terça-feira, 17 de março de 2026

Deuteronômio




O nome do livro de Deuteronômio, ou "segunda lei", sugere sua
natureza e propósito. Figura, segundo consta em nossas Bíblias, como o
último dos cinco livros de Moisés, fazendo um resumo e pondo em
relevo a mensagem que os quatro livros precedentes contém. Não
significa isto que se trata de mera repetição do que ficou dito
anteriormente. Sem dúvida, Deuteronômio faz parte dos acontecimentos
históricos que se deram previamente, em particular no Êxodo e em
Números. Contudo vai além destes relatos visto que os interpreta e os
adapta.
Através deste livro, os acontecimentos estão repletos de significado.
Moisés proporciona-nos bastante história; mas em quase todos os casos
relaciona os acontecimentos com a lição espiritual que sublinham. Toma
a legislação que Deus dera a Israel havia quase 40 anos, e adapta-se às
condições de vida da coletividade na terra para a qual Israel se mudaria
em breve.
Quando este livro foi escrito, a nação de Israel se encontrava na terra de
Moabe, ao leste do rio Jordão e do mar Morto. Numa oportunidade
anterior, Israel havia falhado, por falta de fé, ao não entrar na Palestina.
Agora, 38 anos depois, Moisés reúne o povo escolhido e procura
infundir-lhe fé que capacitará a avançar em obediência. Diante deles
está a herança. Os perigos, visíveis e invisíveis, jazem além.
Acompanha-os se Deus, a quem chegaram a conhecer melhor durante
suas experiências na península do Sinai, península deserta e escarpada.
Moisés compreende, corretamente, que os maiores perigos que os
assediam estão na esfera da vida espiritual; sendo assim, sua
mensagem acentua o aspecto espiritual. O Senhor Deus deles, é o único
Senhor; foi ele quem os libertou da escravidão. Deu-lhes a lei. Selou
uma aliança com eles. São o seu povo. O Senhor exige devoção e
adoração exclusivas. Seus caminhos são conhecidos do povo. Mediante
longa experiência, Israel aprendeu que o Senhor honra a obediência e
castiga a transgressão. Agora, em um novo sentido, Israel age por sua
própria conta, sob a direção do Senhor e em sua própria casa.
O livro abrange toda uma gama de perguntas que surgem desta nova
fase da vida de Israel. Sua atitude para com o Senhor é, naturalmente, o
principal problema. Moisés, com toda a diligência de que é capaz,
convida Israel a confiar de todo o coração no Senhor, e a fazer das leis
divinas a força diretriz de suas vidas. Esta lei, se obedecida, infundirá
vida e fará que os israelitas sejam povo destacado entre todas as
nações. Receberão bênçãos, e as nações reconhecerão que seu Deus é
Senhor. Porém, se Israel imitar a conduta das nações vizinhas,
esquecendo-se de seu Deus, então sobre virá a aflição, e finalmente será
espalhada entre os povos.
Através do livro todo acentua-se a fé somada a obediência. Em um
sentido verdadeiro, esta é a chave do livro.
Autor:
Nas páginas do livro de Deuteronômio se declara que Moisés é o autor
dos discursos que abrangem a maior parte da obra. É evidente que a
narrativa de sua morte, que consta do final do livro, foi escrita por outro
autor, mui provavelmente Josué. Daí que é inteiramente apropriado
referir-se a Deuteronômio como o quinto livro de Moisés.



A Parábola do Rico e Lázaro

O Rico e Lázaro é um relato de Jesus registrado apenas no Evangelho de Lucas 16:19-31. Alguns consideram essa narrativa como sendo uma das parábolas de Jesus. Outros entendem que a história do rico e o mendigo é um relato verídico.

Neste texto, conheceremos a explicação da a história do rico e Lázaro. Também meditaremos sobre as lições importantes que podemos aprender através das palavras de Jesus.

O resumo da Parábola do Rico e Lázaro

Em certa ocasião de seu ministério, Jesus contou a história de um rico e um mendigo. Essa história também é conhecida como a Parábola do Rico e Lázaro. O rico se vestia de púrpura e linho finíssimo, e vivia esplendidamente, com fartura e banquetes diários.

Havia também um mendigo, um homem que vivia de forma completamente oposta ao rico. Esse mendigo “desejava se alimentar das migalhas que caíam da mesa do rico” (Lucas 19:21). Talvez por conta da condição precária em que vivia, ele era portador de uma doença de pele. Seu corpo era coberto de feridas, as quais os cães vinham lambê-las.

Num determinado momento, o rico e o mendigo morreram. A alma do mendigo foi amparada pelos anjos do Senhor e conduzida ao céu para estar junto de Abraão. Já o rico foi sepultado e sua alma foi para o Hades, onde estava em constante tormento.

Então o rico clamou a Abraão pedindo que o mendigo molhasse pelo menos a ponta do dedo na água e lhe refrescasse a língua. No entanto, Abraão lhe advertiu que isso não seria possível. Ele lhe fez lembrar-se do tipo de vida que ele teve enquanto estava vivo na Terra. Além do mais, Abraão também lhe informou que havia um grande abismo entre eles, de modo que o mendigo não podia ir até onde ele estava e vice e versa.

O rico também suplicou para que Abraão mandasse o mendigo à casa de seu pai. Ele queria que Lázaro avisasse seus irmãos sobre aquele lugar de tormento, a fim de que pudessem se arrepender e evitar ter o mesmo fim que ele estava experimentando.

Todavia, Abraão lhe respondeu que eles tinham acesso a Moisés e os profetas, ou seja, as Escrituras. Se eles não ouviam os mandamentos do Senhor claramente expressos em sua Palavra, também não iriam ouvir alguém que ressuscitasse dos mortos.

O rico e Lázaro é uma parábola?

Como dissemos, existe muita discussão entre os estudiosos se a história do rico e Lázaro é realmente uma parábola. O principal ponto de discussão acontece pelo fato de Jesus ter nomeado o mendigo, no caso, Lázaro.

Esse é o único relato de Jesus registrado nos Evangelhos em que Ele atribui um nome para um dos personagens. Portanto, caso se trate de uma parábola, o rico e o Lázaro é a única parábola onde o nome de um dos personagens fictícios foi revelado.

Uma coisa que precisa ser ressaltada é que o relato do rico e Lázaro transmite ensinamentos importantíssimos independentemente de ser ou não uma parábola. Devemos nos lembrar de que as parábolas de Jesus transmitem, por meio de ilustrações, ensinamentos e princípios reais.

Isso é importante porque algumas pessoas tentam anular verdades fundamentais do ensino do Senhor nesse relato. Por exemplo, alguns negam a realidade do inferno e a consciência após a morte. Eles tentam se apoiar na desculpa de que o relato é uma parábola.

Há indícios de que esse relato realmente não seja uma parábola, porém é impossível resolvermos definitivamente essa questão. Como a posição mais amplamente aceita é a de que a história do rico e Lázaro deve ser classificada como uma parábola, então neste texto iremos nos referir a ela desta maneira.

O contexto da Parábola do Rico e Lázaro

Não é possível afirmar com toda certeza a exata ocasião no ministério de Jesus em que a Parábola do Rico e Lázaro foi contato. No entanto, podemos claramente perceber uma conexão entre essa parábola e os versículos que a precedem, incluindo a Parábola do Administrador Infiel, registrada no mesmo capítulo.

Indo ainda mais além, também podemos identificar um tipo de sequência dos ensinamentos abordados ainda no capítulo anterior (15).

No capítulo 15, encontramos advertências do Senhor Jesus sobre a atitude incorreta no trato com as pessoas. Os perdidos que eram desprezados pelos escribas e fariseus, eram muito importantes para Deus, de modo que Ele mesmo busca ativamente tais pecadores e se alegra quando um destes se arrepende. Esse é um ensino presente nas três parábolas do capítulo: Parábola da Ovelha Perdida, Parábola da Dracma Perdida e a Parábola do Filho Pródigo.

Já no capítulo 16 lemos as advertências contra o uso incorreto e pecaminoso das possessões (riquezas, bens e propriedades). Jesus é claro ao afirmar que “não se pode servir a Deus e a Mamom” (Lucas 16:). Leia mais sobre o que significa Mamom.

Com base nesse ensino, é possível entendermos que a Parábola do Rico e Lázaro é um tipo de clímax do ensino de Jesus presente nestes dois capítulos. Nela, ele adverte, de uma só vez, sobre o uso indevido das riquezas e sobre o modo desprezível de se tratar o próximo.

O homem rico dessa parábola cometeu todos os erros descritos por Jesus nos versículos anteriores. Ele fatalmente serviu às suas riquezas e desprezou os mandamentos de Deus. Seu modo de vida era egoísta, de modo que ele era “repugnante aos olhos de Deus” (Lucas 16:15).

Como os escribas e fariseus estavam ouvindo as palavras de Jesus registradas nos versículos anteriores. Eles questionaram Jesus por estar cercado por publicanos e pecadores. Depois, começaram a zombar dele diante de sua censura ao amor às posses materiais. Portanto, é claro que essa parábola foi direcionada a eles. Assim, a figura do rico é uma representação perfeita destes religiosos.

Explicação da Parábola do Rico e Lázaro

Creio que nesse ponto já seja possível entender, de maneira geral, o ensino principal da Parábola do Rico e Lázaro. No entanto, para que a explicação fique bastante clara, vamos conhecer um pouco melhor os dois personagens citados nessa narrativa.

O rico

Jesus fornece dados suficientes para entendermos que aquele homem era muito rico. Ele se vestia de “púrpura e linho fino”. Essa tintura púrpura era bastante cara, e era obtida de um molusco. Uma túnica de púrpura era um traje digno de realeza.

Embaixo da túnica de púrpura ele usava linho fino. Além das roupas, aquele homem vivia uma vida de ostentação, participando de festas e banquetes diários. Ele não se importava nenhum pouco com a condição de seu próximo. O rico da parábola era o egoísmo em pessoa.

Quando o rico morreu, Jesus mencionou seu sepultamento. Aqui devemos entender como uma referência a um funeral propício a toda ostentação que aquele homem esbanjou em vida. Ele viveu de forma luxuosa, e sem dúvida seu sepultamento fez jus a sua importância.

Apesar de toda sua riqueza, curiosamente não sabemos seu nome. Jesus não se preocupou em nos informar esse detalhe. Para nosso Mestre, o nome do rico não tinha qualquer importância. Por outro lado, o nome do mendigo que desejava comer as migalhas de sua mesa ficou marcado na História: Lázaro. Jesus se preocupou em revelar o nome daquele pobre homem.

Após a morte, o rico foi para um lugar de tormento. A palavra que aparece originalmente é o grego Hades. Esse termo possui diferentes significados que dependem do contexto. Neste caso específico, a tradução correta é inferno, ou seja, o inferno em seu estado intermediário. A referência é a um lugar de tormento onde a alma do ímpio é atormentada enquanto aguarda a ressurreição do corpo para, após o juízo final, ser lançado no lago de fogo, isto é, o inferno em seu estado final. Saiba mais sobre o significado de Hades.

O comportamento do ímpio no inferno é bastante interessante. Completamente atormentado, ele pediu para que Abraão fizesse com que Lázaro molhasse o dedo na água e colocasse em sua língua. Depois, ele também pediu para que Abraão mandasse Lázaro à casa de seu pai para fazer com que seus cinco irmãos se arrependessem.

Você consegue perceber que mesmo após a morte o rico continuou com seu comportamento egoísta? Você percebe que ele continuava tratando Lázaro como um servo, um garoto de recado?

Outra coisa interessante é que o rico sabia muito bem quem era Lázaro. Ele admite conhecer pelo nome o mendigo que ficava jogado à sua porta esperando por compaixão. Suas palavras no além apenas confirmaram o quanto ele negligenciou a Palavra de Deus. Ele não amou a Deus sobre todas as coisas, muito menos seu próximo como a si mesmo.

Lázaro, o mendigo

Lázaro é um nome latino que deriva do grego Lazaros, que, por sua vez, é uma transliteração do nome hebraico Eleazar, que significa “Deus tem socorrido” ou “Deus ajuda”. Se caso esse relato realmente for uma parábola, então existe a possibilidade de Jesus ter utilizado esse nome justamente para indicar que aquele mendigo, mesmo com todos os problemas e provações que enfrentou durante a vida, tinha depositado toda sua confiança em Deus.

Lázaro morreu, e diferentemente do rico, nada é dito sobre seu sepultamento. Ele não recebeu nenhuma honra terrena, nem mesmo de maneira póstuma. Todavia, algo muito mais importante e glorioso do que isto é dito sobre sua alma: Lázaro foi levado pelos anjos para estar na companhia de Abraão no Paraíso.

Note o contraste impressionante: o mendigo que aqui na terra desejava comer migalhas e tinha por companhia os cães que lambiam suas feridas, agora estava no céu, reclinado à mesa celestial juntamente com Abraão (cf. Mateus 8:11).

Algumas pessoas erroneamente entendem que a expressão “seio de Abraão” designa um lugar temporário, onde os santos esperam a ressurreição de seus corpos. Na verdade esse conceito não existe nas Escrituras, e essa expressão apenas faz referência ao favor especial alcançado por aquele mendigo. Enquanto na terra ele era rejeitado, no céu ele estava junto de Abraão, reclinado sobre ele, assim como o apóstolo João também fazia com Jesus (João 13:25).

Também devemos ressaltar que Abraão é considerado na Bíblia como o grande patriarca do povo judeu. Mas não apenas isto, ele também é considerado como o pai de todos os redimidos que creem em Jesus (Rm 4:11).

Outra coisa interessante é o fato de que no relato, Lázaro não pronuncia uma única palavra, nem enquanto estava vivo, nem mesmo após a morte. Diferentemente do rico, Lázaro em nenhum momento precisa tentar se auto justificar.

Lições da Parábola do Rico e Lázaro

São muitas as lições que podemos tomar desse relato sobre o rico e Lázaro. Antes, precisamos enfatizar que o significado principal da Parábola do Rico e Lázaro é a advertência contra a avareza. A verdade de que as riquezas terrenas de nada valerão na eternidade fica muito clara no texto. Essa parábola é um convite ao arrependimento enquanto ainda há tempo. Após a morte nada mais poderá ser feito.

Estabelecido esse ensino principal, agora podemos pontuar algumas lições derivadas desse princípio:

1. O problema não é ser rico: não existe nenhuma passagem bíblica que ensina que é pecado ser rico. O que a Palavra de Deus condena é o amor ao dinheiro. Não se pode servir a Deus e as riquezas.

Muitos personagens bíblicos foram ricos, como por exemplo, José de Arimateia, um homem que viveu nos dias de Jesus. O ensino bíblico é de que alguém é verdadeiramente rico quando compartilha suas bênçãos materiais e espirituais com os necessitados.

2. A auto justificação não pode livrar ninguém: como vimos, essa parábola foi direcionada aos fariseus, pessoas que achavam que poderiam se apoiar na justiça própria. Eles chamavam Abraão de pai, assim como o rico, e pensavam que por sua linhagem tinham um lugar garantido no Paraíso.

A Palavra de Deus nos revela que é somente através da justificação pela fé em Jesus Cristo que poderemos desfrutar da bem-aventurança eterna (Romanos 5:1)

3. Após a morte, nada mais poderá ser feito: mesmo que o relato do rico e Lázaro for identificado como sendo uma parábola, não podemos negar, de forma alguma, que verdades definitivas acerca da vida por vir são reveladas muito claramente.

Esse texto nos ensina que não existe qualquer possibilidade de comunicação entre vivos e mortos. Nem mesmo é possível alterar a condição de condenação eterna após a morte. A condição de bem-aventurança, como a de Lázaro, ou a de condenação, como a do rico, está fixada para sempre. A oportunidade de vivermos uma vida de acordo com a vontade de Deus deve ser aproveitada agora.

4. O sofrimento é eterno e sem alívio: o ensino que a morte é um sono, e que a pessoa fica completamente inconsciente não encontra sustentação bíblica. Esse ensino se equivale de interpretações equivocadas de algumas passagens do Antigo Testamento.

Na Parábola do Rico e Lázaro Jesus deixou muito claro que os que já partiram estão plenamente acordados e conscientes. Alguns aguardam o dia do juízo na bem-aventurança, enquanto outros aguardam em sofrimento.

5. A salvação é uma obra inteiramente divina: se Espírito Santo não regenerar o pecador, nem mesmo o maior dos milagres poderá fazer com que ele se convença de seu pecado. O rico pediu para que Abraão envia-se Lázaro, e depois qualquer um dos mortos, para que fosse ter com seus irmãos para que estes pudessem se converter.

É claro que o rico mais uma vez estava completamente equivocado. O Evangelho de João nos fala de outro Lázaro, aquele que ressuscitou dos mortos. O resultado dessa ressurreição não foi a conversão dos incrédulos, ao contrário, eles começaram a planejar a morte do próprio Lázaro que acabará de ser ressuscitado (Jo 11).

Por fim, a própria ressurreição de Jesus nos mostra que, se Deus não chamar soberanamente o pecador em sua graça, nunca tal pecador será salvo, ainda que alguém ressuscite dentre os mortos. O homem, morto em delitos e pecados, jamais abandona sua obstinação em ser inimigo da Palavra de Deus.

O rico, mesmo após a morte, não demonstrou arrependimento. Ele apenas lamentou seu sofrimento, mas em nenhum momento indicou que compreendeu os mandamentos do Senhor.

O caráter do rico continuou o mesmo. Ele enxergou Lázaro como um simples servo. Tentou se aproveitar de sua condição de descendente de Abraão ao chamá-lo de “pai”. No final, ele ainda pensou que, até mesmo na eternidade, seus caprichos poderiam ser atendidos.

 

Parábola da Figueira Estéril

 A Parábola da Figueira Estéril é uma parábola de Jesus registrada no Evangelho de Lucas (cap. 13:6-9). Vale dizer que dentre os quatro Evangelhos, apenas Lucas registrou essa parábola. Nesse texto, nós entenderemos a explicação, significado e lições dessa parábola.

O texto bíblico da Parábola da Figueira Estéril

E dizia esta parábola: Um certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha, e foi procurar nela fruto, não o achando; e disse ao vinhateiro: Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira, e não o acho. Corta-a; por que ocupa ainda a terra inutilmente? E, respondendo ele, disse-lhe: Senhor, deixa-a este ano, até que eu a escave e a esterque; e, se der fruto, ficará e, se não, depois a mandarás cortar (Lucas 13:6-9).

Contexto histórico da Parábola da Figueira Estéril

No capítulo 13 do Evangelho de Lucas, assim como no final do capítulo anterior (12), nitidamente percebemos uma ênfase no ensino sobre a necessidade da conversão. Também é possível entender que Jesus contou essa parábola durante Sua viagem final para Jerusalém (Lc 13:1).

O contexto histórico da narrativa de Jesus é o triste episódio envolvendo a ordem de Pilatos para matar alguns galileus. Pelo relato de Lucas, podemos entender que algumas pessoas naturais da Galileia peregrinaram até Jerusalém para oferecerem sacrifícios no Templo. De repente, por ordem de Pilatos, aquelas pessoas foram assassinadas.

O texto nos informa que, de alguma forma, o sangue daquelas pessoas foi misturado com o sangue de seus sacrifícios (Lc 13:1). Além do que foi registrado por Lucas, nada se sabe sobre o que de fato ocorreu.

Não sabemos qual foi a motivação para a ordem de Pilatos. Alguns sugerem que esses galileus faziam parte de um grupo nacionalista que se opunha de forma intensa ao governo romano, porém essa teoria é apenas uma mera especulação.

O importante sobre esse relato é que pelas palavra de Jesus podemos perceber que as pessoas que estavam ao redor do Senhor não interpretavam esse evento como um ato de crueldade por parte de Pilatos, ao contrário, eles achavam que aqueles galileus foram vitimas do castigo divino por conta de seus pecados (Lc 13:2,3).

Esse tipo de entendimento que relacionava o sofrimento com o pecado pessoal era comum entre os judeus. Um exemplo disso é a própria história de Jó, onde seus amigos associaram o sofrimento enfrentado por ele com o castigo divino por seus pecados (Jó 4:7; 8:20; 11:6; 22:6-10; cf. Jo 9:2).

Porém, Jesus reprovou completamente esse conceito ao afirmar que aqueles galileus mortos não eram, necessariamente, maiores pecadores que os demais galileus, e enfaticamente adverte seus ouvintes: “[…] mas a menos que se convertam, todos vocês igualmente perecerão” (Lc 13:3).

É possível também que na época os judeus associaram a origem das vítimas, a Galileia, como um fator contribuinte para tal punição. Devemos nos lembrar que existia preconceito entre os judeus de Jerusalém e os galileus.

Jesus então continuou seu discurso refutando claramente essa ideia. Ele fez isso citando um desastre na Torre de Silóe que matou dezoito pessoas. Essa torre ficava próxima ao Tanque de Silóe, e num determinado dia ela desabou e matou um grupo de pessoas.

O interessante é o detalhe da narrativa de Jesus. Se no outro evento foram os galileus que morreram, nesse desastre com a torre foram os moradores de Jerusalém. Mais uma vez Jesus enfatizou a sentença: “[…] mas a menos que se convertam, vocês semelhantemente perecerão” (Lc 13:5).

Resumo e explicação da Parábola da Figueira Estéril

Considerando o contexto apresentado acima, não é difícil entendermos a Parábola da Figueira Estéril. Jesus contou nessa parábola que um homem tinha uma figueira planta em sua vinha, e quando foi procurar fruto nessa figueira ele não encontrou.

Era comum entre os judeus que figueiras fossem plantadas em vinhas. Isso também significa que quando plantadas nas vinhas, as figueiras recebiam cuidados especiais.

Jesus também nos informa que o homem havia procurado por frutos na figueira durante três anos, e nada tinha encontrado. É importante entender que não se tratavam dos primeiros três anos de vida daquela figueira.

Vale lembrar de que na Lei de Moisés havia uma condição de que apenas a partir do quinto ano os frutos de uma árvore poderiam ser consumidos. Os frutos dos três primeiros anos deveriam ser descartados, e os frutos do quarto ano deveriam ser ofertados ao Senhor (Lv 19:23-25).

Logo, aquele homem estava procurando frutos na figueira no quinto, sexto e sétimo ano, mas não os encontrou. Então ele ordenou ao viticultor para que cortasse a árvore. Além disso, ele também fez uma observação interessante: “Por que deixá-la inutilizar a terra?” (Lc 13:7).

Aqui percebemos que aquela árvore não era apenas inútil, ela era pior do que isto. Além de não produzir fruto a figueira estéril causava prejuízo, pois ocupava o espaço no solo que poderia ser utilizado de uma forma melhor, e também suas raízes absorviam os nutrientes da terra prejudicando as demais plantas que estavam ao seu redor.

Então o homem que cuidava da vinha pediu para que o proprietário tivesse só mais um pouco de paciência, e esperasse mais um ano. Durante esse prazo ele iria adubá-la e se ela não produzisse fruto a figueira poderia ser cortada.

Lendo o diálogo entre o viticultor e o dono da vinha, podemos perceber que o viticultor demonstrava um interesse especial naquela figueira estéril. Ele não só pediu para que ela não fosse cortada, como também se comprometeu a fazer tudo o que tivesse ao seu alcance para que a árvore pudesse produzir.

A parábola termina é nada é dito se a figueira finalmente produziu fruto ou se foi cortada. Claro que isso foi intencional, ou seja, com isso, Jesus propôs que cada um analise sua própria vida, se somos como uma figueira estéril ou se somos como árvores frutíferas.

Qual o significado da Parábola da Figueira Estéril?

É possível que exista um significado simbólico na figura da figueira plantada na vinha. Tanto a videira quanto a figueira, tinha um papel importante para os judeus, de modo que no Antigo Testamento várias vezes a prosperidade de Israel ou sua reprovação foi indicada com referências à essas árvores (1Rs 4:25; Mq 4:4; Jr 8:13; Os 9:10; Hc 3:17; cf. Is 5:1-7).

Assim, podemos entender que a figueira plantada em uma vinha é uma figura da posição privilegiada que Israel desfrutou na antiga dispensação. No entanto, esse privilégio também trouxe responsabilidade, e sabemos que Israel, como nação, não respondeu a esse privilégio e não se voltou para o Senhor (Lc 20:16; 21:20-24).

Portanto, a falta de figos na figueira simbolizava a reprovação de Deus e seu juízo iminente: se não produzisse fruto a figueira seria cortada. O significado central dessa parábola não se resume apenas a Israel, mas a todos que ouvem e leem essas palavras de Jesus.

Essa parábola nos mostra a verdade de que se um simples homem se importou com a figueira estéril de tal modo que se comprometeu a trabalhar nela por mais uma ano, mais ainda Deus se importa com o homem e se mostra magnânimo e paciente. Porém, Sua paciência tem um tempo limite.

Aqui aprendemos que Deus é misericordioso, mas chegará o tempo em que o dia do juízo virá. Hoje os homens estão vivendo num tempo de oportunidade, mas chegará o momento em que a oportunidade de salvação será tirada, a figueira estéril será cortada e se perderá para sempre.

Assim, o ensino principal da parábola da figueira estéril é que a paciência de Deus resulta em julgamento ao pecador impenitente. Esse é o mesmo ensino expresso na Epístola aos Hebreus, quando seu autor escreveu que se toda transgressão e desobediência recebeu justa retribuição, “como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação” (Hb 2:2,3).

Quando meditamos na Parábola da Figueira Estéril podemos facilmente nos lembrar das palavras do profeta Isaías:

Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno, os seus pensamentos e se converta ao Senhor, que se compadecerá dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar (Is 55:6,7).

Quando o tempo permitido pelo Senhor para que o homem se arrependa tiver se esgotado, então ninguém poderá escapar do juízo de Deus. Essa parábola, sem dúvida, enfatiza a responsabilidade humana.

Deus é soberano e a Bíblia ensina claramente a doutrina da justificação pela graça mediante a fé, mas isso não anula a responsabilidade do homem. O homem, depravado e corrompido pelo pecado, não poderá culpar Deus pela sua negligência. No dia do juízo ninguém poderá reclamar da paciência e da misericórdia do Senhor, nem mesmo questionar Sua justiça.

segunda-feira, 16 de março de 2026

A Parábola do Construtor da Torre e o Rei Guerreiro

A Parábola do Construtor da Torre e o Rei Guerreiro é um ensino de Jesus presente em Lucas 14:28-33. Na verdade não se trata de apenas uma parábola, mas duas parábolas, porém ambas estão intimamente ligadas de modo que uma complementa a outra.

Assim, embora existam algumas diferenças naturais entre essas duas parábolas, seguramente podemos entender que elas transmitem, com aspectos diferentes, o mesmo ensino e significado.

Portanto, uma interpretação correta dessas parábolas de Jesus exige uma exposição indivisível das duas parábolas, e é por isso que muitos comentaristas as apresentam como uma única parábola.

O texto bíblico da Parábola do Construtor e o Rei Guerreiro

Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar? Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele, dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar.

Ou qual é o rei que, indo à guerra a pelejar contra outro rei, não se assenta primeiro a tomar conselho sobre se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil? De outra maneira, estando o outro ainda longe, manda embaixadores, e pede condições de paz.

Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo.

(Lucas 14:28-33)

Contexto da Parábola do Construtor e o Rei Guerreiro

Jesus contou essa parábola durante sua viagem da Galileia para Jerusalém. Nessa ocasião Jesus estava acompanhado de uma grande multidão (Lc 14:25). Na verdade, a grande maioria dessas pessoas tinha uma concepção completamente errada acerca de Jesus.

Elas estavam seguindo o Senhor pois O identificavam como um governante terreno, e achavam que, quando chegasse a Jerusalém, Ele iria estabelecer seu reino e finalmente exaltar a nação.

No entanto, essa viagem de Jesus a Jerusalém tinha um propósito completamente contrário ao que o povo pensava. Em Jerusalém Jesus seria traído, preso, torturado, julgado e executado no Calvário.

Então, num determinado momento, Jesus falou sobre o custo do discipulado, e utilizou essas duas parábolas para poder exemplificar seu importante ensino.

Resumo e explicação da Parábola do Construtor da Torre e o Rei Guerreiro

Jesus usou duas cenas distintas em seu ensino. Primeiro, na Parábola do Construtor da Torre, Jesus utilizou o cenário rural e a vida no campo. Depois, na Parábola do Rei Guerreiro, o cenário passou a ser o palácio e as decisões militares.

Na Parábola do Construtor da Torre, Jesus supõe a construção de uma torre em uma fazenda. O texto não explica que tipo de torre seria essa. Poderia ser uma torre de vigia para o fazendeiro proteger seu campo, ou uma torre para armazenagem de ferramentas e suprimentos que também poderia ser utilizada como residência temporária.

Considerando a ênfase dada por Jesus ao custo da torre, é provável que a última possibilidade seja a mais correta, já que uma simples torre de vigia em uma vinha tinha um custo muito menor do que um tipo de edifício agrícola.

O que se sabe é que na época possuir uma torre em sua fazenda representava mais prestigio para o fazendeiro, além de valorizar sua propriedade.

Todavia, Jesus ensina que se não for feito um planejamento correto dos custos da construção os recursos poderão acabar antes que o empreendimento esteja completo, então todo o respeito, prestígio e valorização que tal torre poderia trazer ao fazendeiro irão por água a baixo, e em vez disso ele será alvo de chacota e ganhará fama de imprudente.

Já na Parábola do Rei Guerreiro, Jesus fala da avaliação estratégica que deve ser feita por um rei antes de entrar em batalha, a fim de analisar se com seu exército de 10 mil soldados poderá enfrentar um exército que possui o dobro do tamanho do seu.

Essa avaliação precisa ser muito honesta e sincera, para que se caso julgar não ter condições de enfrentar seu oponente, o rei possa enviar uma comissão de embaixadores para apresentar um acordo de paz antes que o exército inimigo venha até ele. Assim não apenas seus recursos serão poupados, mas a vida de seus homens também.

O significado da Parábola do Construtor da Torre e o Rei Guerreiro

As duas parábolas são curtas e objetivas. Na Parábola do Construtor da Torre a lição é bem clara: planeje e avalie o custo antes de agir. Já na segunda parábola a lição que segue é: avalie as possibilidades de sucesso, tome uma ação e esteja disposto a ceder.

Entretanto, quando colocamos essas duas parábolas como partes de um mesmo ensino, podemos perceber uma importante verdade. Na primeira parábola o fazendeiro precisa tomar uma decisão, isto é, ele pode fazer ou não fazer a torre.

Na segunda parábola o rei também precisa tomar uma decisão, porém ele não tem a liberdade do fazendeiro, ele obrigatoriamente precisa fazer alguma coisa, ou seja, ou vai à guerra ou cede um acordo de paz.

Para entendermos esse ensino não podemos anular o contexto dessa parábola. Jesus pronunciou essas palavras para uma multidão infestada de seguidores superficiais.

Num primeiro momento essas pessoas aparentavam desfrutar de uma liberdade de ação, isto é, construir ou não construir? Buscar verdadeiramente o reino de Deus ou continuar sonhando o ideal nacionalista esperando um reino terreno? Se apoiar no fato de terem comido do maná no deserto ou comer do verdadeiro Pão que desceu do céu enviado por Deus (Jo 6:48-50)?

Todavia, o ensino prossegue e Jesus mostra que não existe a possibilidade da neutralidade, ensinando então três princípios claros:

  1. É preciso ponderar e planejar antes de tomar a ação;
  2. Mas é necessário que a ação seja tomada;
  3. Porém, é preciso tomar a ação da maneira correta, isto é, partir para a direção certa, e estar disposto a ceder.

Essas pessoas precisavam ser confrontadas, precisavam entender que não poderiam permanecer como estavam, elas tinham que saber o que realmente significava ser um discípulo do Senhor. Nesse mesmo capítulo Jesus repete três vezes a sentença “não pode ser meu discípulo” (Lc 14:26,27,33), ressaltando que não era qualquer um que poderia segui-lo.

Você se lembra de que as duas parábolas estão dentro da seção do capítulo 14 que trata do custo do discipulado?

Com a Parábola do Construtor da Torre Jesus enfatiza que seus seguidores precisam compreender que segui-lo não é “um mar de rosas”, por isso é preciso avaliar e refletir sobre o que verdadeiramente é ser um cristão, enquanto que na segunda parábola Ele ensina que a genuína compreensão desse assunto conduz seus seguidores a autorregeneração e a capacidade de ceder e renunciar a tudo e a todos por causa do Evangelho (Lc 33).

Em outras palavras, o ensino dessas duas parábolas mostra que Jesus não precisa de seguidores que não estejam completamente comprometidos com sua causa. Estes são como as sementes que caem nos lugares rochosos na Parábola do Semeador, eles se empolgam, crescem rápido, mas não possuem raízes. Quando são submetidos a uma condição de teste, sofrimento e negação, eles desistem (Mt 13:20,21).

O problema é que quando isso ocorre a condição dessas pessoas passa a ser pior do que antes. Tentar construir a torre e não terminá-la traz sérios problemas para o fazendeiro, que se torna objeto do ridículo, como da mesma maneira o prejuízo de uma batalha inconsequente é irreversível.

É por isso que é muito apropriada a conclusão presente nesse mesmo capítulo, onde nela Jesus fala sobre a inutilidade do sal insípido, ou seja, o sal que não tem sabor.

Jesus claramente afirmou que esse tipo de sal não serve para mais nada, ou seja, assim como o vexame da desastrosa construção da torre inacabada não pode ser apagado da mente das pessoas; assim como as vidas que foram perdidas não podem ser recuperadas após uma decisão equivocada que conduziu a uma guerra fracassada; e assim como o sal que perdeu o sabor não pode mais ser restaurado; da mesma forma é impossível que aqueles que foram instruídos no conhecimento da verdade, mas resolutamente negaram à exortação do Espírito Santo, sejam também renovados para o arrependimento (Hb 6:4-6).

Ao mesmo tempo em que a Bíblia ensina que um genuíno seguidor de Cristo jamais se perde (1Jo 10:27,28; 1Jo 2:19), também ensina que há muitas pessoas que parecem comprometidas com o Evangelho, caminham entre a multidão que segue o Senhor, mas acabam se revelando como construtores imprudentes e reis insensatos. Para estes, resta apenas uma terrível expectação de juízo (cf. Mt 12:32; Hb 6:4-6; 10:26,27,38).

E você, compreende o que realmente é ser um seguidor de Cristo? Compreende a verdadeira causa do Evangelho? Está disposto a negar-se a si mesmo?

Meu desejo sincero é que possamos dizer as mesmas palavras escritas pelo autor da Epístola aos Hebreus: “Nós, porém, não somos daqueles que se retiram para a perdição, mas daqueles que creem para a conservação da alma” (Hb 10:39).



 

O que a Bíblia diz sobre a depressão? Como um cristão pode superar a depressão?

 A depressão é uma condição amplamente disseminada, afetando milhões de pessoas, cristãs e não cristãs da mesma forma. Aqueles que sofrem de depressão podem experimentar sentimentos intensos de tristeza, raiva, falta de esperanças, fadiga e uma série de outros sintomas. Elas podem passar a se sentir inúteis e até mesmo suicidas, perdendo o interesse nas coisas e nas pessoas com quem antes se alegravam. A depressão é frequentemente desencadeada por circunstâncias de vida, como a perda de um emprego, a morte de um ente querido, divórcio ou problemas psicológicos como a baixa auto estima e problemas causados pelo abuso.

A Bíblia nos diz para sermos cheios de alegria e louvor (Filipenses 4:4; Romanos 15:11), então Deus aparentemente quer que todos nós vivamos vidas alegres. Isso não é fácil para alguém sofrendo de uma depressão causada por alguma situação, mas pode ser remediado através dos dons de Deus de oração, estudo e aplicação da Bíblia, grupos de apoio, grupos domésticos, comunhão entre os crentes, confissão, perdão e aconselhamento. Nós devemos fazer o esforço consciente para não sermos absorvidos por nós mesmos, e ao invés disso colocarmos nossos esforços para fora. Sentimentos de depressão frequentemente podem ser resolvidos quando o sofredor tira o foco de si próprio e o põe em Cristo e nos outros.

A depressão clínica é uma condição física que deve ser diagnosticada por um médico. Ela não é causada por circunstâncias desafortunadas da vida, e os sintomas não podem ser aliviados pela vontade própria. Ao contrário do que alguns da comunidade cristã acreditam, a depressão clínica nem sempre é causada pelo pecado. A depressão pode às vezes ser um distúrbio que precisa ser tratado com medicação e/ou aconselhamento. É claro, Deus é capaz de curar qualquer doença ou distúrbio. No entanto, em alguns casos, ver um médico por causa de depressão não é diferente de ver um médico por causa de um machucado.

Existem algumas coisas que aqueles que sofrem de depressão podem fazer para aliviar a sua ansiedade. Eles devem se certificar de que estão permanecendo na Palavra, mesmo quando não sentem vontade. As emoções podem nos desviar do caminho, mas a Palavra de Deus permanece firme e imutável. Nós devemos manter forte a fé em Deus, e nos aproximarmos dele ainda mais quando sofremos provas e tentações. A Bíblia nos diz que Deus jamais permitirá que sejamos tentados além do que possamos suportar (1 Coríntios 10:13). Apesar de estar deprimido não ser um pecado, uma pessoa ainda é responsável pela forma como responde à aflição, incluindo a busca pela ajuda profissional de que precisa. “Por meio de Jesus, pois, ofereçamos a Deus, sempre, sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome” (Hebreus 13:15).

 

domingo, 15 de março de 2026

A Bíblia é confiável?


Usando os mesmos critérios pelos quais julgamos as outras obras históricas, a Bíblia não só é confiável, mas é mais confiável do que quaisquer outros escritos comparáveis. 

A confiabilidade é uma questão de veracidade e cópia exata. 

Escritos que são historicamente e fatalmente corretos e que foram fielmente preservados ao longo do tempo seriam considerados confiáveis. 

Níveis mais elevados de verificação histórica e melhor confiança na transmissão facilitam a determinação de se uma obra antiga é digna de confiança.

 Por essas medidas, podemos considerar a Bíblia confiável.

Como acontece com qualquer obra histórica, nem todos os detalhes bíblicos podem ser diretamente confirmados. 

A Bíblia não pode ser acusada de insegura simplesmente porque contém partes que não podem ser confirmadas ou que ainda não foram confirmadas. 

O que é razoável é esperar que seja exata onde puder ser verificada.

 Este é o principal teste de confiabilidade, e aqui a Bíblia tem um histórico estelar. Muitos de seus detalhes históricos não só têm sido confirmados, mas certas porções das quais uma vez se duvidava foram posteriormente verificadas pela arqueologia.

Por exemplo, achados arqueológicos na década de 1920 confirmaram a presença de cidades parecidas com Ur, descrita em Gênesis 11, cuja existência tinha sido anteriormente duvidada por alguns céticos.

 Gravuras descobertas em uma tumba egípcia retratam a instalação de um vice-rei de uma forma que corresponde exatamente à descrição bíblica da cerimônia envolvendo José (Gênesis 39). 

Tábuas de argila que datam de 2300 aC foram encontradas na Síria, apoiando fortemente relatos, vocabulário e geografia do Antigo Testamento. Os céticos duvidaram da existência dos hititas (Gênesis 15:20; 23:10; 49:29), até que uma cidade hitita, com registros completos, foi encontrada na Turquia.

 Existem dezenas de outros fatos do Antigo Testamento que têm sido apoiados pela descoberta arqueológica.

Mais importante ainda, nenhum fato apresentado no Antigo ou Novo Testamento tem sido invalidado.

 Esta confiabilidade histórica é crucial para a nossa confiança em outras declarações feitas nas Escrituras.

Até mesmo as ocorrências "milagrosas" de Gênesis têm base probatória que podemos reivindicar hoje.

 Registros babilônicos antigos descrevem uma confusão de línguas, de acordo com o relato bíblico da Torre de Babel (Gênesis 11:1-9). 

Estes mesmos registros descrevem uma inundação mundial, um evento presente em literalmente centenas de formas em culturas de todo o mundo.


Os locais onde Sodoma e Gomorra (Gênesis 19) uma vez existiram foram encontrados, exibindo evidências de destruição ardente e violenta.

 Até mesmo as pragas do Egito e o êxodo resultante (Êxodo 12:40-41) têm suporte arqueológico.

Esta tendência continua no Novo Testamento, onde os nomes de várias cidades, autoridades políticas e eventos têm sido repetidamente confirmados por historiadores e arqueólogos. 

Lucas, o escritor desse evangelho e do livro de Atos, tem sido descrito como um historiador de primeira linha por sua atenção aos detalhes e relatórios precisos. Nos escritos de tanto o Antigo quanto o Novo Testamento, a Bíblia se prova confiável onde quer que possa ser verificada.

A cópia exata também é um fator importante na confiabilidade da Bíblia. 

Os escritos do Novo Testamento foram compostos dentro de algumas décadas dos acontecimentos que descrevem, muito cedo para que alguma lenda ou mito ultrapassasse a história real.

 Na verdade, a estrutura básica do evangelho pode ser datada a um credo formal apenas alguns anos depois da crucificação de Jesus, de acordo com a descrição de Paulo em 1 Coríntios 15:3-8.

Os historiadores têm acesso a um enorme número de manuscritos, provando que o Novo Testamento foi de forma confiável e rápida copiado e distribuído.

Isto dá ampla confiança de que o que lemos hoje representa corretamente a escrita original.


O Antigo Testamento também mostra toda a evidência de ser confiavelmente transmitido. Quando os Manuscritos do Mar Morto foram descobertos na década de 1940, eram 800 anos mais velhos do que quaisquer outros manuscritos disponíveis. 

Comparar manuscritos mais novos com os mais velhos mostrou uma abordagem meticulosa à transmissão, mais uma vez aumentando a nossa confiança de que o que temos hoje representa os textos originais.


Todos esses fatores dão razões objetivas para podermos considerar a Bíblia confiável.

 Ao mesmo tempo, é extremamente importante examinar esses mesmos fatores em outros textos que usamos para escrever nossos livros de história. 

A Bíblia tem, de longe, um apoio mais empírico, um tempo mais curto entre a escrita original e as cópias sobreviventes, e um maior número de manuscritos de origem do que qualquer outro trabalho antigo.

Por exemplo, há dez cópias das obras de Júlio César, com a mais antiga sendo de cerca de 1.000 anos depois dele a tê-la escrito, sem nenhuma maneira de se saber quão bem essas cópias representam as originais. Há oito cópias das obras do historiador Heródoto, com a mais antiga de 1.400 anos depois dele a tê-la escrito. 

Os arqueólogos encontraram 643 cópias manuscritas das obras de Homero, permitindo-nos uma confiança de 95 por cento no texto original.
Para o Novo Testamento, existem atualmente mais de 5.000 manuscritos, com a maioria das cópias iniciais em qualquer lugar de 200 a 300 anos mais tarde, e algumas a menos de 100 anos mais tarde. Isso dá uma margem de confiança de mais de 99 por cento no conteúdo do texto original.

Em suma, não só temos razões objetivas para reivindicarmos que a Bíblia é confiável, mas não podemos duvidar de sua credibilidade antes de jogarmos fora quase tudo que sabemos da história antiga.

 Se as Escrituras não passarem um teste de confiabilidade, nenhum registro daquela era pode.

 A confiabilidade bíblica é comprovada tanto em sua precisão histórica quanto na sua transmissão precisa.