas da eternidade. O pecado não é mais algo que controla sua vida, pois ele possui a mente de Cristo (1 Coríntios 2:16). Sim, as tentações fazem parte de sua realidade presente, mas fervorosamente ele ora a Deus para que não o deixe cair em tentação (Mateus 6:13). Vivendo a nova criação, de fato o crente pode dizer que as coisas velhas se passaram, eis que tudo se fez novo.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

VERDADES DA VIDA

 BOA NOITE

Enquanto acordamos hoje alguém não teve chance de abrir os olhos novamente.

Enquanto tratarmos nossa saúde como algum garantido alguem sonha desesperadamente de tela novamente 

 Enquanto reclamamos precisar caminhar alguém nunca mais vai dar um passo se quer.

Enquanto ficamos insatisfeito com a nossa comida alguém vai dormir com fome.

Enquanto reclamamos do trabalho e contamos os dias para o fim de semana alguém esta rezando apenas para viver mais um dia.

Enquanto desejamos uma casa maior alguém não tem nem mesmo um teto para se abrigar.

Enquanto nos preocupamos com o fato de envelhecer alguém daria tudo para reviver esses mesmo anos.

Gastamos nossa saúde para ganharmos dinheiro e depois gastamos o dinheiro para tentarmos recuperar um pouco da saúde. .

Dizem que só damos valor as coisas quando a perdemos concorda com isso ?

E isso é totalmente verdadeiro quando esquecemos da gratidão perdemos a felicidade então porque não agradecermos a DEUS hoje por cada bênção e pelo dom da vida e por mais um dia lindo .


sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

 

Se o Senhor Não Guardar a Cidade, Em Vão Vigia a Sentinela

O versículo que diz: “Se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela” fala sobre a soberania de Deus no governo de todas coisas. O seu significado enfatiza que o esforço humano é inútil sem a intenção providencial do Senhor.

Esse versículo faz parte do Salmo 127, um salmo atribuído ao rei Salomão. No verso 2 desse salmo, Salomão usa duas imagens para falar da soberania de Deus: a construção de uma casa e a proteção de uma cidade. Por isso ele escreve: “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela” (Salmo 127:2).

É fácil notar que com o uso dessas duas imagens nesse verso, o escritor bíblico tem mente duas das principais preocupações humanas: o trabalho de construir e o trabalho de preservar. Mas ele também deixa claro que sem a ação do Senhor, ambos os trabalhos serão inúteis.

Se o Senhor não guardar a cidade

Nos tempos antigos, uma boa cidade era sempre cercada de fortes muros e portões resistentes. Além disso, havia a vigilância constante das sentinelas que eram capazes não apenas de montar guarda armada num posto, mas também de avisar o restante da força militar da cidade ao sinal de qualquer perigo. O trabalho das sentinelas na guarda de uma cidade era algo realmente fundamental. Se as sentinelas falhassem em sua tarefa, a cidade podia ser destruída.

Além das sentinelas, as cidades-estado também tinham suas próprias divindades. Os povos antigos, por mais que fossem pagãos, tinham a consciência de que dependiam de uma proteção que estava além de suas capacidades. Como parte da imagem de DEUS que restou no homem após o pecado, faz parte da natureza humana essa busca pelo religioso, esse “censo do divino”; embora seja verdade que o homem caído rejeita a verdade de Deus em troca da mentira dos falsos deuses que ele mesmo criou para si (Romanos 1:18-23).

Mas o versículo bíblico não diz: “Se os deuses não guardarem a cidade, em vão vigia a sentinela”. Em vez disso, o versículo diz de forma clara: “Se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela”. O título “Senhor”, normalmente escrito em caixa alta nas traduções em português, “SENHOR”, indica o nome pessoa de Deus, Yahweh. Esse é o nome que Deus revelou em sua aliança com Israel ao tirar a nação do Egito (cf. Êxodo 3).

De fato, algumas cidades da Antiguidade conseguiram alcançar a posição de capitais de grandes impérios. Porém, tudo isso ocorreu de acordo com o propósito soberano do Senhor. Foi assim que Deus levantou, por exemplo, a Babilônia, sob o rei nabucodonosor ou a Pérsia, sob o rei Ciro.

Mas sem a proteção divina, até mesmo uma imponente cidade, por mais poderoso que fosse o seu exército, podia ser conquistada. Foi assim com a cidade da Babilônia. Da mesma forma que o Senhor a levantou, o Senhor também a abateu. Aquela superpotência foi tomada pela coalisão medo-persa de forma sorrateira e sem ter chance de esboçar qualquer reação (Daniel 5).

Eu olhando mais para tudo menos para DEUS.

 Olá tudo bem com vocês .

Muitas das vezes somos como esponjas absorvendo tudo e todos os problemas das pessoas.

E nos esquecemos de nós mesmos e até de viver a nossa própria vida.

Pois precisamos de viver a nossa vida de maneira que Deus seja o primeiro e nós o segundo.

De que adianta tentar resolver os problemas do mundo se voce nao viver e resolver seus proprios conflitos.

Resolvemos problemas de filhos,mae,vizinhos,parentes,amigos,irmaos e outros.

E a nossa vida como fica vai chegar um tempo em que envelhecemos e tudo acaba.

E o nosso  pior inimigo em muitas veses somos nós que não observamos o que esta acontecendo em nossa vida e ao derredor.

leia mt 6:33



quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Mulher do Fluxo de Sangue

http://A Cura da Mulher do Fluxo de Sangue

A mulher do fluxo de sangue foi a pessoa que tocou na orla das vestes de Jesus. Ela pensou que poderia ser curada sem que Jesus a percebesse. A história da cura da mulher do fluxo de sangue está registrada nos três (Mateus 9:20-22; Marcos 5:25-34; Lucas 8:43-48).

É interessante notar que o milagre sobre a mulher do fluxo de sangue ocorreu quando Jesus estava indo realizar outro milagre. Ele estava a caminho da casa de Jairo, cuja filha até então estava em estado terminal, quando essa mulher tocou suas vestes. http://

Quem era a mulher do fluxo de sangue?

A Bíblia não registra o nome da mulher que tinha o fluxo de sangue. Tudo o que se sabe é que provavelmente ela era uma moradora da cidade de Cafarnaum. Antes de se encontrar com Jesus, ela já havia sofrido por doze anos de uma hemorragia.

Alguns estudiosos entendem que o fluxo sanguíneo daquela mulher era constante; já outros entendem que a hemorragia não era necessariamente constante, mas certamente era frequente. Então periodicamente ela sofria com a perda excessiva de sangue.

Seja como for, aquela hemorragia lhe deixava debilitava fisicamente. Além disso, o fluxo de sangue também a tornava impura segundo a Lei Mosaica (Levítico 15:19). Dessa forma, aquela mulher enfrentava uma série de privações religiosas e sociais.

Ela jamais poderia ir ao Templo em Jerusalém. Tudo o que ela tocava também era visto como imundo. Diante da Lei Levítica, a cama em que ela dormia, a cadeira em que ela se sentava, as coisas que ela usava e as roupas que ela vestia eram todas imundas. Qualquer um que tocasse a mulher do fluxo de sangue era considerado imundo.

A Bíblia também diz que a mulher do fluxo de sangue havia procurado ajuda de todas as formas. Ela gastou tudo o que tinha com os médicos de sua época. Mas nenhum tratamento médico resolveu seu problema e sua saúde piorava cada vez mais ao longo dos doze anos (Marcos 5:25,26). Tudo isso indica a situação desesperadora daquela mulher. Nos últimos doze anos ela havia vivido na solidão, acompanhada da vergonha.

Como a mulher do fluxo de sangue foi curada?

Jesus estava seguindo por um caminho em Cafarnaum cercado por uma grande multidão. Ele já havia curado muitas pessoas naquela região, então era natural que as pessoas o acompanhassem ali. A multidão era tão grande que acabava dificultando sua caminhada. Eram muitos esbarrões e Jesus caminhava apertado e com dificuldade.

A mulher do fluxo de sangue viu em Jesus a oportunidade única de sua vida. Ela creu que se ao menos tocasse em suas vestes sua hemorragia seria estancada. Então ela veio por de trás da multidão e tocou na orla das veste de Jesus, e imediatamente foi curada (Marcos 5:29).

Mas a mulher do fluxo de sangue achou que poderia tocar em Jesus silenciosamente, ser curada e permanecer anônima. Por causa de sua condição, naturalmente ela não desejava se expor publicamente. Tão logo que tocou na orla das vestes de Jesus, a mulher entendeu que tinha sido curada. Talvez por um instante ela provavelmente concluiu que Jesus nunca haveria de percebê-la.

Porém, a mulher do fluxo de sangue estava enganada. Jesus sentiu que alguém havia lhe tocado de forma diferente. Por isso Ele perguntou: “Quem tocou nas minhas vestes?” (Marcos 5:30). Os discípulos acharam que a pergunta de Jesus não fazia sentido. Muitas pessoas estavam tocando o Mestre naquela multidão. Mas Jesus sabia que alguém lhe havia tocado não apenas com as mãos, mas principalmente com a fé.

Aqui vale dizer que, como homem, Jesus de fato não sabia quem havia lhe tocado. Mas como Deus, Ele sabia que em resposta a um toque de fé, poder curador havia saído dele. A natureza divina de Jesus testificou que o milagre havia ocorrido.

A confissão da mulher que tinha um fluxo de sangue

Então a mulher que havia sofrido com o fluxo de sangue escutou a pergunta de Jesus e percebeu que Ele a procurava no meio da multidão. Ela entendeu que não poderia se esconder. Sua fé oculta seria revelada.

A Bíblia diz que naquele momento a mulher se aproximou de Jesus temendo e tremendo, e lhe declarou toda a verdade. Aqui é preciso entender que aquela era uma situação embaraçosa para aquela mulher. De acordo com a cultura de sua época, era inapropriado que ela ficasse em evidência pública. Além disso, ela sabia que sua doença a tornava impura e ela não podia tocar em alguém.

Então ela não sabia exatamente se Jesus iria repreendê-la por causa do que havia sido feito. Mas mesmo assim ela se prostrou diante de Jesus e lhe contou tudo. Provavelmente foi nessa hora que ela explicou o sofrimento que havia enfrentado por doze anos. Mas ao invés de repreendê-la, Jesus a confortou de forma amorosa. Ele disse: “Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz, e fica livre do teu mal” (Marcos 5:34).

Com essas palavras Jesus não apenas garantiu que a saúde da mulher do fluxo de sangue havia sido restaurada, mas também restaurou sua vida social e religiosa. Agora aquela mulher poderia finalmente ir em paz.


Lições da história da mulher do fluxo de sangue

A história da mulher do fluxo de sangue certamente tem muito a nos ensinar. Em primeiro lugar, aprendemos que Jesus é a esperança para os desesperançados. Aquela mulher tinha esgotado todos os seus recursos. Humanamente falando, não havia mais nada que pudesse ser feito a seu favor.

Ela estava presa numa solidão terrível. Ela não tinha paz e era refém da agonia. Aos olhos de todos, a mulher do fluxo de sangue era imunda e não havia esperança de que ela deixasse aquela posição amaldiçoada. Mas aos olhos Jesus, a mulher desprezada que sofria com um fluxo de sangue era tão próxima quanto uma filha.

Em segundo lugar, a história da mulher do fluxo de sangue nos ensina sobre a supremacia da santidade de Cristo. Pela lógica humana, quando algo impuro tem contato com algo limpo, o impuro contamina o que é puro. Um copo de água poluída torna sujo todo um tanque de água potável. Assim, se uma pessoa considerada limpa tivesse contato com algo imundo, ela também seria considerada impura.

Mas com Jesus é diferente. Sua pureza é sem igual! Ele próprio é a fonte da genuína santidade. Quando a mulher do fluxo de sangue lhe tocou Ele não ficou impuro, ao contrário, foi ela quem ficou pura. Por isso mesmo somente Ele pode transformar pecadores impuros e imperfeitos em filhos santificados de Deus, dando-lhes vestes brancas como a neve (Apocalipse 3:5; 7:13,14).

Em terceiro lugar, a história da mulher do fluxo de sangue nos ensina que a fé é um instrumento para a manifestação do poder de Deus. Através da fé, Cristo curou aquela mulher física e espiritualmente. Seu corpo e sua alma foram restaurados. Por isso Ele disse: “A tua fé de salvou”.

Mas isso não significa que essa fé era fruto da própria capacidade pessoal daquela mulher. Muito pelo contrário, o próprio Jesus era a causa dessa fé! Sem Ele a mulher do fluxo de sangue jamais teria possuído e exercitado tamanha fé (cf. Efésios 2:8; Hebreus 12:2). Entenda qual é o significado da fé.

Além disso, ao enfatizar a fé como o instrumento desse milagre, Jesus automaticamente tratou de acabar com qualquer tipo de superstição de que sua peça de roupa teria contribuído para a cura da mulher do fluxo de sangue. Definitivamente quem cura e restaura é Jesus em resposta à fé, e não um tecido ou qualquer objeto supostamente místico ou sagrado.

 

Escola Dominical

A origem da Escola Dominical

Reuniões de estudos bíblicos sempre existiram na Igreja Cristã. Antes mesmo da origem do movimento da Escola Dominical as denominações reformadas já ministravam estudos bíblicos dominicais. Mas especificamente a Escola Dominical teve origem na Inglaterra no século 18. A Escola Dominical surgiu com o objetivo de alfabetizar crianças que não podiam ir à escola durante a semana devido ao trabalho que executavam nas fábricas. No domingo, porém, essas crianças ficavam desocupadas pelas ruas de perigosos bairros ingleses da época. Isso fazia crescer os índices de menores envolvidos em vícios e crimes.

Então o britânico Robert Raikes percebeu essa deficiência e combinou o ensino da Palavra de Deus com a preocupação social. A ideia básica era usar a Bíblia como meio de ensinar aquelas crianças com poucos a oportunidades a ler e a escrever.

As primeiras classes de Escola Dominical foram formadas predominantemente por crianças e adolescentes com faixa etária entre seis e quatorze anos. Apesar de a Escola Dominical ter nascido de forma independente das igrejas, os alunos eram encaminhados às comunidades cristãs locais para participarem de catecismos.

O movimento da Escola Dominical rapidamente se espalhou por todo reino unido e alcançou outros países da Europa até chegar aos Estados Unidos e mais tarde aos países da América Latina, especialmente o Brasil.

Atualmente a Escola Bíblica Dominical é ministrada nas mais diversas denominações protestantes, como: Igrejas Presbiterianas, Batistas, Metodistas, Pentecostais como a Assembleia de Deus etc.

As aulas da Escola Bíblica Dominical

As aulas da Escola Bíblica Dominical devem ser ministradas por membros das comunidades cristãs locais devidamente preparados e capacitados para tal tarefa. A Escola Bíblica Dominical fundamentalmente tem o objetivo de ensinar as doutrinas bíblicas.

A Bíblia é a Palavra de Deus. Ela é inerrante, infalível e autoritativa. Por isso as aulas da Escola Bíblica Dominical devem ser ministradas com devido conhecimento e sabedoria.

Uma aula da Escola Dominical mal preparada ou liderada por pessoas inadequadas pode trazem muito prejuízo à congregação. As aulas da Escola Bíblica Dominical devem fornecer um conteúdo extremamente claro e objetivo acerca das Escrituras.

Independentemente se a classe da Escola Dominical for formada por adultos, adolescentes ou crianças, a história e a doutrina bíblica devem ser ensinadas de forma planejada. A perspectiva do ensino bíblico na Escola Dominical deve ser muito bem definida.

 

Resumo do Livro de Atos dos Apóstolos

Resumo do Livro de Atos dos Apóstolos

O resumo do livro de Atos dos Apóstolos mostra como foi o início da Igreja Cristã a partir de Jerusalém e a expansão do Evangelho pelo mundo gentílico. Atos dos Apóstolos foi escrito pelo evangelista Lucas, que além de ter sido um excelente historiador, também foi testemunha ocular de grande parte da história registrada no livro.

Algo que chama a atenção no resumo do livro de Atos dos Apóstolos é a interrupção repentina de sua história. O conteúdo do livro abrange desde os dias seguintes à ressurreição e ascensão de Jesus Cristo aos Céus até a década de 60 d.C.

O início da Igreja Cristã (Atos 1—2)

A primeira parte do livro de Atos dos Apóstolos mostra o início da Igreja Cristã em Jerusalém e sua capacitação pelo Espírito Santo para testemunhar ao mundo às boas-novas da salvação em Jesus Cristo.

O livro começa relatando a ascensão de Jesus aos céus (Atos 1:1-11). Em seguida, Atos registra a escolha do apóstolo que deveria ocupar o lugar deixado pelo traidor Judas Iscariotes no colégio apostólico, e o escolhido foi Matias, um homem que pertencia ao grupo mais amplo dos seguidores de Jesus, pois ele acompanhou todo o seu ministério terreno e foi testemunha de sua ressurreição e ascensão aos céus (Atos 1:12-26).

Já o capítulo 2 de Atos dos Apóstolos descreve algo extraordinário: a vinda do Espírito Santo no dia de Pentecoste. Isso significa que cinquenta dias depois da morte e ressurreição de Jesus, o Espírito Santo foi derramado sobre os crentes, se cumprindo uma série de promessas desde o Antigo Testamento.

Naquele tempo os cristãos estavam reunidos em Jerusalém conforme a ordenança de Jesus. Quando o Espírito Santo foi derramado sobre eles, houve o som de um vento muito forte, línguas como de fogo foram vistas sobre as cabeças dos crentes e repletos do Espírito Santo eles começaram a falar em outros idiomas à medida que o Espírito lhes dava habilidade para isto. Como resultado disso, pessoas de todas as partes, desde a Pérsia até Roma, ouviram a proclamação das maravilhas de Deus cada um em sua própria língua natal (Atos 2:1-13).

Naquele mesmo dia, ainda pela manhã, o apóstolo Pedro se levantou e pregou o Evangelho poderosamente, e cerca de três mil pessoas foram convertidas. Aqui é impossível não se lembrar de que o Pentecoste era a Festa da Colheita, algo que nos remete a um significado muito profundo, porque o derramamento do Espírito Santo naquele dia apontava para a grande colheita de Deus, e um sinal disto foi a forma como essas três mil pessoas foram colhidas por Deus das trevas para a luz (Atos 2:14-41).

Em seguida, o capítulo 2 de Atos termina mostrando a grande comunhão entre os cristãos na Igreja Primitiva, enquanto diariamente mais pessoas iam sendo convertidas a Cristo (Atos 2:42-47).

A Igreja em Jerusalém (Atos 3—5)

Os capítulos seguinte de Atos dos Apóstolos descrevem o testemunho cristão em Jerusalém, com a Igreja sendo liderada pelos apóstolos. No início do capítulo 3, lemos sobre a cura de um mendigo aleijado através de Pedro e João (Atos 3:1-10).

Em seguida, ocorreu a pregação de Pedro no Templo de Jerusalém com grande ênfase na ressurreição de Jesus (Atos 3:1-26). Enquanto Pedro ainda pregava, os sacerdotes, o capitão da guarda do templo e os saduceus, chegaram muito perturbados e prenderam os dois apóstolos, levando-os ao Sinédrio no dia seguinte. Com firmeza, os apóstolos não aceitaram a coação do Sinédrio, e não tendo como castigá-los, o Sinédrio libertou os dois apóstolos sob ameaça. Mas àquela altura cerca de cinco mil homens já tinham crido no Evangelho, o que talvez signifique cinco mil unidades familiares (Atos 4:1-22).

Após terem sido soltos, Pedro e João voltaram para o grupo cristão e contaram tudo o que havia ocorrido. Imediatamente todos levantaram juntos suas vozes em oração a Deus, e depois de orarem o texto diz que o lugar em que estavam reunidos tremeu, e todos ficaram repletos do Espírito Santo e corajosamente continuaram anunciando a Palavra de Deus (Atos 4:23-31).

Na sequência o livro de Atos dos Apóstolos faz referência à vida dos cristãos em comunidade na cidade de Jerusalém. Os crentes auxiliavam uns aos outros, repartindo seus bens, de modo que ninguém passava necessidade (Atos 4:32-37). Foi nesse contexto que os oportunistas Ananias e Safira tentaram enganar a Igreja e mentir ao Espírito Santo, e tiveram um final trágico (Atos 5:1-11).

Na continuação do relato de Atos, somos informados que muitos sinais e maravilhas foram realizados pelos apóstolos entre o povo, e muitos doentes foram curados (Atos 5:12-16). Tudo isto gerou grande inveja nos líderes judaicos da época, e eles mandaram prender os apóstolos numa prisão pública. Mas durante a noite um anjo do Senhor abriu as portas da prisão e disse aos apóstolos que continuassem pregando no Templo (Atos 5:17-20).

Os apóstolos obedeceram a instrução do anjo do Senhor, e logo pela manhã entraram no pátio do Templo para pregar. Os sacerdotes ficaram perplexos pela forma como os apóstolos conseguiram sair da prisão, mas naquele mesmo dia novamente eles foram levados ao Sinédrio para um interrogatório, onde antes de serem libertados foram açoitados e ameaçados por pregarem o Evangelho de Cristo (Atos 5:21-42).

Os primeiros diáconos e o martírio de Estêvão (Atos 6—7)

No capítulo seguinte, o livro de Atos registra que houve um conflito interno na Igreja de Jerusalém, onde parece que as viúvas dos judeus helenistas estavam sendo negligenciadas na distribuição de alimento. Então, foram escolhidos sete diáconos para cuidarem desse problema, enquanto os apóstolos poderiam se dedicar exclusivamente ao ministério da Palavra (Atos 6:1-7).

Um dos sete diáconos pela Igreja escolhidos foi um homem chamado Estêvão, que se tronou também o primeiro mártir cristão. Ele realizou grandes maravilhas e sinais no meio povo, até que foi preso e apedrejado depois de ter discursado poderosamente perante o Sinédrio. Durante o apedrejamento de Estêvão um jovem chamado Saulo estava presente, e esta é uma informação muito importante para a história dos próximos capítulos (Atos 6:8-7:60).

A perseguição aos cristãos e o ministério de Filipe (Atos 8)

Após a morte de Estêvão, uma grande perseguição aos cristãos foi deflagrada em Jerusalém. Como resultado, todos exceto os apóstolos foram dispersos pelas regiões da Judeia e de Samaria. Um dos líderes dessa perseguição era justamente Saulo, sobre quem o texto diz que devastava a Igreja, indo de casa em casa para prender homens e mulheres que criam em Jesus (Atos 8:1-3).

De uma forma misteriosa, o Senhor usou essa perseguição para o crescimento da Igreja. Os cristãos que foram dispersos começaram a pregar o Evangelho em outras cidades. Um exemplo disso é o ministério do também diácono Filipe, que anunciou a Cristo em Samaria.

Obedecendo a orientação divina através de um anjo, Filipe ainda pregou e batizou a um importante oficial etíope que passava por uma estrada deserta que descia de Jerusalém a Gaza. Depois, ele foi repentinamente arrebatado pelo Espírito do Senhor, aparecendo em Azoto, e pregando o Evangelho em todas as cidades que passava indo para Cesareia (Atos 8:4-40).

A conversão de Saulo de Tarso (Atos 9:1-30)

O capítulo 9 registra um evento importante na história de Atos que marca o início da transição do foco principal da história cristã da Judeia para o mundo gentílico. No início do capítulo encontramos a conversão de Saulo, quando estava indo a Damasco para perseguir os cristãos.

Pela graça de Deus, o perseguidor da Igreja se tornou pregador do Evangelho, e ao invés de prender cristãos em Damasco, passou a proclamar na cidade a divindade de Jesus. Saulo permaneceu um tempo em Damasco, mas teve de fugir porque os judeus queriam tirar-lhe a vida. Ele ficou uns dias em Jerusalém e depois foi para Tarso, sua terra natal (Atos 9:1-30).

Visita do apóstolo Pedro a Jope e a história de Cornélio (Atos 9:31—11:18)

Naqueles dias a Igreja do Senhor crescia. O apóstolo Pedro desceu a Lida, onde um homem paralítico foi curado, e depois foi a Jope, onde uma cristã chamada Dorcas foi ressuscitada. O apóstolo ficou em Jope muitos dias (Atos 9:31-43).

Nesse contexto, um centurião romano temente a Deus chamado Cornélio, recebeu uma visão angelical instruindo-o a buscar Pedro em Jope. Ao mesmo tempo, Pedro também teve uma visão envolvendo animais limpos e impuros, preparando-o a compreender que Deus não faz distinção entre judeus e gentios. Em seguida, Pedro foi à casa do centurião romano onde pregou o Evangelho, e o Espírito Santo foi derramado sobre os que estavam ali, atestando oficialmente a entrada dos gentios como parte da Igreja de Cristo (Atos 10:1-48).

Quando Pedro retornou a Jerusalém, ele se explicou perante a Igreja, justificando sua decisão de entrar na casa de gentios e batizá-los. Após ouvir o relato, a Igreja reconheceu que Deus concedeu arrependimento também aos gentios (Atos 11:1-18).

A igreja em Antioquia e o martírio do apóstolo Tiago (Atos 11:19—12:24)

Depois, a sequência do capítulo 11 de Atos dos Apóstolos mostra como o Evangelho prosperou em Antioquia. Os cristãos dispersos pela perseguição começam a pregar aos gentios naquela cidade, formando uma igreja que se tornaria um grande polo missionário. Nesse contexto, Barnabé foi enviado para supervisionar o trabalho em Antioquia, e trouxe Saulo de Tarso para ajudar no ministério ali (Atos 11:19-30).

Já o capítulo 12 registra mais uma perseguição aos cristãos, dessa vez promovida diretamente pelo rei Herodes Agripa I. Foi nessa perseguição que Tiago se tornou o primeiro apóstolo a ser martirizado. Herodes também prendeu Pedro, mas um anjo o libertou de forma milagrosa, enquanto a Igreja continuava orando fervorosamente. Por fim, Herodes acabou morrendo comido por vermes após aceitar adoração como um deus (Atos 12:1-24).

A primeira viagem missionária de Paulo (Atos 12:25—14:28)

A sequência do texto de Atos dos Apóstolos registra a Primeira viagem missionária de Paulo, quando o apóstolo e Barnabé foram enviados pela igreja de Antioquia para levar o Evangelho às regiões gentílicas da Galácia, na Ásia Menor (Atos 12:25—14:28).

Durante essa vigem os missionários passaram pela Ilha de Chipre, onde Paulo confrontou um mágico chamado Elimas, e um importante oficial romano chamado Sérgio Paulo foi convertido. Foi neste ponto da história que Lucas, o autor de Atos, passou a designar o apóstolo dos gentios pelo seu nome romano, Paulo. Até este ponto João Marcos, escritor do segundo Evangelho, estava auxiliando na viagem, mas por algum motivo decidiu retornar a Jerusalém.

Os missionários também visitaram Antioquia da Pisídia, Icônico, onde muitos judeus e gentios foram convertidos, além de Listra e Derbe. Àquela altura a oposição aos trabalho missionário já tinha se intensificado na região. Em Listra, por exemplo, Paulo curou um paralítico e foi confundido com um deus, mas depois acabou sendo apedrejado pela multidão.

O Concílio de Jerusalém e a separação de Paulo e Barnabé (Atos 15:1-39)

No capítulo 15 o livro de Atos dos Apóstolos registra a primeira crise teológica da Igreja, envolvendo a questão da adoção de práticas judaicas, como a circuncisão, pelos crentes gentios. Esse debate levou a um concílio apostólico em Jerusalém, e os líderes da Igreja decidiram que os gentios não precisariam seguir os costumes judaicos para se tornarem cristãos (Atos 15:1-35).

O capítulo 15 de Atos também relata o desentendimento entre Paulo e Barnabé, que decidiram se separar por divergências envolvendo a continuidade de João Marcos na equipe missionária. Esta separação, embora dolorosa, resultou na multiplicação do trabalho evangelístico, pois ambos formaram duas equipes missionárias (Atos 15:36-39).

A segunda viagem missionária de Paulo (Atos 15:40—18:22)

O apóstolo Paulo iniciou sua segunda viagem missionária partindo de Jerusalém acompanhado por Silas. Essa segunda viagem levou o Evangelho pela primeira vez ao continente europeu (Atos 15:36-18:22). Foi durante a passagem dos missionários por Listra que o jovem Timóteo se juntou a eles.

O texto bíblico também informa que o apóstolo Paulo teve uma visão que o direcionou para a Macedônia e Acaia, atual região da Grécia. Então, a evangelização da Europa começou. Em Filipos, Lídia, uma comerciante de púrpura, tornou-se a primeira convertida europeia registrada, e sua casa se tornou o centro da nova igreja filipense. Em Filipos Paulo e Silas foram presos, mas um terremoto abriu as portas da cadeia, e o resultado foi que o carcereiro se converteu com toda sua família (Atos 16:16-40).

Paulo também pregou em Tessalônica, onde muitos gentios foram convertidos, mas por causa da oposição judaica teve de sair da cidade (Atos 17:1-9). Ele visitou Bereia, onde os bereanos recebem a mensagem com grande interesse, examinando diariamente as Escrituras. Contudo, a perseguição vinda de Tessalônica obrigou Paulo a partir novamente (Atos 17:10-15).

Depois, no Areópago de Atenas, Paulo fez seu famoso discurso sobre o “Deus desconhecido” aos filósofos gregos (Atos 17:16-34). Paulo também visitou Corinto, permanecendo dezoito meses na cidade. Ali, ele trabalhou como fabricante de tendas com Áquila e Priscila enquanto pregava o Evangelho e estabelecia uma igreja local na cidade (Atos 18:1-17). Paulo encerrou sua segunda viagem missionária retornando a Antioquia da Síria via Jerusalém. Esta jornada consolidou o trabalho evangelístico na Ásia Menor e na Grécia (Atos 18:18-22).

A terceira viagem missionária de Paulo (Atos 18:23—21:16)

Paulo iniciou sua terceira e mais longa jornada missionária, focando no fortalecimento das igrejas já estabelecidas. Muitos estudiosos acreditam que esta viagem durou aproximadamente quatro anos. O apóstolo visitou a Galácia pela terceira vez, e depois permaneceu em Éfeso por mais de dois anos, até que viajou novamente para a Macedônia e Acaia, permanecendo ali três meses (Atos 18:23-21:16).

Durante o contexto dessa viagem, o eloquente Apolo, que mais tarde se tornaria um influente pregador em Corinto, foi instruído no Evangelho por Priscila e Áquila em Éfeso. Já em Trôade, um jovem chamado Êutico morreu ao cair de uma janela durante um longo sermão de Paulo, mas foi milagrosamente ressuscitado. Em Mileto, Paulo se despediu dos presbíteros de Éfeso, num momento de grande emoção que marcou o fim de seu ministério na Ásia Menor.


O apóstolo Paulo em Jerusalém (Atos 21:17—23:30)

Apesar dos avisos sobre prisão e sofrimentos, Paulo determinadamente seguiu para Jerusalém. Antes, ele passou por Cesareia, onde ficou alguns dias e visitou o evangelista Filipe. Ao chegar a Jerusalém, Paulo foi calorosamente recebido pelos cristãos (Atos 21:1-26).

Contudo, judeus da Ásia acusaram Paulo de profanar o Templo, incitando uma multidão violenta. Os soldados romanos tiveram de intervir para salvar Paulo de ser linchado pela multidão enfurecida (Atos 21:27-36).

Antes de ser conduzido à prisão, Paulo recebeu permissão para falar à multidão e relatou sua conversão em hebraico. A multidão o ouviu até ele mencionar sua missão aos gentios, quando explodiram em fúria (Atos 21:37-22:21).

Em seguida, quando estava prestes a ser açoitado, Paulo revelou sua cidadania romana, causando grande preocupação às autoridades. Sua cidadania o protegia de torturas ilegais (Atos 22:22-29).

No dia seguinte, Paulo compareceu ao Sinédrio e provocou divisão entre fariseus e saduceus mencionando a ressurreição. O tumulto resultante obrigou os soldados a retirarem-no para sua segurança (Atos 22:30-23:11).

Contudo, mais de quarenta judeus fizeram um juramento de matar Paulo, mas o sobrinho do apóstolo descobriu o plano, e o comandante romano foi imediatamente informado da conspiração (Atos 23:12-22). Então, com uma escolta de 470 soldados, Paulo foi secretamente transferido para Cesareia durante a noite.

A prisão de Paulo em Cesareia (Atos 23:31—26:32)

Em Cesareia, o governador Félix assumiu o caso e ordenou que Paulo fosse mantido sob guarda (Atos 23:23-35). Félix ouviu as acusações contra Paulo, mas não encontrou evidências de crime capital. Por dois anos, manteve Paulo preso esperando suborno, mas não conseguiu nada (Atos 24:1-27).

O novo governador Festo, que sucedeu Félix, reabriu o caso, mas Paulo apelou para César diante da pressão para julgá-lo em Jerusalém. Esta apelação garantiu sua viagem a Roma (Atos 25:1-12).

Festo consultou o rei Agripa sobre o caso de Paulo, admitindo não encontrar crimes dignos de morte. Agripa demonstrou interesse em ouvir pessoalmente o famoso prisioneiro. Paulo apresentou sua defesa mais eloquente diante do rei Agripa, relatando detalhadamente sua conversão e chamado. Agripa admitiu que Paulo quase o convenceu a se tornar cristão (Atos 25:13-26:32).

A viagem de Paulo a Roma (Atos 27:1—28:16)

Depois do tempo em Cesareia, Paulo embarcou como prisioneiro em direção a Roma acompanhado por Lucas e Aristarco. Um centurião chamado Júlio tratou Paulo com bondade durante a primeira parte da viagem (Atos 27:1-12).

Contudo, uma violenta tempestade ameaçou destruir o navio, mas Paulo encorajou a todos profetizando que ninguém morreria. Após quatorze dias à deriva, o navio naufragou em Malta, mas todos se salvaram (Atos 27:13-44).

Os habitantes de Malta mostraram bondade incomum aos náufragos, especialmente depois que Paulo sobreviveu à picada de uma víbora e realizou muitas curas na ilha (Atos 28:1-10). Após três meses em Malta, Paulo finalmente chegou a Roma, onde foi recebido por irmãos cristãos. Isso fortaleceu grandemente o ânimo do apóstolo para enfrentar os desafios vindouros (Atos28:11-16).

A prisão de Paulo em Roma e um final inesperado (Atos 28:17-31)

Paulo ficou em prisão domiciliar em Roma, mas pôde pregar livremente por dois anos, recebendo todos que o procuravam. Neste ponto o livro de Atos termina abruptamente, e essa linha do tempo é estranhamente interrompida (Atos 28:17-31).