quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Explicação da Parábola do Joio e do Trigo

 A Parábola do Joio e do Trigo fala sobre a existência do mal no meio do bem e a definitiva separação entre eles. A Parábola do Joio e do Trigo está registrada no Evangelho de Mateus, bem como sua explicação (Mateus 13:24-30; 36-43). Neste estudo bíblico iremos meditar no significado dessa importante parábola de Jesus.

Resumo da Parábola do Joio e do Trigo

Na Parábola do Joio e do Trigo Jesus comparou o Reino dos céus a lavoura de um homem. Este homem semeou boa semente de trigo em seu campo. Mas durante o seu período de descanso, veio um adversário e semeou joio no meio do trigo. Passando o tempo, o trigo cresceu e frutificou, mas junto dele também apareceu o joio.

Ao constatarem que havia joio entre o trigo, os servos do dono do campo lhe interrogaram sobre o porquê da presença de joio na plantação se na verdade apenas o trigo havia sido semeado por ele. O agricultor respondeu aos seus servos que um inimigo havia feito aquilo.

Prontamente seus servos se disponibilizaram a arrancar o joio do meio da plantação de trigo. Mas o dono do campo impediu que eles fizessem isto. Segundo ele, ao arrancar o joio, seus servos poderiam também acabar arrancando o trigo. Então ele ordenou que deixassem crescer o joio e do trigo juntos até o dia da ceifa. Neste dia, porém, os ceifeiros teriam ordens para colher primeiro o joio e separá-lo para queimar, enquanto o trigo seria guardado em seu celeiro (Mateus 13:24-30).

Contexto da Parábola do Joio e do Trigo

Jesus pronunciou a Parábola do Joio e do Trigo num determinado dia em que saiu de uma casa e se assentou à beira do Mar da Galileia. Naquele dia uma grande multidão se reuniu perto dele. Então Ele subiu num barco enquanto a multidão ficou em pé na praia escutando seus ensinamentos.

Naquele mesmo dia, Jesus pronunciou uma série de pelo menos sete parábolas sobre o Reino dos céus. Primeiro Ele contou quatro parábolas diante de toda multidão. Foram elas: O Semeador, O Joio e do Trigo, O Grão de Mostarda e o Fermento (Mateus 13:1-36). Já as três últimas parábolas foram contadas exclusivamente aos seus discípulos. Foram elas: O Tesouro Escondido, A Pérola de Grande Valor e a Rede. (Mateus 13:36-53).

Provavelmente a Parábola do Joio e do Trigo foi contada na sequência da Parábola do Semeador. Ambas as parábolas possuem certas semelhanças. Elas utilizam o pano de fundo da agricultura, e igualmente falam de um semeador, uma lavoura, e sementes sendo plantadas.

Mas ao mesmo tempo elas também possuem diferenças significativas. Na Parábola do Semeador só há um tipo de semente sendo semeada, a boa semente. Por isto a mensagem da parábola enfatiza a forma com que essa boa semente é recebida pelos diferentes tipos de solo. Além disto, o maligno aparece como aquele que arranca a semente semeada em determinado tipo de solo.

Já na Parábola do Joio e do Trigo há dois tipos de sementes, a boa e a ruim. Então a ênfase é posta no semeador, sobretudo na forma com que ele trata a realidade de haver semente ruim plantada junto de semente boa. Por último, o inimigo aparece como sendo o responsável em plantar a semente ruim. Existem muitas passagens bíblicas que aplicam metáforas da agricultura, pois isto consistia em algum muito presente na vida daquela época.

Explicação da Parábola do Joio e do Trigo

O próprio Jesus explicou a Parábola do Joio e do Trigo aos seus discípulos. Eles não tinham entendido esta parábola, e depois de Jesus ter despedido a multidão, eles lhe pediram explicação.

Jesus explicou a parábola dizendo que o homem que semeia a boa semente é o Filho do homem, ou seja, Ele próprio. Vale saber que o título “Filho do homem” é a autodesignação mais utilizada por Jesus. Este é um título muito significativo que aponta tanto para sua plena humanidade quanto para sua plena divindade.

O campo, na parábola, serve como representação do mundo. A boa semente de trigo representa os filhos do Reino, enquanto que o joio representa os filhos do maligno. Consequentemente, o inimigo que semeou o joio é o diabo. Por último, a ceifa representa a consumação dos séculos, e os ceifeiros, aos anjos.

Os anjos ao serviço do Senhor no dia final, como ceifeiros, tirarão do Reino todo joio, ou seja, tudo o que foi semeado pelo diabo, isto é, os ímpios, aqueles que praticam o mal e são motivos de tropeço. Eles serão lançados na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes. Por outro lado, a boa semente, isto é, os justos, brilharão como sol no Reino de Deus (Mateus 13:36-43).

A diferença entre o Joio e o Trigo

O objetivo de Jesus em expressar a ideias de semelhança e contraste é perfeitamente alcançado no uso das duas sementes. O joio da qual Jesus fala nesta parábola, trata-se de uma erva terrível chamada tecnicamente de Lolium Temulentum. Esta erva é uma praga relativamente comum em muitas lavouras de trigo.

Em seus primeiros estágios, enquanto ainda está em folhas, ela se assemelha muitíssimo ao trigo, tornando inviável arrancá-la do meio do trigo. Mas as semelhanças param por aqui. O joio pode ser hospedeiro de um fungo que produz toxinas venenosas que podem causar efeitos gravíssimos se consumido por animais e humanos.

Portanto, enquanto o trigo é base dos mais variados alimentos, o joio é uma erva daninha. Mas ao amadurecer, quando as espigas são formadas, as semelhanças entre essas duas sementes acabam. No dia da colheita, nenhum ceifeiro comete o erro de colher joio em lugar do trigo.

O significado da Parábola do Joio e do Trigo

A Parábola do Joio e do Trigo fala do caráter heterogêneo atual do Reino, mas também ressalta sua consumação futura em plena pureza e esplendor. Assim como em uma lavoura que enquanto as plantas crescem ervas indesejadas também crescem junto, assim também ocorre no Reino. Mas no final, tanto a lavoura quanto o Reino, são submetidos a uma rigorosa limpeza. Isto ocorre no dia da ceifa. Neste dia os ceifeiros separam o resultado da boa semente da praga que cresceu no meio dela.

Então o significado da Parábola do Joio e do Trigo aponta para a realidade da existência do mal entre o bem no Reino. Em determinados estágios, o mal se alastra de uma forma tão sorrateira, que é praticamente impossível diferenciá-lo.

Mas o significado desta parábola também revela a verdade de que no final o Filho do homem cuidará, através de seus anjos, de separar os bons dos maus. Nesse dia os ímpios serão tirados do meio dos redimidos. Os filhos do maligno serão perfeitamente distinguidos dos filhos de Deus e serão lançados no lugar de tormento.

Mas os fiéis entrarão na bem-aventurança eterna. Eles estarão para todo sempre ao lado do Senhor. Eles não brotaram como uma erva daninha no campo, mas foram plantados pelas mãos do grande Semeador. Eles são frutos da boa semente, e a boa semente jamais resultará em praga. Apesar de muitas vezes terem que dividir a lavoura com o joio, o celeiro daquele que os plantou está reservado exclusivamente para recebê-los.

Lições da Parábola do Joio e do Trigo

Jesus conclui esta parábola com as conhecidas palavras: “Aquele que tem ouvidos, então ouça” (Mateus 13:43). Certamente a Parábola do Joio e do Trigo, através de seu significado central, nos ensina valiosas lições e devemos estar atentos a ouvi-las.

A necessidade da paciência diante do joio

A principal lição que devemos tomar da Parábola do Joio e do Trigo diz respeito à paciência. A ordem para deixar que o joio cresça no meio trigo fala exatamente disto. Mas ao contrário do que alguns pesam, esta não é uma ordem para que o pecado seja tolerado no meio da Igreja.

Sobre isto, W. Hendriksen ressalta que o ensino de Jesus neste ponto é que simplesmente seus servos devem estar dispostos a esperar pacientemente pela decisão do Filho do homem no dia da ceifa.

O joio está misturado no meio do trigo

Satanás se empenha em falsificar a mensagem do Evangelho, de modo que seus representantes se misturam no meio do verdadeiro povo de Deus. É interessante notar que o joio não foi semeado numa lavoura vizinha de onde o trigo foi semeado. O joio semeado pelo maligno está no meio da igreja visível.

Eles se misturam e se tornam muitas vezes imperceptíveis, e buscam entrelaçar suas raízes com o intuito de fazer com que os verdadeiros crentes tropecem em seus enganos. Portanto, aqueles que professam o falso evangelho se parecem com trigo, mas na realidade são ervas daninhas. Eles jamais poderão ser genuínos embaixadores do Reino, pois são agentes de Satanás.

O joio será definitivamente separado do trigo

Parábola dos Dois Devedores

A Parábola dos Dois Devedores fala de perdão e gratidão. Essa parábola contada por Jesus foi registrada apenas pelo Evangelho de Lucas (Lucas 7:41-13). Na parábola Jesus fala sobre um credor que tinha dois devedores. Esse credor era um tipo de agiota com quem dois homens contraíram dividas.

Os valores das dividas dos dois homens eram diferentes. O primeiro devia ao credor quinhentos denários, enquanto o segundo devia cinquenta. O denário era uma moeda romana que equivalia ao salário diário de um trabalhador comum.

Isso significa que o primeiro devedor devia o equivalente ao salário de um trabalhador comum em quinhentos dias úteis de trabalho. O valor da divida do segundo devedor somava o montante equivalente ao salário por cinquenta dias trabalhados.

Mas nenhum dos dois devedores tinha condição de pagar o agiota. Naquele tempo os credores costumavam ser ainda mais inflexíveis no recebimento de seus dividendos. Mas aquele agiota da parábola teve uma atitude diferente. Em vez de prender os dois devedores por inadimplência, ele generosamente perdoou a divida de ambos.

Então Jesus Cristo termina sua parábola com um questionamento. Qual dos dois devedores revelará mais amor para com o agiota?

O contexto da Parábola dos Dois Devedores

Algumas pessoas confundem a Parábola dos Dois Devedores com a Parábola do Credor Incompassivo (Mateus 18:23-35), mas isto não é correto. Jesus contou a Parábola dos Dois Devedores durante um jantar na casa de um fariseu chamado Simão.

Durante o jantar, uma mulher da cidade foi até a casa do fariseu levando consigo um vaso de alabastro com unguento. Nada é dito sobre a identidade dessa mulher. O texto apenas informa que ela tinha reputação de pecadora na cidade. Algumas pessoas deduzem precipitadamente que se tratava de uma prostituta. Mas a Bíblia Sagrada não diz isto. Ela poderia ter sido conhecida assim por outros motivos.

Há também algumas tradições que identificam essa mulher com Maria Madalena. Daí vem uma crença popular de que Maria Madalena havia sido uma meretriz. Mas, novamente, não há nada no texto que indique sua identidade, e em nenhum lugar do Novo Testamento é dito qualquer coisa a esse respeito sobre Maria Madalena.

De qualquer forma, a mulher pecadora prostrou-se aos pés de Jesus chorando sem cessar. Ela começou a molhar os pés do Senhor com suas lágrimas e a enxugá-los com seus cabelos. Então ela quebrou seu vaso de alabastro e ungiu os pés de Jesus enquanto os beijava.

Aquela atitude deixou Simão intrigado a ponto de questionar consigo mesmo, a pessoa de Jesus. Ele disse a si mesmo: “Se este homem fosse profeta, Ele saberia quem e que tipo de pessoa é esta mulher que o está tocando” (Lucas 7:39). A Parábola dos Dois Devedores veio em resposta a essa atitude intima do fariseu Simão. Por isso, no final da parábola, é a Simão que Jesus pergunta acerca de qual dos dois devedores estaria mais agradecido.


O significado da Parábola dos Dois Devedores

Como fica claro, o significado da Parábola dos Dois Devedores ensina sobre a sincera gratidão diante do perdão. Quanto maior for a divida perdoada de um devedor que não poderia pagá-la, maior deverá ser sua gratidão para com quem a perdoou.

Quando alguém realmente entende o tamanho do perdão que lhe sobreveio, não há outra possibilidade a não ser demonstrar amor e gratidão. Foi isso o que aquela mulher fez.

Ela não se importou com a opinião de quem se sentiria ofendido. Ela não se intimidou com a possibilidade de ficar com sua reputação ainda mais arruína na cidade, ao quebrar os costumes de seu tempo. Sua única preocupação era poder demonstrar, com ações concretas, o quanto estava agradecida.

Talvez ao ver a forma com que Jesus recebeu aquela mulher pecadora, o fariseu pensou ter comprovado que não havia nada de especial em Jesus. Como Ele poderia ser divino se parecia não saber quem era aquela mulher pecadora?

Mas a Parábola dos Dois Devedores não só demonstra que Jesus conhecia toda a história daquela mulher, como também sondava o coração e os pensamentos de Simão. O desconfiado Simão é que não entendia estar na presença do Filho de Deus, plenamente humano e plenamente divino.

Ali estava alguém infinitamente superior a qualquer profeta, e isto pode ser visto nas seguintes palavras: “Portanto, eu lhe digo que os pecados dela, ainda que muitos, estão perdoados, pois ela muito amou; mas a pessoa a quem pouco se perdoa, pouco ama” (Lucas 7:47).

Simão pensava estar justificado, enquanto desprezava a mulher pecadora. Mas a Parábola dos Dois Devedores deixou claro que quem havia recebido o grande perdão, havia sido aquela mulher. Através da fé, um dom da graça de Deus, a mulher compreendeu o significado do perdão que havia sido derramado sobre ela. Se você quiser conhecer o significado de cada parábola de Jesus, conheça aqui um material exclusivo para você.